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Destaques

Nostalgia da nostalgia

Dias de nostalgia da nostalgia, em que parecia sentir falta de algo ou alguém. Dias em que sabia que era delicioso se perder na sensação de que o passado proporcionava, mas que sabia a importância de voltar a atenção para o presente. Então, os dias continuavam seguindo, mesmo quando uma parte nossa insistia na nostalgia. Nostalgia boa era coisa temporária, mais do que isso poderia se tornar tóxica. A verdade era que escrevia para dar sentido às coisas. A verdade era que tinha uma relação dupla com a nostalgia; em alguns instantes, adorava, em outros, achava que era o pior que poderia acontecer. Escrevia, então, na esperança de continuar mantendo a nostalgia sob controle, aceitando que o passado não voltaria e estava tudo bem ressignificar as coisas. Ao dar um novo sentido, a nostalgia também se transformava. E, então, quem sabe poderia se manter em um nível mais saudável e menos tóxico. Se apegar à nostalgia, mas sentir os pés firmes no presente.  *Ben Oliveira é escritor, formado ...

Reconectar-se

Viajar. Uma maneira de se desconectar do seu dia-a-dia, porém nem todos conseguem desapegar como deveriam. O processo de relaxar começa antes mesmo de a viagem iniciar. Sua mente precisa se transformar. O celular e a internet já não precisam mais ser prioridades em sua vida.

Desligo o aparelho. Por mais que a minha vontade de compartilhar com os amigos o que está acontecendo, há alguém com quem eu preciso conversar e reconectar, eu mesmo. Após completar 24 anos, é como se eu estivesse passando por uma crise. Aliás, me recordo de sempre estar enfrentando essas turbulências. Dizem que os problemas e a busca pela própria identidade começam na adolescência, mas desde novo, tenho enfrentado o meu pior inimigo, eu mesmo. Sou o meu herói e o meu vilão.

Dentro do avião, fecho os olhos e tento adormecer. Respiro com calma, escureço a minha mente e tento renovar as minhas energias. Bom mesmo seria se toda viagem realmente fosse relaxante, mas é preciso aceitar as reviravoltas. Talvez tudo isto é o que torna uma viagem transformadora. Precisamos aprender a lidar com o outro. A convivência nem sempre é agradável. Nos primeiros momentos reina a paz e o sentimento em comum de todos fazerem parte daquela aventura. Cada um com seu propósito, sua bagagem, sua vivência, suas maneiras de pensar. Não dá para esperar que todos se comportem de forma parecida.

Ah, o mar... Pensar na praia, nas ondas e em tudo o que simboliza estar lá me faz relaxar e aliviar as minhas tensões. Catarse. Preciso retirar os pesos das minhas costas e deixar os sentimentos fluírem. Ano que vem tudo irá mudar novamente. Aliás, não estamos mudando a cada minuto? Estou cada vez mais perto de quem eu gostaria de ser ou visto uma máscara e interpreto o que a sociedade espera de mim?

Quero publicar os meus textos e firmar os meus pés na escrita. Não é o que todos dizem, que quando fazemos algo que gostamos transformamos o nosso trabalho em diversão? Notei que meus textos têm abordado transformações e mudanças. Inevitável lutar contra o tempo. Toda troca é válida. Todavia, também é preciso saber quando, como e com quem ficar. Estar sempre à procura de algo melhor pode significar fuga.

Todos nós queremos alguém por perto, porém sempre que temos uma oportunidade fugimos. Não seria hipocrisia esperar dos outros o que não fazemos? Pedir por algo que não temos para oferecer? Preciso fortalecer o meu núcleo, ser como a areia que é arrastada pelo mar, aquecida pelo sol, carregada pelos pés e ainda assim continua intacta.

Desligar-se do passado, do presente e do futuro. Simplesmente viver o momento. Não se preocupar com o que os outros pensam ou não. Estar lá de corpo e alma, sem se desfragmentar pelas redes da internet. Sei que não serei forte o suficiente para não compartilhar uma foto pelo menos, mas gostaria de parar de me sobrecarregar com essas funções desnecessárias que criamos para preencher o vazio.

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