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Destaques

Sobre rabiscos e telas brancas

A tela branca pode ser um convite à explosão criativa ou uma tortura ao artista que sente seu espírito definhando diante da pesada realidade. Em tempos de crise e ódio, a arte fica esquecida e é vista como desimportante; ironicamente, é quando mais precisamos dela, de algo que nos faça sentir vivo e toque as partes atordoadas.


O som dos dedos se movendo pelo teclado era como fantasmas de uma vida distante. É incrível perceber quantas vezes nós deixamos algumas partes nossas morrerem ao longo de nossas existências; as máscaras, antes tão confortáveis, agora incomodam e não nos servem mais. Leva tempo até ficarmos satisfeitos e ajustados à nova realidade. Viver é admitir que sabemos pouco sobre nós mesmos e há sempre algo novo que pode nos transformar, seja para o bem ou para o mal.

O artista encara a tinta respingando pela tela. Para o espectador sem intimidade, nada faz sentido, a desconexão de ideias é tormentosa; para ele, o lembrete de que sua arte nunca o abandonaria. Como poderia…

Resenha: The Wonderful Wizard of Oz – L. Frank Baum

Texto: Ben Oliveira

The Wonderful Wizard of Oz (O Mágico de Oz) é mais um desses livros de fantasia voltados para crianças, mas que podem ser apreciados por pessoas de qualquer idade. Li o livro em inglês e não tive dificuldades para entender as palavras, além de ter gostado bastante das mensagens implícitas na história.

Livro The Wonderful Wizard of Oz, L. Frank BaumPublicado em 1900, O Mágico de Oz, escrito por L. Frank Baum, também traz algumas ilustrações de W. W. Denslow e convida o leitor para acompanhar a jornada de uma garotinha em busca de uma maneira de voltar para a sua casa.

Após um furacão, Dorothy acorda em uma terra desconhecida. Sua casa caiu em cima de uma bruxa e a garota é vista como a responsável pela morta da Bruxa do Leste, sendo considerada uma feiticeira por alguns. Em troca de libertar as pessoas dos comandos da bruxa malvada, Dorothy fica com os sapatos prateados que a pertenciam. Neste trecho é possível perceber uma alusão às aparências.

Uma série de personagens percorre o caminho de Dorothy, fazendo o leitor refletir as diferentes situações vivenciadas pela protagonista. Por exemplo, quando a pequena Dorothy diz que precisa voltar para sua cidade, o espantalho pergunta  porque ela deseja fazer isso, já que Kansas é desértica e cinzenta. A menina responde: "Não importa o quão sombrio seja sua casa, nós, pessoas de carne e osso, preferimos viver lá a viver em qualquer outro país, por mais lindo que seja. Não há lugar como nosso lar".

Outro trecho do livro fala sobre a importância de se pensar. O Espantalho não tinha cérebro e um corvo o disse que se ele tivesse um poderia ser tão bom quanto qualquer homem. "Cérebros são as únicas coisas que valem a pena ter neste mundo, não se importa se é um corvo ou um homem".

Além do Espantalho, o Homem-de-Lata também se junta à jornada de Dorothy. Enquanto o Espantalho queria um cérebro, o Homem-de-Lata desejava um coração, e eles acreditavam que o Mágico de Oz poderia realizar seus pedidos. O homem todo feito de lata conta para a menina como perdeu o coração e como se transformou no que era. "Enquanto eu estava apaixonada eu era o homem mais feliz da terra; mas ninguém pode amar alguém sem um coração", lamenta o Homem-de-Lata.

O Espantalho e o Homem-de-Lata argumentam a razão de desejarem aqueles órgãos. Para o homem de lata, o cérebro não podia fazer ninguém feliz, já o coração, "a felicidade é a melhor coisa no mundo".

O Leão Covarde também se junta à jornada, o mesmo buscando coragem. Ao longo do livro, o leitor vivencia acontecimentos e aprende a importância da perseverança, conhecimento, amizade e autoconfiança.

Quando eles finalmente encontram o Mágico de Oz, descobrem que o homem não passa de um impostor. Todavia, o velho compartilha algumas palavras de sabedoria, como: "Experiência é a única coisa que traz conhecimento, e quanto mais você está na terra, mais experiência você ganha" e "Não há nenhuma criatura viva que não tenha medo quando encara o perigo. A verdadeira coragem está em encarar o perigo quando você está com medo".

O livro foi escrito há mais de 100 anos e continua encantador. Para quem gosta de fantasia, na história são mostradas diversas criaturas e ações que despertam a imaginação. Talvez mais interessante do que o enredo seja a maneira com que o escritor destila doses de otimismo e suas morais sobre a vida. Uma leitura gostosa e fluente, além de uma boa maneira de desenferrujar o inglês.

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