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Destaques

Para Toda a Eternidade: Livro explora rituais funerários diversos

Entre a naturalidade e o espanto, o tradicional e o moderno, o ocidental e o oriental, Caitlin Doughty transmite ao leitor histórias de suas visitas a espaços e profissionais envolvidos com o universo mortuário. Uma das obras pedidas por quem já tinha lido Confissões do Crematório, o novo livro foi publicado no Brasil pela editora DarkSide Books, em junho de 2019, com tradução de Regiane Winarski e ilustrações de Landis Blair.


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“Eu passei a acreditar que os méritos de um costume relacionados à morte não são baseados em matemática [...] mas em emoções, numa crença na nobreza única da própria cultura da pessoa. Isso quer dizer que consideramos os rituais de morte selvagens apenas quando eles não são como os nossos” – Caitlin Doughty, Para Toda a Eternidade
Dá para ler tranquilamente Para Toda a Eternidade sem ter lido Confissões do Crematório, mas acredito que as duas leituras são complementares. Enquanto na p…

Preciso ler e escrever

Quanto mais eu leio, sinto como se não tivesse lido nada. Sinto que morrerei sem ter lido metade dos livros que gostaria, sem contar as novas obras criadas a todo instante e histórias que eu nem imaginava. Preciso ler e escrever, como preciso de ar, água e alimento para viver. O tempo passa e ainda me vejo diante de alguns livros como uma eterna criança aprendendo a ler, fascinado com os personagens, lugares, histórias, mensagens. Aprender nunca é suficiente. Desejava ter começado minhas leituras quando ainda era bebê, para não dizer antes de até mesmo existir, e ainda assim não teria tempo para sorvê-las. Queria me alimentar de livros, deixar suas palavras correrem pelo meu sangue, nutrirem o meu cérebro, alma e coração. Sinto-me mais vivo quando folheio uma publicação, iluminando os cantos obscuros da minha mente com o conhecimento. Às vezes, sinto como se a quantidade de luz nunca se equivalera à de sombra. Sou como um livro largado atrás de um armário. Minha capa está cheia de pó. Minhas páginas estão amareladas, sujas, intocáveis. Não sei quando alguém me tirará daqui. Queria viver sob o sol, iluminado, aquecido, vívido, mas a escuridão não me deixa ir. Sou o livro publicado, renegado pelo seu autor, jogado às traças, desesperado por um toque, alguém que me segure e diga que minhas linhas tortas também têm valor. Sou escritor, leitor e obra. Minhas nuances se misturam, se confundem, se iludem. Sou imortal, inerte e animal. Vivo esperando pela hora em que tudo faça sentido, como o leitor entretido que se coloca na pele do personagem, chorando aliviado por ter sobrevivido aos seus desafios, pronto para se levantar e lutar pela própria vida. Então, deito na minha cama e vejo minhas energias sendo sugadas para outro mundo, uma vida que não vivi. Estou cercado por livros. Eles me tem, me entendem e me ensinam, e eu pouco sei sobre eles. São tantos livros e pouco tempo para viver...

“Não seremos nós também um livro que Alguém lê? E não será nossa vida o tempo da Leitura?”, Ernesto Sabato, no seu livro O escritor e seus fantasmas.

Comentários

  1. Nós, enquanto estudantes de jornalismo, precisamos "ler e escrever, assim como precisamos de ar, água e alimento para viver". E, sem sombra de dúvidas, quanto mais a gente escreve, mais vontade surge de compartilharmos o que estamos sentindo, aprendendo ou, simplesmente, querendo expor através de algumas linhas.

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