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Destaques

Descansar é arte

Descansar é arte ele escuta alguém falando da importância das pausas para o aprendizado. É tentador estudar durante horas sem pausar, mas a verdade é que o cérebro precisa de um tempo para aprender. Muitas vezes, é preciso reaprender a aprender. E nem sempre o que funciona com os outros, necessariamente funciona com você. Somos todos diferentes. Assistir aula, ler textos, resolver questões. Cada um sabia o que era melhor para si.  Era nos intervalos entre os estudos quando poderia desfrutar da poesia. Tinha lido livros e livros de portas contemporâneos e reencontrado o amor pela poesia. Sem música. Sem estímulos. Precisava tirar um tempo só para si mesmo antes de encarar os estudos. Preparar o cérebro para o que estava por vir. Era, muitas vezes, na paz do silêncio que o cérebro poderia se preparar para o que estava por vir. Não abria mão da pausa, consciente de que era necessário para aprender melhor. Um tempo do dia dedicado a fazer nada e à gratidão.  *Ben Oliveira é escrit...

Preciso ler e escrever

Quanto mais eu leio, sinto como se não tivesse lido nada. Sinto que morrerei sem ter lido metade dos livros que gostaria, sem contar as novas obras criadas a todo instante e histórias que eu nem imaginava. Preciso ler e escrever, como preciso de ar, água e alimento para viver. O tempo passa e ainda me vejo diante de alguns livros como uma eterna criança aprendendo a ler, fascinado com os personagens, lugares, histórias, mensagens. Aprender nunca é suficiente. Desejava ter começado minhas leituras quando ainda era bebê, para não dizer antes de até mesmo existir, e ainda assim não teria tempo para sorvê-las. Queria me alimentar de livros, deixar suas palavras correrem pelo meu sangue, nutrirem o meu cérebro, alma e coração. Sinto-me mais vivo quando folheio uma publicação, iluminando os cantos obscuros da minha mente com o conhecimento. Às vezes, sinto como se a quantidade de luz nunca se equivalera à de sombra. Sou como um livro largado atrás de um armário. Minha capa está cheia de pó. Minhas páginas estão amareladas, sujas, intocáveis. Não sei quando alguém me tirará daqui. Queria viver sob o sol, iluminado, aquecido, vívido, mas a escuridão não me deixa ir. Sou o livro publicado, renegado pelo seu autor, jogado às traças, desesperado por um toque, alguém que me segure e diga que minhas linhas tortas também têm valor. Sou escritor, leitor e obra. Minhas nuances se misturam, se confundem, se iludem. Sou imortal, inerte e animal. Vivo esperando pela hora em que tudo faça sentido, como o leitor entretido que se coloca na pele do personagem, chorando aliviado por ter sobrevivido aos seus desafios, pronto para se levantar e lutar pela própria vida. Então, deito na minha cama e vejo minhas energias sendo sugadas para outro mundo, uma vida que não vivi. Estou cercado por livros. Eles me tem, me entendem e me ensinam, e eu pouco sei sobre eles. São tantos livros e pouco tempo para viver...

“Não seremos nós também um livro que Alguém lê? E não será nossa vida o tempo da Leitura?”, Ernesto Sabato, no seu livro O escritor e seus fantasmas.

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