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Destaques

Bem-vindo, outubro

 Outubro enfim chegou. Tem sido bom conferir como a previsão do tempo tem errado e não tem chovido. É um alívio poder voltar a tomar minha dose diária de sol. A verdade era que os dias de sol ajudavam a manter o humor estável. Desta vez, sentia-se levemente acelerado, mas com esperança de que tudo fosse voltar ao normal.  Escrevia como uma forma de ajudar a regular o humor. Escrevia para organizar os pensamentos. Escrevia para extravasar as emoções. Escrevia. Nos últimos tempos tinha pensado em como conseguira abrir mão do cigarro, mas também em como tinha dias em que sentia falta. Mas não, não ia voltar atrás.  Ia seguindo outubro, torcendo para que a previsão do tempo continuasse errando e pudesse desfrutar da dose de sol. De repente, percebia que estava cada vez mais distante de quem tinha sido há um ano. De repente, ser diferente não era algo tão ruim assim.  *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escrita Maldita , p ubli...

Preciso ler e escrever

Quanto mais eu leio, sinto como se não tivesse lido nada. Sinto que morrerei sem ter lido metade dos livros que gostaria, sem contar as novas obras criadas a todo instante e histórias que eu nem imaginava. Preciso ler e escrever, como preciso de ar, água e alimento para viver. O tempo passa e ainda me vejo diante de alguns livros como uma eterna criança aprendendo a ler, fascinado com os personagens, lugares, histórias, mensagens. Aprender nunca é suficiente. Desejava ter começado minhas leituras quando ainda era bebê, para não dizer antes de até mesmo existir, e ainda assim não teria tempo para sorvê-las. Queria me alimentar de livros, deixar suas palavras correrem pelo meu sangue, nutrirem o meu cérebro, alma e coração. Sinto-me mais vivo quando folheio uma publicação, iluminando os cantos obscuros da minha mente com o conhecimento. Às vezes, sinto como se a quantidade de luz nunca se equivalera à de sombra. Sou como um livro largado atrás de um armário. Minha capa está cheia de pó. Minhas páginas estão amareladas, sujas, intocáveis. Não sei quando alguém me tirará daqui. Queria viver sob o sol, iluminado, aquecido, vívido, mas a escuridão não me deixa ir. Sou o livro publicado, renegado pelo seu autor, jogado às traças, desesperado por um toque, alguém que me segure e diga que minhas linhas tortas também têm valor. Sou escritor, leitor e obra. Minhas nuances se misturam, se confundem, se iludem. Sou imortal, inerte e animal. Vivo esperando pela hora em que tudo faça sentido, como o leitor entretido que se coloca na pele do personagem, chorando aliviado por ter sobrevivido aos seus desafios, pronto para se levantar e lutar pela própria vida. Então, deito na minha cama e vejo minhas energias sendo sugadas para outro mundo, uma vida que não vivi. Estou cercado por livros. Eles me tem, me entendem e me ensinam, e eu pouco sei sobre eles. São tantos livros e pouco tempo para viver...

“Não seremos nós também um livro que Alguém lê? E não será nossa vida o tempo da Leitura?”, Ernesto Sabato, no seu livro O escritor e seus fantasmas.

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