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Destaques

MEC Livros: Aplicativo fora do ar?

Há alguns dias tenho visto reclamações no X/Twitter, comentários de leitores que não estão conseguindo usar o aplicativo da MEC Livros. Recomendo de forma temporária ou não, o uso do BibliOn – também uma biblioteca digital –, e do Kindle – aplicativo no qual você pode encontrar ebooks grátis disponibilizados pelos próprios autores. Até o momento consegui ler somente o livro Amoras na MEC Livros. Não consegui devolver o livro e ainda não passou o prazo mínimo de devolução. Espero que eles consertem isso logo, é claro, o aplicativo. Dá para imaginar a quantidade de pessoas tentando acessar o aplicativo ao mesmo tempo. Talvez não imaginaram o sucesso que um aplicativo de leitura faria. Enquanto o aplicativo da MEC Livros não volta a funcionar, permaneço fiel ao BibliOn – com raras exceções, nunca tive dor de cabeça. Como há um limite de empréstimos, é até bom ter mais de um aplicativo de biblioteca. Uma coisa é certa: a MEC Livros veio para transformar a vida de milhares de leitores brasi...

Preciso ler e escrever

Quanto mais eu leio, sinto como se não tivesse lido nada. Sinto que morrerei sem ter lido metade dos livros que gostaria, sem contar as novas obras criadas a todo instante e histórias que eu nem imaginava. Preciso ler e escrever, como preciso de ar, água e alimento para viver. O tempo passa e ainda me vejo diante de alguns livros como uma eterna criança aprendendo a ler, fascinado com os personagens, lugares, histórias, mensagens. Aprender nunca é suficiente. Desejava ter começado minhas leituras quando ainda era bebê, para não dizer antes de até mesmo existir, e ainda assim não teria tempo para sorvê-las. Queria me alimentar de livros, deixar suas palavras correrem pelo meu sangue, nutrirem o meu cérebro, alma e coração. Sinto-me mais vivo quando folheio uma publicação, iluminando os cantos obscuros da minha mente com o conhecimento. Às vezes, sinto como se a quantidade de luz nunca se equivalera à de sombra. Sou como um livro largado atrás de um armário. Minha capa está cheia de pó. Minhas páginas estão amareladas, sujas, intocáveis. Não sei quando alguém me tirará daqui. Queria viver sob o sol, iluminado, aquecido, vívido, mas a escuridão não me deixa ir. Sou o livro publicado, renegado pelo seu autor, jogado às traças, desesperado por um toque, alguém que me segure e diga que minhas linhas tortas também têm valor. Sou escritor, leitor e obra. Minhas nuances se misturam, se confundem, se iludem. Sou imortal, inerte e animal. Vivo esperando pela hora em que tudo faça sentido, como o leitor entretido que se coloca na pele do personagem, chorando aliviado por ter sobrevivido aos seus desafios, pronto para se levantar e lutar pela própria vida. Então, deito na minha cama e vejo minhas energias sendo sugadas para outro mundo, uma vida que não vivi. Estou cercado por livros. Eles me tem, me entendem e me ensinam, e eu pouco sei sobre eles. São tantos livros e pouco tempo para viver...

“Não seremos nós também um livro que Alguém lê? E não será nossa vida o tempo da Leitura?”, Ernesto Sabato, no seu livro O escritor e seus fantasmas.

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