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Destaques

I Missed You: Filme taiwanês de drama relaciona os bloqueios emocionais aos digitais

As redes sociais já se tornaram tão parte das nossas vidas que, muitas vezes, servem como um baú de memórias, o qual podemos abrir e fechar conforme nossas necessidades. No filme taiwanês I Missed You , de 2021, dirigido por Chih-Yen Hsu e Mag Hsu , a protagonista é confrontada a encarar os seus bloqueios emocionais e digitais, para descobrir a causa de sua infelicidade. Kuo Chinchin (Eve Ai) é uma programadora viciada em trabalho. Por trás de sua personalidade durona, o telespectador conhece um pouco do seu passado conforme ela decide desbloquear duas pessoas do seu Facebook – de forma paralela a quem está assistindo, a personagem vai mergulhando cada vez mais no seu interior e martelando as memórias, as emoções e as escolhas. Sem exageros dramáticos, o filme tem um toque intimista e promove uma boa reflexão sobre como a tecnologia se tornou uma ferramenta não só para conhecer novas pessoas, mas também para criar mais proximidade ou afastamento das conexões com o passado, servindo pa

Fragmentos de Mim

Há dias em que me sinto quebrado e preciso de um tempo sozinho para me recuperar. Sinto como se eu estivesse sendo puxado para diferentes direções, só restando fragmentos de mim.

Quando me sinto despedaçado, é como se eu estivesse fora de mim. Sabe quando dizem que é preciso fazer as coisas de corpo e alma? Sinto com a minha mente, o meu corpo e a minha alma estivessem em diferentes dimensões.

Com esta falta de equilíbrio, tudo parece pela metade. É preciso coragem para enfrentar meus demônios sozinho. Me isolo do mundo e tento me segurar nas paredes para não cair em um poço escuro, onde posso me afogar nos meus próprios pensamentos.

Se estou distante? Estou. Aliás, partes de mim estão longe, enquanto meu núcleo espera pacientemente os seus retornos. Tento manter a calma, respirar, fazer uma coisa de cada vez e deixar que os diferentes fragmentos se encaixem. Sou como um quebra-cabeça.

Esse excesso de informações e de mundos virtuais acabam com minha falha estrutura. Me falta resiliência para voltar ao normal depois de cada jornada para mundos desconhecidos. Porém, é como se a cada viagem, da mesma forma que eu leve um pedaço da aventura para casa e revivo aquela experiência, parte de mim também ficasse por esses lugares. A troca é obrigatória.

Nessa troca de pedaços, vou morrendo, adoecendo e adicionando novos fragmentos à minha própria história. Quem eu fui há um dia, já não é quem eu sou hoje.

Como um mutante, meus pedaços misturados aos fragmentos de outras pessoas, outras vivências, outras leituras, outras jornadas, me transformam a todo instante. Há quem prefira ser igual a vida toda e fuja da inevitável mudança. É impossível permanecer estático. Aceito meu destino com dor e glória. Cada pedaço deixado para trás dá lugar a um novo eu.

Os pensamentos se confundem, a cabeça dói, o corpo cansa e a alma sente. Basta uma noite de sono para tudo voltar ao seu respectivo lugar e quem sabe nos sonhos, eu me lembre o que perdi ou ganhei.

Apago as luzes, fecho os olhos e tento não pensar em nada. Escureço a memória, adormeço os pensamentos e esvazio a mente. É no outro dia em que eu vejo tudo se repetindo. Estou inteiro, corpo, mente e alma reunidos em um só lugar.

Quando me levanto, vejo fragmentos de mim na cama, uma mancha de quem eu costumava ser em todos os cantos do quarto, da vida, do mundo. Assopro meus livros e vejo mais pedaços de mim se espalhando pelo ar.

Começo uma nova leitura, escrevo um novo texto. Sou paradoxal, completo e incompleto, inteiro e fragmentado. Gosto de ser assim, de sempre viver, conhecer coisas novas, me transformar, morrer, renascer e distribuir por aí fragmentos de mim.

*Ben Oliveira, blogueiro e escritor

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