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Destaques

Limites

Estava aprendendo a cada dia mais a importância dos limites. Era ao usar as redes sociais quando via limites sendo ultrapassados o tempo todo e muitos comentários desrespeitosos, que levavam à importância de bloquear. Bloquear alguém no início poderia ser desconfortável, mas depois era libertador. Por que damos tanta importância para as opiniões dos outros? Por que abrimos a porta para que entrem e bagunçam nossas mentes? Não sabia porquê, mas havia um intervalo de tempo em que as coisas começavam a fazer sentido. “Eu não preciso passar por isso... Opiniões de estranhos não deveriam importar tanto assim”. Então, ia percebendo um padrão nesses comentários, mas preferia bloquear silenciosamente. A verdade era que nós ensinavámos aos outros como poderiam nos tratar. Escrevia como um lembrete e uma forma de autovalidação, de se confortar de que estava fazendo o certo. Escrevia para lembrar aos outros que seus limites também importavam. Escrevia.  *Ben Oliveira é escritor, formado em jo...

Resenha: Mathilda Savitch – Victor Lodato

Mathilda Savitch é o romance de estreia do dramaturgo e poeta Victor Lodato. O livro foi traduzido para o português por Vera Ribeiro e publicado no Brasil pela Editora Intrínseca, em 2012. A obra foi publicada em mais dez países.

Considerado o melhor livro de 2009 pelos The Christian Science Monitor, Booklist e The Globe and Mail, o romance conta a história de Mathilda, uma adolescente que perdeu a irmã Helene. Desde que Helene morreu numa estação de trem, embora todos digam que ela cometeu suicídio, Mathilda tem a fixação de descobrir quem foi que a empurrou.

Narrada em primeira pessoa, a narrativa o leitor pelos pensamentos confusos e geniais da garotinha que procura desesperadamente encontrar um culpado pelo ocorrido com Helene e chamar a atenção dos pais.

Após a morte de Helene, Mathilda sentiu como se os pais tivessem se transformado em zumbis. Na tentativa de despertá-los a menina prática várias loucuras e se perde no meio de suas mentiras e de sua imaginação.

Ao longo do livro o leitor percebe que o comportamento de Mathilda está relacionado à culpa que ela sente pelo suicídio da irmã e ao luto e depressão dos pais. Para fugir de sua realidade, Mathilda falta as aulas, cria brincadeiras sexuais com a melhor amiga Anna, se interessa pelo vizinho Kevin e desobedece os pais e outras autoridades.

Na busca enlouquecida para se livrar da culpa, Mathilda revira as coisas da irmã e se passa por ela para entrar em contato com o último homem com quem ela se envolveu antes de morrer. Ao chegar lá, Mathilda descobre mais do que gostaria e os motivos que poderiam ter levado Helene a se matar.

A narrativa é envolvente e a trama é inteligente. Mesmo sendo narrada por uma garotinha, é possível perceber algumas críticas, como como a sociedade norte-americana molda as personalidade das pessoas. As leituras de Mathilda, fazem com que a própria menina reflita sobre o assunto.

Entre a própria descoberta desta fase de transição tumultuada que é a adolescência e a busca pelos segredos de Helene, a protagonista-narradora Mathilda Savitch tira o leitor da inérgia, levando-o a acompanhar suas aventuras, inquietações e dramas comoventes e engraçados. No final, a sensação que se tem é a de que nem tudo o que parece realmente é e, às vezes, a pressão da sociedade e dos segredos pode levar uma pessoa a colocar ponto final em sua vida.

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