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Destaques

Página riscada

Éramos uma página riscada. Todas palavras que poderíamos ser estavam rasuradas e não havia espaço suficiente para escrever novas palavras. Éramos o que não éramos.  Todo mundo tem uma história. Esta é a de quando começamos a nos afastar. Não estava acostumado e não queria se acostumar com a evitação, eu que intercalava momentos evitativo e ansioso. Não, se queria seguir sendo do jeito que era, cabia a mim aceitar ou deixar ir. A verdade é que era possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Fui me soltando de seus braços e abraços, lentamente que era para você não sentir, até dar um fim na versão que eu havia projetado de você e encarar as coisas como realmente eram.  Após um período de ciclos que chegaram ao fim, eu queria que você ficasse. Torcia para que as coisas fossem diferentes. Mas novamente esbarrada no fato de que não poderia forçar a permanência de ninguém. Então, foi deixando o silêncio aumentar com o passar dos dias. Depois de uma experiência anterior, prometera ...

Caixa de Pandora

Caixa de Pandora. Quase todos nós temos uma Caixa de Pandora, que uma vez aberta, é difícil de fechar. Como esconder as memórias que vêm à superfície de forma que elas não te machuquem? Às vezes tudo o que você precisa é de tempo, para que as coisas voltem ao seu lugar.

Se as coisas vêm à tona durante uma sessão de terapia, pelo menos você está em um espaço livre de julgamento. Às vezes, basta uma frase ou um gatilho para memórias indesejadas aparecerem e mesmo com o passar dos anos, é como viajar no tempo e reviver coisas que gostaria de ter esquecido.

Uma vez aberta a caixa, leva um tempo para que tudo vire memória de novo e volte para o subconsciente. Às vezes, mesmo contra nossa vontade, precisamos lembrar, para então esquecer de novo.

Por fora, tudo parece igual. Por dentro, tudo fica diferente durante um tempo, até que o passado volte a ser passado e você retorne ao momento presente. O subconsciente guarda seus mistérios e nunca se sabe quando algo do passado tentará retornar ao presente.

Guardava uma coleção de memórias traumáticas. Uma memória puxava a outra. E quando menos se dera conta, estava preso ao passado, ao qual era incapaz de mudar e só restava aceitar as coisas como elas eram, mesmo com suas imperfeições.

Era no presente que poderia voltar a respirar normalmente. Era somente ao desapegar do passado, que poderia descongelar o tempo que havia congelado. Era desagradável, triste e poderia deixá-lo ansioso, mas era assim que as coisas aconteciam sempre que a Caixa de Pandora era aberta, o caos por alguns instantes vinha à tona e era difícil esquecer, mas deixar para trás era tudo o que precisava no momento.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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