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Destaques

Quando a previsão do tempo erra

Quando a previsão do tempo erra podemos ficar felizes ou frustrados. Se gostamos de sol e não queremos chuva ou frio, é uma alegria quando a previsão do tempo erra. A verdade é que nem sempre a previsão do tempo acerta e está tudo bem. O mesmo vale sobre pessoas – há momentos em que podemos ficar felizes ou frustrados –, mas fazia parte da vida. Então, quer você estivesse torcendo por um dia de chuva ou desejando que o sol tomasse conta, é importante lembrar que nem sempre o que queremos, é o que o outro quer e está tudo bem. É até um exercício de empatia, de se colocar no lugar do outro e tentar entender, como duas pessoas poderiam querer coisas opostas. Havia aprendido que mais de uma coisa poderia ser verdade. Então, havia conseguido tomar sua dose diária de sol. Precisava, pois ajudava na sua regulação do humor. Mas também entendia quem se alegrava com a chuva e o frio. Mudávamos com o tempo e as previsões do tempo também mudavam. Ficamos felizes, frustados, mas dificilmente indife...

Resenha: Mathilda Savitch – Victor Lodato

Mathilda Savitch é o romance de estreia do dramaturgo e poeta Victor Lodato. O livro foi traduzido para o português por Vera Ribeiro e publicado no Brasil pela Editora Intrínseca, em 2012. A obra foi publicada em mais dez países.

Considerado o melhor livro de 2009 pelos The Christian Science Monitor, Booklist e The Globe and Mail, o romance conta a história de Mathilda, uma adolescente que perdeu a irmã Helene. Desde que Helene morreu numa estação de trem, embora todos digam que ela cometeu suicídio, Mathilda tem a fixação de descobrir quem foi que a empurrou.

Narrada em primeira pessoa, a narrativa o leitor pelos pensamentos confusos e geniais da garotinha que procura desesperadamente encontrar um culpado pelo ocorrido com Helene e chamar a atenção dos pais.

Após a morte de Helene, Mathilda sentiu como se os pais tivessem se transformado em zumbis. Na tentativa de despertá-los a menina prática várias loucuras e se perde no meio de suas mentiras e de sua imaginação.

Ao longo do livro o leitor percebe que o comportamento de Mathilda está relacionado à culpa que ela sente pelo suicídio da irmã e ao luto e depressão dos pais. Para fugir de sua realidade, Mathilda falta as aulas, cria brincadeiras sexuais com a melhor amiga Anna, se interessa pelo vizinho Kevin e desobedece os pais e outras autoridades.

Na busca enlouquecida para se livrar da culpa, Mathilda revira as coisas da irmã e se passa por ela para entrar em contato com o último homem com quem ela se envolveu antes de morrer. Ao chegar lá, Mathilda descobre mais do que gostaria e os motivos que poderiam ter levado Helene a se matar.

A narrativa é envolvente e a trama é inteligente. Mesmo sendo narrada por uma garotinha, é possível perceber algumas críticas, como como a sociedade norte-americana molda as personalidade das pessoas. As leituras de Mathilda, fazem com que a própria menina reflita sobre o assunto.

Entre a própria descoberta desta fase de transição tumultuada que é a adolescência e a busca pelos segredos de Helene, a protagonista-narradora Mathilda Savitch tira o leitor da inérgia, levando-o a acompanhar suas aventuras, inquietações e dramas comoventes e engraçados. No final, a sensação que se tem é a de que nem tudo o que parece realmente é e, às vezes, a pressão da sociedade e dos segredos pode levar uma pessoa a colocar ponto final em sua vida.

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