Pular para o conteúdo principal

Destaques

Uma escolha nada difícil

Então, chegou o grande dia das eleições. E só consigo lembrar de que a escolha não é nada difícil. Enquanto para alguns as eleições estão mais pacíficas este ano, há quem acha que terá conflitos. A verdade é que votar é também um exercício de se colocar no lugar do outro e, muitas vezes, ver não só o que é melhor para você, mas para o coletivo. Entre votar em alguém sem nenhuma experiência e alguém que já mostrou saber como lidar com as coisas, não resta dúvidas da melhor opção. Escrevia para lembrar que o que uma vez tinha feito tão mal, agora trazia paz. Escrevia para dizer que estava aceitando melhor as coisas. Escrevia.  *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escrita Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano:  O Círculo (Vol.1)  e  O Livro (Vol. 2) , disponíveis no  Wattpad  e na loja Kindle.

Fragmentos de Mim

Há dias em que me sinto quebrado e preciso de um tempo sozinho para me recuperar. Sinto como se eu estivesse sendo puxado para diferentes direções, só restando fragmentos de mim.

Quando me sinto despedaçado, é como se eu estivesse fora de mim. Sabe quando dizem que é preciso fazer as coisas de corpo e alma? Sinto com a minha mente, o meu corpo e a minha alma estivessem em diferentes dimensões.

Com esta falta de equilíbrio, tudo parece pela metade. É preciso coragem para enfrentar meus demônios sozinho. Me isolo do mundo e tento me segurar nas paredes para não cair em um poço escuro, onde posso me afogar nos meus próprios pensamentos.

Se estou distante? Estou. Aliás, partes de mim estão longe, enquanto meu núcleo espera pacientemente os seus retornos. Tento manter a calma, respirar, fazer uma coisa de cada vez e deixar que os diferentes fragmentos se encaixem. Sou como um quebra-cabeça.

Esse excesso de informações e de mundos virtuais acabam com minha falha estrutura. Me falta resiliência para voltar ao normal depois de cada jornada para mundos desconhecidos. Porém, é como se a cada viagem, da mesma forma que eu leve um pedaço da aventura para casa e revivo aquela experiência, parte de mim também ficasse por esses lugares. A troca é obrigatória.

Nessa troca de pedaços, vou morrendo, adoecendo e adicionando novos fragmentos à minha própria história. Quem eu fui há um dia, já não é quem eu sou hoje.

Como um mutante, meus pedaços misturados aos fragmentos de outras pessoas, outras vivências, outras leituras, outras jornadas, me transformam a todo instante. Há quem prefira ser igual a vida toda e fuja da inevitável mudança. É impossível permanecer estático. Aceito meu destino com dor e glória. Cada pedaço deixado para trás dá lugar a um novo eu.

Os pensamentos se confundem, a cabeça dói, o corpo cansa e a alma sente. Basta uma noite de sono para tudo voltar ao seu respectivo lugar e quem sabe nos sonhos, eu me lembre o que perdi ou ganhei.

Apago as luzes, fecho os olhos e tento não pensar em nada. Escureço a memória, adormeço os pensamentos e esvazio a mente. É no outro dia em que eu vejo tudo se repetindo. Estou inteiro, corpo, mente e alma reunidos em um só lugar.

Quando me levanto, vejo fragmentos de mim na cama, uma mancha de quem eu costumava ser em todos os cantos do quarto, da vida, do mundo. Assopro meus livros e vejo mais pedaços de mim se espalhando pelo ar.

Começo uma nova leitura, escrevo um novo texto. Sou paradoxal, completo e incompleto, inteiro e fragmentado. Gosto de ser assim, de sempre viver, conhecer coisas novas, me transformar, morrer, renascer e distribuir por aí fragmentos de mim.

*Ben Oliveira, blogueiro e escritor

Mais lidas da semana