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Destaques

Quando a previsão do tempo erra

Quando a previsão do tempo erra podemos ficar felizes ou frustrados. Se gostamos de sol e não queremos chuva ou frio, é uma alegria quando a previsão do tempo erra. A verdade é que nem sempre a previsão do tempo acerta e está tudo bem. O mesmo vale sobre pessoas – há momentos em que podemos ficar felizes ou frustrados –, mas fazia parte da vida. Então, quer você estivesse torcendo por um dia de chuva ou desejando que o sol tomasse conta, é importante lembrar que nem sempre o que queremos, é o que o outro quer e está tudo bem. É até um exercício de empatia, de se colocar no lugar do outro e tentar entender, como duas pessoas poderiam querer coisas opostas. Havia aprendido que mais de uma coisa poderia ser verdade. Então, havia conseguido tomar sua dose diária de sol. Precisava, pois ajudava na sua regulação do humor. Mas também entendia quem se alegrava com a chuva e o frio. Mudávamos com o tempo e as previsões do tempo também mudavam. Ficamos felizes, frustados, mas dificilmente indife...

Resenha: O Herói – Flávio Kothe

Escrito por Flávio R. Kothe, o livro O Herói foi lançado em 1987, pela Editora Ática e é integrante da série Princípios. O autor faz uma análise sobre o herói em diferentes obras literárias mostrando sua relação com a ideologia do escritor, da época em que a história foi escrita e do sistema dominante.

Com apenas 96 páginas, a obra traz informações interessantes para quem deseja aprender mais sobre o herói, figura arquetípica das narrativas que percorre uma jornada, enfrenta problemas e passa por diversas situações ao longo das histórias. Segundo o crítico literário, o herói pode ser visto através de diferentes ângulos e é influenciado pelo sistema dominante. As transformações de um período podem afetar positivamente ou negativamente a maneira que as histórias são criadas e contadas, cabendo ao leitor fazer uma leitura crítica para entender essas consequências e mecanismos usados pelos governos, podendo relacionar até mesmo com as obras proibidas durante épocas de censura e ditadura, onde os artistas são violentados.

Desde histórias da mitologia, bíblicas até os clássicos da literatura e obras modernas, Flávio Kothe ensina ao leitor como entender o que o escritor desejou ao criar o personagem desta maneira. Da mesma forma que a televisão e os outros meios de comunicação podem influenciar as pessoas, aliená-las, manipulá-las, o autor conta que a literatura também pode fazer isto, disseminando as ideologias dominantes de quem produziu.

Flávio Kothe argumenta, por exemplo, que as histórias clássicas eram feitas para a alta sociedade, nas quais os heróis eram pessoas com problemas relacionados à classe social e um dos conflitos era o de ficar pobre, já os personagens pobres, geralmente, são pícaros, malandros, picaretas, mostrando a forma dominante de pensar na época.

Aprendendo um pouco sobre essa relação entre arte e ideologia, o leitor consegue analisar algumas obras e seus personagens. Existem narrativas em que o autor concorda com o sistema dominante (direita) e as que ele tenta abordar os problemas e falhas da sociedade em que vive, mesmo que de forma implícita (esquerda).

Grande parte das produções literárias não vai contra a corrente do pensamento, principalmente dos autores best-sellers dos dias atuais que escrevem para entreter as pessoas. Nas narrativas triviais, mesmo sem ler, ouvir, assistir ou contar a história, sabe-se que o herói vencerá seus problemas e terá um final feliz.

Com estes “Princípios”, como o próprio nome da série aponta, os leitores aprendem o básico sobre o assunto abordado e cabe a ele procurar mais informações. O conhecimento transmitido serve como uma introdução, não podendo ser menosprezado, mas também sendo necessário reconhecer os seus limites, até mesmo pela quantidade de páginas do livro.  Com uma linguagem acessível, é possível saber como o percurso do herói, a qualidade literária e a narrativa servem como mecanismos de persuasão ideológica.

Entre os assuntos abordados no livro estão: heróis clássicos, o herói épico, anti-herói épico, arte e ideologia, o herói trágico, heróis bíblicos, narrativas triviais e artísticas, heróis altos, heróis baixos e heróis da modernidade.

Sobre o autor – Flávio Kothe é doutor e livre-docente em Letras, professor universitário, tradutor e crítico literário. Publicou entre outros títulos Benjamin & Adorno: confrontos, Literatura e sistemas intersemióticos, Hermetismo e hermenêutica, Pássaro de papel e Para ler Benjamin.

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