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Destaques

A terceira semana sem fumar cigarro

Como era difícil criar hábitos positivos. Havia acabado de passar da terceira semana sem fumar cigarro e ainda sentia certo desconforto. Seja para bem ou para mal, descobrira que mesmo após anos, algumas pessoas continuavam lutando contra a vontade de fumar, ou seja, era muito mais difícil do que parecia. Na tentativa de substituir comportamentos negativos por mais saudáveis, se via diante da necessidade de se desapegar um pouco da nostalgia e voltar a se focar mais no momento presente. Havia tomado mais do que o suficiente sua dose de nostalgia e agora estava preparado para continuar seguindo em frente. Era chocante o quanto o cigarro havia segurado comportamentos e ao abandoná-lo, comportamentos que antes estavam sob controle, agora pareciam soltos. Precisava de um detox das redes sociais, como quem sabia que fumar fazia mal. Precisava voltar a focar em si mesmo, deixando o passado de uma vez por todas para trás. Era no momento presente que ia celebrando as pequenas conquistas. Para ...

Resenha: Mathilda Savitch – Victor Lodato

Mathilda Savitch é o romance de estreia do dramaturgo e poeta Victor Lodato. O livro foi traduzido para o português por Vera Ribeiro e publicado no Brasil pela Editora Intrínseca, em 2012. A obra foi publicada em mais dez países.

Considerado o melhor livro de 2009 pelos The Christian Science Monitor, Booklist e The Globe and Mail, o romance conta a história de Mathilda, uma adolescente que perdeu a irmã Helene. Desde que Helene morreu numa estação de trem, embora todos digam que ela cometeu suicídio, Mathilda tem a fixação de descobrir quem foi que a empurrou.

Narrada em primeira pessoa, a narrativa o leitor pelos pensamentos confusos e geniais da garotinha que procura desesperadamente encontrar um culpado pelo ocorrido com Helene e chamar a atenção dos pais.

Após a morte de Helene, Mathilda sentiu como se os pais tivessem se transformado em zumbis. Na tentativa de despertá-los a menina prática várias loucuras e se perde no meio de suas mentiras e de sua imaginação.

Ao longo do livro o leitor percebe que o comportamento de Mathilda está relacionado à culpa que ela sente pelo suicídio da irmã e ao luto e depressão dos pais. Para fugir de sua realidade, Mathilda falta as aulas, cria brincadeiras sexuais com a melhor amiga Anna, se interessa pelo vizinho Kevin e desobedece os pais e outras autoridades.

Na busca enlouquecida para se livrar da culpa, Mathilda revira as coisas da irmã e se passa por ela para entrar em contato com o último homem com quem ela se envolveu antes de morrer. Ao chegar lá, Mathilda descobre mais do que gostaria e os motivos que poderiam ter levado Helene a se matar.

A narrativa é envolvente e a trama é inteligente. Mesmo sendo narrada por uma garotinha, é possível perceber algumas críticas, como como a sociedade norte-americana molda as personalidade das pessoas. As leituras de Mathilda, fazem com que a própria menina reflita sobre o assunto.

Entre a própria descoberta desta fase de transição tumultuada que é a adolescência e a busca pelos segredos de Helene, a protagonista-narradora Mathilda Savitch tira o leitor da inérgia, levando-o a acompanhar suas aventuras, inquietações e dramas comoventes e engraçados. No final, a sensação que se tem é a de que nem tudo o que parece realmente é e, às vezes, a pressão da sociedade e dos segredos pode levar uma pessoa a colocar ponto final em sua vida.

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