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Destaques

Sobrecarregar

Impor limites nem sempre era fácil, mas às vezes fundamental para preservar a própria saúde mental. Então, ia aos poucos se fechando, permitindo ficar mais tempo offline do que online. Negociar limites talvez fosse o melhor termo. De todo modo, nem sempre as pessoas iriam entender. Às vezes, o silêncio era a melhor resposta. Escrevia para se lembrar. Escrevia para que as coisas fizessem sentido. Escrevia. Ia se soltando aos poucos. O que havia começado com empolgação, havia se tornado uma frustração. Aos poucos tentava diminuir o acesso às redes sociais, na esperança de voltar a respirar em paz. Ia impondo limites, pois era mais fácil se recuperar antes de se sobrecarregar do que depois. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escrita Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano:  O Círculo (Vol.1)  e  O Livro (Vol. 2) , disponíveis no  Wattpad  e na loja Kindle.

Resenha: Escola dos Sabores – Erica Bauermeister

É possível utilizar a culinária para contar uma boa história e impressionar leitores? Em seu livro Escola dos Sabores, lançado no Brasil, em 2010, pela Editora Sextante, Erica Bauermeister prova que sim.

Escola dos Sabores, como o próprio nome indica, aborda um curso de culinária, ministrado por Lillian. A cada receita apresentada, o leitor conhece um pouco sobre a história de cada um dos participantes, principalmente da professora e como ela descobriu sua paixão pela culinária.

Assim como cada pessoa interpreta um livro de cada maneira, Lillian ensina os significados dos ingredientes quando cozinha seguindo sua intenção e seus sentidos. Cada aroma, tempero, sensação simboliza o estado de humor de quem o preparou.

Erica Bauermeister coloca cada palavra em seu livro, como se estivesse preparando um prato que exige sensibilidade e cuidado, sem excessos para encontrar a medida certa, mas também sem ser  cautelosa demais, evitando que o mesmo fique insosso. A escritora, assim como sua protagonista, não se preocupa só com as formas e receitas, utilizando-se de suas emoções para dar vida a cada um dos seus personagens.

De forma graciosa, a autora mostra que por trás de uma comida é possível lembrar-se de alguém, algum momento e recriar todas essas sensações ao cozinhar para outras pessoas.

Ao longo do livro, Erica Bauermeister usa metáforas e analogias relacionado a culinária à escrita e à vida e mostrando como tudo pode ficar mais gostoso quando apreciamos uma refeição preparada com calma, carinho e até mesmo colaboração, quando mais de uma pessoa está ajudando na cozinha.

A autora compara, por exemplo, fazer um bolo a um casamento. “Cozinhar é uma questão de preferência. Acrescenta-se mais um pouco disso ou aquilo até que se chegue ao sabor desejado. Mas, quando se trata de assar um bolo, é diferente. É preciso ter certeza de que algumas combinações estão corretas”. Lillian explica que é preciso ter equilíbrio para o bolo não ficar duro e para não desabar.

Da mesma maneira que a protagonista acredita no poder da comida para reviver memórias, é impossível não se identificar com as histórias de cada um dos participantes do curso de culinária, relembrar de pratos que você já experimentou, imaginar o gosto dos que você não conhece, e o principal, sentir vontade de comer.

Ler Escola dos Sabores é como se deliciar com suas comidas favoritas. Você não consegue parar enquanto não terminar e ao mesmo tempo deseja que não acabe nunca. Como aquele doce irresistível, que você se lambuza todo, lambe os dedos e quer mais, a leitura flui. Por trás das experiências dos personagens, aprendemos sobre culinária e sentimentos, como se fossemos os próprios alunos de Lillian.

Confesso que ao encontrar o livro com o preço bem abaixo da média, imaginei que o mesmo não fosse tão bom. Surpreendi-me com a narrativa, como quem prova um prato que nunca viu ou tinha ouvido falar na vida, morrendo de medo de que seja ruim e se apaixona a ponto de recomendar para outras pessoas.

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