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Destaques

My Shy Boss: Série de drama sul-coreano tem protagonista com fobia social e segredos

My Shy Boss (Introverted Boss/Naesungjukin Boseu/내성적인 보스) é uma série de drama romântico sul-coreano sobre a relação entre um chefe de uma empresa de Relações Públicas e uma jovem atriz extrovertida tentando descobrir a verdade sobre um acontecimento do passado que envolveu sua irmã. Lançada em 2017, a série da tvN (canal de televisão da Coreia do Sul) está disponível na Netflix Brasil por tempo indeterminado. Para quem sente falta de ver personagens com dificuldades de comunicação e interação em seriados, My Shy Boss tem Eun Hwan-ki (Yeon Woo-Jin) , um protagonista que evita o máximo possível falar com os funcionários de sua empresa, de forma que gera estranhamento nos outros. Sempre com seu casaco preto de capuz, sua timidez chama a atenção de forma negativa por onde passa. Até se acostumar com o personagem principal, fica difícil compreender alguns dos seus comportamentos. Se é contraditório para os próprios funcionários, para a família dele e até mesmo para alguns clientes insat

Heróis gays? Livro analisa histórias infantis abordando a sexualidade

O livro O Príncipe, o mocinho ou herói podem ser gays: A análise do discurso de livros infantis abordando a sexualidade, escrito por Roberto Muniz Dias, publicado em 2013, em Porto Alegre (RS), pela Editora Escândalo, traz a análise bibliográfica de duas histórias infantis, mostrando as novas possibilidades de narrativas na sociedade pós-moderna e promovendo um debate sobre a sexualidade.

Roberto Muniz Dias analisou os livros: King and King, de Linda de Haan e Stern Nijland e And Tango makes three, de Justin Richardson e Peter Parnell. As duas obras abordam a sexualidade através de diferentes narrativas e gêneros, sendo o primeiro livro um conto de fadas pós-moderno e o segundo baseado em fatos reais.

Em King and King, por exemplo, segundo o autor, é contada a história de um príncipe precisa se casar por causa de sua mãe que questiona o porquê todos os outros príncipes terem se casado, enquanto o filho ainda continuava sozinho. Que jovem gay ou lésbica nunca precisou lidar com aquela pergunta: “E o namoradinho (a)”? No entanto, o jovem não se interessa por nenhuma das garotas e acaba se interessando pelo irmão de uma delas. Diferente dos contos de fadas, nos quais os personagens masculinos são viris e sempre se apaixonam pelas mocinhas indefesas, a narrativa traz uma desconstrução do modelo já conhecido há anos.

Já no livro And Tango makes three, um casal de pinguins machos de um zoológico fazem tudo juntos e convivem como se estivessem apaixonados. Após um funcionário perceber que eles estavam tentando chocar uma pedra, o homem colocou um ovo rejeitado por um casal de pinguins no local e de lá surgiu Tango. Mesmo se tratando de animais, a história pode ser facilmente comparada com a de um casal de humanos homossexuais, em que os dois homens ou duas mulheres não podem ter filhos, constituindo suas famílias através da adoção ou inseminação artificial.

Não li os dois livros utilizados como objetos de estudo no trabalho, mas fiquei com muita vontade de ler as obras. As polêmicas relacionadas aos dois livros, me lembrou de todo o preconceito em relação ao kit gay, com conteúdos relativos à diversidade sexual trabalhados em sala de aula, em algumas escolas do Brasil. Da mesma forma que deve ser um desafio produzir um conteúdo didático para professores e alunos, imagino o quanto deve ser complicado para um escritor abordar histórias com personagens gays, fugindo do padrão da heteronormatividade e machismo presente na literatura infantil, já que ainda existem pensamentos de ignorantes que acreditam na influência da sexualidade dos seus filhos.

O prefácio do livro foi escrito pelo Psicólogo e Professor da UFMS, Adailson Moreira, no qual o profissional ressalta a importância do trabalho de Roberto Muniz Dias na contribuição para a construção de um mundo mais humano e que respeita a diversidade. Segundo o psicólogo, a criança não possui preconceito e histórias infantis que abordam os temas analisados no livro podem ajudar a ensiná-las a respeitar as diferenças. Adailson ainda afirma que quando uma criança lê e aprende a lidar com esses temas, elas melhoram seus comportamentos, diferente do que alguns pais alegam. O comportamento repressivo e violento repetido pelas crianças é influenciado pela sua própria família.

Roberto explica no livro que o conto de fada com temática gay foi bastante polêmico nas escolas em que foi trabalhado, gerando uma repercussão entre os pais por causa do conteúdo. Esse feedback negativo das famílias e entre alguns educadores mostra o quanto a mentalidade das pessoas ainda está atrasada, mesmo em tempos pós-modernos.

Para quem gosta de estudar a literatura, educação e diversidade sexual, o livro é bem interessante. Com uma linguagem acessível e explicativa, a leitura da obra pode ser concluída em pouco tempo. Gostei bastante do livro já que a mesma aborda temas com os quais me identifico e aprender sobre o que gostamos e coisas novas nunca é demais. Fica a minha recomendação do livro para os educadores, acadêmicos e profissionais de Letras, Jornalismo, Psicologia, Pedagogia, entre outras áreas que estudem o comportamento dos seres humanos e sua relação com os livros.

Antes de ler o livro nunca tinha parado para pensar na literatura infantil como uma ferramenta para ajudar a diminuir com o preconceito, mesmo sabendo que desde a infância a personalidade está sendo formada. Mais do que ajudar na educação e contribuir com a formação de uma sociedade melhor, os escritores aprendem que é possível inventar narrativas tão divertidas e envolventes, sem ficarem presos nos moldes arcaicos. É bom observar que existem inúmeras possibilidades de se criar uma história e com tantas finalidades, ultrapassando o mero entretenimento.

Sobre o autor do livro – Roberto Muniz Dias é escritor, com formação em Letras e Direito. Além de O príncipe, o mocinho ou o herói podem ser gays, Roberto também lançou os romances Adeus a Aleto e Um Buquê Improvisado, além da coletânea Errorragia, publicados pela Editora Escândalo.

Para quem ficou interessado, o livro está disponível para compra no site da Editora Escândalo.

Comentários

  1. Gostei das dicas. Vou ler.
    Qualquer um pode ser gay sim. Temos muitos heróis gays e muitas vezes nem sabemos, Ser gay não é uma opção.

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    Respostas
    1. Eti, fico feliz que tenha gostado das dicas. Super recomendo a leitura do livro, independente do tema ser relacionado a sua área de atuação ou não.
      Obrigado pela visita, leitura e comentário.
      Abraço

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  2. Renato Russo, Cazuza, Cássia Eller e Fredie Mercury. Pra mim são heróis de verdade, e são gays.

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