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A História do Autismo: 10 Motivos para ler o livro Outra Sintonia

Dizem que quem não conhece o próprio passado está fadado a repeti-lo. No mundo do autismo isso fica muito claro, especialmente quando questões que já foram discutidas em outros países chegam atrasadas ao Brasil. Para quem quer entender um pouco sobre todas transformações sociais do mundo do autismo, recomendo o livro Outra Sintonia: A História do Autismo, dos jornalistas John Donvan e Caren Zucker, publicado no Brasil pela Editora Companhia das Letras, em 2017, com tradução de Luiz A. de Araújo.



Compre o livro Outra Sintonia: A História do Autismo: https://amzn.to/2lMNRTJ

Desde sua origem, o autismo passou por uma série de problemas, desde suas definições e percepções dos profissionais envolvidos com a pesquisa e a atuação clínica, passando pelas descobertas e tratamentos, pelas questões políticas e diferentes perspectivas e mais recentemente, pelas polarizações.

A história do autismo é toda construída em cima de luta, de desejos e de crenças, que afetaram positivamente e negativamente…

Resenha: Condicional – Paulo Sérgio Moraes

Condicional, romance escrito por Paulo Sérgio Moraes e publicado no Brasil em 2013, de forma independente, é um desses livros com uma narrativa tão gostosa e envolvente que fica difícil defini-lo em gêneros. A obra com temática LGBT está repleta de drama e ação, só não tem muito romance – para quem é fã de livros gays com personagens melosos e amores fantasiosos. Quem sabe num futuro livro sobre o personagem Vitor?

A narrativa se inicia em São Paulo, no ano de 1997, no qual o leitor é apresentado ao protagonista e narrador Lucas, um anti-herói. Narrada em primeira pessoa, sob o ponto de vista e emoções de Lucas, Condicional impressiona justamente pelo personagem fugir do clichê de mocinho gay, sempre disposto a ajudar a todos e a encontrar o amor perfeito. Cada trecho do livro mistura o protagonista contando sua própria história, aos diálogos oblíquos e instigantes, seus pensamentos distorcidos, sentimentos ácidos e o egocentrismo, de alguém que é capaz de estragar a vida de todos ao seu redor, desde que esteja feliz.

No ano em que a história começa, Lucas está se formando em Administração. Depois da festa, na qual o personagem não parece dar a mínima para aquela bobagem e tudo o que tem em mente é a própria diversão, Lucas se encontra com seus amigos Thais e Vitor (acompanhado do namorado Cássio). O pontapé de Condicional é este, amigos bebendo, tomando ecstasy e se divertindo.

Ao desenrolar da narrativa, Lucas revela cada vez mais sua podridão de caráter, o que o torna um ótimo protagonista para se acompanhar, graças à impulsividade e às atitudes autodestrutivas. O problema se dá quando Lucas se comporta como uma bomba-relógio, prestes a explodir a qualquer minuto e levando para o ar todos os seus relacionamentos.

Com o risco de revelar informações demais com este texto e tornar a leitura maçante (se é que é possível), pretendo não contar os segredos e o desenvolvimento da trama, mas uma coisa eu posso garantir, a história realmente é imprevisível, emocionante e surpreendente, como sugere o seu texto da contracapa. Quando se trata de um personagem egoísta e cético, tudo pode acontecer.

Condicional traz sim momentos românticos, pelo menos não no sentido tradicional, mas da maneira que Lucas se interessa. Da mesma forma que a noite de formatura do personagem principal não acabou do jeito que ele esperava, outro personagem também não teve a noite dos seus sonhos, Jota. Morador da periferia, em busca de ganhar dinheiro fácil, o rapaz cruza o caminho de Lucas, mudando suas vidas e as dos amigos para sempre.

“Condicional retrata uma turbulenta relação que surgiu à sombra de desejo, descobertas, medo e crime. Momento em que o amor deixou de ser um sentimento e virou uma condenação”, com esse trecho da sinopse do livro, o autor define exatamente a essência da narrativa.

