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Destaques

STOP

Fazer uma pausa antes de reagir talvez seja algo tão subestimado. A verdade é que aprendi na DBT que existem várias formas de usar o mindfulness para ajudar a lidar com a desregulação emocional. Então, fico pensando em como seria o mundo se essas técnicas fossem ensinadas em colégios e universidades, se não ajudaria a saúde mental de uma forma coletiva. Determinados diagnósticos sofrem mais do que outros com a desregulação emocional. Sim, na teoria as coisas pareciam mais fáceis de resolver, mas era aprendendo as técnicas e colocando em prática que as coisas poderiam mudar. Era preciso experimentar, dar um salto de fé. No início era importante pausar, depois respirar de forma consciente. Logo em seguida, observar o que estava acontecendo sem julgamento e, por fim, prosseguir com a atividade de forma mais consciente e calma. Lendo assim, talvez você pense que seja simples e fácil. Ou talvez, você pense o contrário, como se fazer uma pausa consciente fosse algo impossível. Mas era precis...

Resenha: O Herói – Flávio Kothe

Escrito por Flávio R. Kothe, o livro O Herói foi lançado em 1987, pela Editora Ática e é integrante da série Princípios. O autor faz uma análise sobre o herói em diferentes obras literárias mostrando sua relação com a ideologia do escritor, da época em que a história foi escrita e do sistema dominante.

Com apenas 96 páginas, a obra traz informações interessantes para quem deseja aprender mais sobre o herói, figura arquetípica das narrativas que percorre uma jornada, enfrenta problemas e passa por diversas situações ao longo das histórias. Segundo o crítico literário, o herói pode ser visto através de diferentes ângulos e é influenciado pelo sistema dominante. As transformações de um período podem afetar positivamente ou negativamente a maneira que as histórias são criadas e contadas, cabendo ao leitor fazer uma leitura crítica para entender essas consequências e mecanismos usados pelos governos, podendo relacionar até mesmo com as obras proibidas durante épocas de censura e ditadura, onde os artistas são violentados.

Desde histórias da mitologia, bíblicas até os clássicos da literatura e obras modernas, Flávio Kothe ensina ao leitor como entender o que o escritor desejou ao criar o personagem desta maneira. Da mesma forma que a televisão e os outros meios de comunicação podem influenciar as pessoas, aliená-las, manipulá-las, o autor conta que a literatura também pode fazer isto, disseminando as ideologias dominantes de quem produziu.

Flávio Kothe argumenta, por exemplo, que as histórias clássicas eram feitas para a alta sociedade, nas quais os heróis eram pessoas com problemas relacionados à classe social e um dos conflitos era o de ficar pobre, já os personagens pobres, geralmente, são pícaros, malandros, picaretas, mostrando a forma dominante de pensar na época.

Aprendendo um pouco sobre essa relação entre arte e ideologia, o leitor consegue analisar algumas obras e seus personagens. Existem narrativas em que o autor concorda com o sistema dominante (direita) e as que ele tenta abordar os problemas e falhas da sociedade em que vive, mesmo que de forma implícita (esquerda).

Grande parte das produções literárias não vai contra a corrente do pensamento, principalmente dos autores best-sellers dos dias atuais que escrevem para entreter as pessoas. Nas narrativas triviais, mesmo sem ler, ouvir, assistir ou contar a história, sabe-se que o herói vencerá seus problemas e terá um final feliz.

Com estes “Princípios”, como o próprio nome da série aponta, os leitores aprendem o básico sobre o assunto abordado e cabe a ele procurar mais informações. O conhecimento transmitido serve como uma introdução, não podendo ser menosprezado, mas também sendo necessário reconhecer os seus limites, até mesmo pela quantidade de páginas do livro.  Com uma linguagem acessível, é possível saber como o percurso do herói, a qualidade literária e a narrativa servem como mecanismos de persuasão ideológica.

Entre os assuntos abordados no livro estão: heróis clássicos, o herói épico, anti-herói épico, arte e ideologia, o herói trágico, heróis bíblicos, narrativas triviais e artísticas, heróis altos, heróis baixos e heróis da modernidade.

Sobre o autor – Flávio Kothe é doutor e livre-docente em Letras, professor universitário, tradutor e crítico literário. Publicou entre outros títulos Benjamin & Adorno: confrontos, Literatura e sistemas intersemióticos, Hermetismo e hermenêutica, Pássaro de papel e Para ler Benjamin.

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