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Destaques

Emocionados

Emocionados, talvez seja o que somos. Criamos expectativas, torcemos pelo melhor e mesmo quando as coisas estão difíceis, não desistimos. Eu não me lembro de quando tinha sido a última vez que tinha me envolvido tanto assim por uma causa: reeleger alguém que eu acredito que vai representar meus interesses. Não me lembro de ver tanta gente fazendo correntes. Tanta gente se seguindo, comentando, compartilhando e enviando conteúdo. Enfim, tanta gente engajada. Não posso mentir que no início não tenha ficado com medo de entrar em euforia, mas logo tudo foi se encaixando e me dei conta que independente de diagnósticos, sou um humano com os meus desejos como qualquer outra pessoa. Escrevo na esperança de lembrar os dias de luta. Escrevo para lembrar que mesmo diante da impossibilidade de se posicionar no Instagram, muitos encontraram outras redes sociais para fazer isso, como o X/Antigo Twitter, o Threads, o Facebook e o TikTok. Há algo mágico em conhecer novas pessoas e compartilhar suas af...

Carta à Saudade – Julio Mesquita

Oh! Senhora propagadora do sofrimento alheio, suas mandíbulas fizeram o meu saudoso coração indefeso sofrer profundamente de amor. Tão logo se apropriou de meu peito latente, tal qual uma invasora de alma, fizeste de mim um túmulo fechado. És a responsável pela ida do semideus Orfeu ao inferno, por não suportar a ausência de quem tanto amava. Sufocastes noivas e esposas, namorados e namoradas, pais e filhos, em lágrimas e tristezas com sua aguda nostalgia, dos que tanto carecem de estar com os seus. Será que não te satisfazes ao ver, nos olhos, a marca do seu lembrar? Talvez até invejes a manifestação da alegria, ou simplesmente te regozijes com o martírio coletivo ou individual. Talvez sejas solitária e carente, por isso provocas vingativamente, o mesmo sentimento que em ti reproduz.

Senhora detentora do sentimento mais puro! Por que maltratas tantos corações? Saiba que sou sua mais nova vítima na falta de quem ainda espero e que não retornou. E assim parto-me em fraguimentos dispersos, quase que me perdendo de mim, contando os segundos para rever quem me deixou. Não! Não a condenarei por sua natureza de dar dor a perda, tampouco a culparei pelo que sinto, sabendo não ser tu a responsável por não está comigo quem tanto amo. Essa pessoa, ela sim, é quem deveria ser culpada e condenada a amar-me, por abandonar-me à própria sorte e solidão. Por favor! Não, não tenhas penas de mim. Se choro e lamento é porque não há outra coisa a fazer se não derramar um rio de lágrimas e frustrações, já que não fui amado tanto quanto desejei. Mas não pense que desistirei assim... Se preciso for, invocarei os deuses do Olimpo, na tentativa de intercederem a meu favor, em detrimento de ti. Quem sabe Ares o Deus da guerra, erga-me em batalha contra a senhora Saudade. Porém, não é minha intenção afrontá-la, mas apenas desvencilhar-me do teu jugo, evitando desfalecer meu pobre coração. Estou profundamente abatido. Uma cicuta seria uma boa bebida, assim não me embebedaria só por um momento, mas para toda a vida ou morte. Então eu, idílio como qualquer inocente, expus-me a um amor avassalador e visceral. Permiti-me ser devorado por inteiro naquela boca, naquela garganta, deliciosamente profunda e quente. Indulgente, saciou-me tudo! Ao divagar naquele corpo, perdi-me em curvas, espaços, lacunas, desejo, devassidão. Era tão belo o olhar, tão fresco o odor, tão puro o amor, que tenho até medo de que não exista mais nada em lugar algum. Morrerei de saudade, eu sei...

Julio Mesquita é publicitário e escritor. Site: WWW.juliomesquitaescritor.com
E-mail: mesquita.julio@uol.com.br

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