Fica difícil ao leitor simpatizar com o protagonista, pois o público está acostumado a se identificar com heróis. Durante a leitura de Condicional cria-se uma relação de desejar acompanhar a vida, os conflitos dramáticos e as besteiras do protagonista, da primeira até a última página do livro, ao mesmo tempo em que não é possível derrubar uma lágrima por ele, tamanha a sua cara-de-pau, frieza e estranhamento. Ao mesmo tempo em que o narrador descreve sua história de amor e ódio, mal ele se dá conta – ou talvez não se importe com o que os outros pensam – que ele foi condenado pelas suas atitudes e que os leitores gostam de suas aventuras por curiosidade e esperança de que Lucas possa melhorar, não de que ele possa comover nem mesmo a própria consciência.

Se Lucas não é digno de pena e Jota com suas escolhas erradas também não toca ao leitor com o seu mundo de drogas e criminalidade, os amigos – favoritos efeitos colaterais das falhas de caráter do protagonista – sabem de que tudo há limites. Thais mesmo sendo divertida e independente tem uma personalidade parecida com a de Lucas, mas não chega a ser tão destrutiva quanto ele. Já Vitor é o típico personagem retratado em narrativas com temática gay, mas geralmente no papel de protagonista – o romântico utópico e bonzinho que mesmo quando faz algo errado, é perdoado pela sua inocência e docilidade.

É engraçado como os ideais distorcidos de Lucas e o seu envolvimento com Jota não surpreendem tanto quanto poderia, quando na vida é fácil encontrar pessoas que fazem de tudo para suprirem suas carências emotivas e preencherem seus vazios com mais vazios, tudo em nome de um amor. Amor que nem sempre é amoroso e saudável, mas marcado pela paixão burra, cega, surda e muda. Quando a atração sexual e instintos ganham vida própria e a cabeça se torna um mero ornamento. Até que a pessoa se toque que, na verdade, vive uma ilusão, arquitetada pelas suas próprias expectativas, desejos e fantasias, ela está condenada à infelicidade e nem mesmo sabe disso. E como muitos condenados, a pessoa corre o risco de repetir os mesmos erros de novo e de novo, até perceber que não foi vítima, mas o único culpado por estragar com a própria vida, em troca de sentimentos baratos.

Condicional é o primeiro romance do escritor Paulo Sérgio Moraes. Uma estreia marcada por acertos! É possível perceber como sua experiência com teatro e cinema o ajudaram a tornar a narrativa mais interessante, notando o cuidado com a escrita e com a experiência de quem está lendo, como se nenhuma palavra estivesse fora do lugar e não houvesse nada em excesso e nem em falta, dosada na medida certa. Paulo Sérgio Moraes prova que independente da obra e personagens serem gays, nada impede que a literatura seja de qualidade e possa impressionar qualquer pessoa, independente de sua orientação sexual, visto que diante de questões universais e pontos que deixam a história irresistível, um homem gostar de outro homem torna-se mero detalhe. Tão encantador quanto o adorado e aclamado O Terceiro Travesseiro, do escritor Nelson Luiz de Carvalho, a narrativa repleta de conflitos dramáticos e cenas de ação tem muito potencial para ser adaptada ao cinema e teatro.


Sobre o autor – Paulo Sérgio Moraes é natural de Juiz de Fora e reside atualmente na cidade de São Paulo. É formado em Cinema e tem 15 anos de experiência em teatro, no qual foi autor das peças “Era uma vez uma farsa”, em cartaz por dois anos em Minas Gerais e do musical “Marina e o Anjo”, além de outras produções para as Cias D’amantes, Criarte e uZina de anjos. Também escreveu e produziu diversos roteiros para produções audiovisuais.

Condicional pode ser comprado pelo site do escritor Paulo Sérgio Moraes. Para mais informações, confira a página no Facebook de Condicional.

*Texto: Ben Oliveira

Comentários

  1. ótimo livro. Fiquei presa na leitura do começo ao fim, me surpreendi com o final... Parabéns Paulo e que este seja o primeiro de muitos outros!!!

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    Respostas
    1. Gianna, também não quis soltar o livro até terminá-lo. A narrativa é fantástica! Abraços e obrigado pelo comentário!

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    2. Assim que conseguir pegar meu livro de volta ( que está rodando com a familia) eu vou ler de novo!!! rs

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    3. Emprestar livros é ótimo, o problema é quando sentimos essa vontade de reler!
      Aproveite a releitura. Em breve rola uma entrevista com o autor aqui no blog!
      Abraços

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