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Destaques

Trecho do segundo livro da série Os Bruxos de São Cipriano

Um trecho de um diálogo com Sylvanus:

“O poder pode ser inebriante, mas também pode ser ilusório, minha criança. Nunca se esqueça de que a verdade e o amor são tão poderosos quanto qualquer outra fonte de energia. Não fomos feitos para destruir. A natureza nos ensina a resistir, reinventar e recomeçar, mesmo quando as esperanças parecem perdidas”– Ben Oliveira, O Livro (Os Bruxos de São Cipriano vol. 2)

Confira a sinopse de O Livro:

2º livro da série de fantasia urbana com temática de bruxaria Os Bruxos de São Cipriano.
Uma vez iniciados no caminho da magia, a amizade fortalecida dentro do círculo se vê mais uma vez ameaçada diante dos segredos e do desconhecido. Assim como os laços de energia se transformaram e poderes ocultos se desenvolveram, Manu e os seus amigos aprenderam que na jornada da bruxaria há sempre algo novo e que existem tantos livros, conhecimentos e seres mágicos que podem fazê-los desejar um destino diferente.

Um livro maldito acaba atraindo a atenção das criaturas d…

Fragmentos de Mim

Há dias em que me sinto quebrado e preciso de um tempo sozinho para me recuperar. Sinto como se eu estivesse sendo puxado para diferentes direções, só restando fragmentos de mim.

Quando me sinto despedaçado, é como se eu estivesse fora de mim. Sabe quando dizem que é preciso fazer as coisas de corpo e alma? Sinto com a minha mente, o meu corpo e a minha alma estivessem em diferentes dimensões.

Com esta falta de equilíbrio, tudo parece pela metade. É preciso coragem para enfrentar meus demônios sozinho. Me isolo do mundo e tento me segurar nas paredes para não cair em um poço escuro, onde posso me afogar nos meus próprios pensamentos.

Se estou distante? Estou. Aliás, partes de mim estão longe, enquanto meu núcleo espera pacientemente os seus retornos. Tento manter a calma, respirar, fazer uma coisa de cada vez e deixar que os diferentes fragmentos se encaixem. Sou como um quebra-cabeça.

Esse excesso de informações e de mundos virtuais acabam com minha falha estrutura. Me falta resiliência para voltar ao normal depois de cada jornada para mundos desconhecidos. Porém, é como se a cada viagem, da mesma forma que eu leve um pedaço da aventura para casa e revivo aquela experiência, parte de mim também ficasse por esses lugares. A troca é obrigatória.

Nessa troca de pedaços, vou morrendo, adoecendo e adicionando novos fragmentos à minha própria história. Quem eu fui há um dia, já não é quem eu sou hoje.

Como um mutante, meus pedaços misturados aos fragmentos de outras pessoas, outras vivências, outras leituras, outras jornadas, me transformam a todo instante. Há quem prefira ser igual a vida toda e fuja da inevitável mudança. É impossível permanecer estático. Aceito meu destino com dor e glória. Cada pedaço deixado para trás dá lugar a um novo eu.

Os pensamentos se confundem, a cabeça dói, o corpo cansa e a alma sente. Basta uma noite de sono para tudo voltar ao seu respectivo lugar e quem sabe nos sonhos, eu me lembre o que perdi ou ganhei.

Apago as luzes, fecho os olhos e tento não pensar em nada. Escureço a memória, adormeço os pensamentos e esvazio a mente. É no outro dia em que eu vejo tudo se repetindo. Estou inteiro, corpo, mente e alma reunidos em um só lugar.

Quando me levanto, vejo fragmentos de mim na cama, uma mancha de quem eu costumava ser em todos os cantos do quarto, da vida, do mundo. Assopro meus livros e vejo mais pedaços de mim se espalhando pelo ar.

Começo uma nova leitura, escrevo um novo texto. Sou paradoxal, completo e incompleto, inteiro e fragmentado. Gosto de ser assim, de sempre viver, conhecer coisas novas, me transformar, morrer, renascer e distribuir por aí fragmentos de mim.

*Ben Oliveira, blogueiro e escritor

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