quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Filme: A Sociedade dos Poetas Mortos

Esta semana assisti ao filme A Sociedade dos Poetas Mortos (Dead Poets Society). Aliás, durante minha adolescência devo ter assistido – tenho alguns flashes de algum professor de literatura recomendando –, mas de lá para cá muitos anos já se passaram, e independente de já ter visto antes ou não, a experiência de ver agora foi ótima, principalmente pelo meu envolvimento com as palavras. O filme norte-americano de drama foi lançado em 1989, dirigido por Peter Weir e escrito por Tom Schulman.


Para quem nunca viu A Sociedade dos Poetas Mortos. A história se passa numa escola preparatória para jovens, na qual um professor chamado John Keating (interpretado pelo ator que morreu recentemente Robin Williams) tenta ensinar os seus alunos a pensarem por conta própria, a aproveitarem bem suas vidas e sentirem intensamente as coisas para aprenderem o verdadeiro significado da poesia.

Os alunos, então, descobrem que o professor havia participado da Sociedade dos Poetas Mortos quando estudava, e por sugestão de Neil Perry (Robert Sean Leonard, ultimamente conhecido pelo seu papel de Dr. Wilson, na série House M. D.) decidem se reunir para lerem poemas, se divertirem e conversarem.

O que era para deixá-los mais livres e felizes, porém causa uma tragédia, quando o jovem Neil que gostaria de ser ator, mas os pais gostariam que ele estudasse medicina, acaba se matando por não aguentar a repressão familiar. Isto é, várias coisas acontecem no filme, mas esse é um resumo de A Sociedade dos Poetas Mortos. Então, o diretor da escola descobre que os alunos se inspiraram na ideia do professor John Keating e o demite.


Algumas considerações sobre o filme. Apesar de ter sido lançado há 25 anos, o enredo permanece atual: As escolas já não são tão tradicionais e as famílias não são tão repressivas (em sua maioria, pelo menos), porém mesmo em tempos em que supostamente temos mais liberdade, os jovens e as pessoas, de maneira geral, ainda estão presos num sistema, incapazes de desenvolverem suas próprias opiniões e pensamentos, fadados a repetirem tudo o que lhes são transmitidos.

Também é possível analisar o método de ensino do professor. No filme, mais do que uma forma de atrair a atenção dos estudantes e fazê-los se interessarem pelo conteúdo transmitido em sala de aula, John Keating tenta ensiná-los a buscarem o conhecimento por conta própria, a escreverem os seus próprios poemas e a sentirem suas essências. Quando vejo filmes como A Sociedade dos Poetas Mortos ou até mesmo Escritores da Liberdade, fico me perguntando por que não tive professores de literatura assim. Durante o ensino médio todo o conteúdo era direcionado para os livros que cairiam no vestibular, leituras que nem sempre eram agradáveis naquela fase da vida, principalmente com uma bagagem literária em fase de desenvolvimento. Aliás, meu desapego era grande pela área de humanas, sempre priorizei a área de biologia e química, o que me levou a estudar Nutrição, trancar a graduação e anos depois me formar em Jornalismo e, para a surpresa do leitor ou não, me tornar escritor.

Enxergar as coisas de maneira diferente é um dos conselhos do professor do filme. Mais uma ação que me fez falta durante o meu ensino. Lembro-me que costumava achar as aulas de redação torturantes e preferia qualquer coisa a ter que escrever aqueles textos chatos, maçantes. Minha professora de redação sempre criticava os meus textos – sempre fui péssimo a seguir regras, ou melhor, a decorá-las. Ela dizia quantas linhas deveriam ter cada parágrafo, só nos faltava fazer contar as palavras. Todo esse lance de decorar como fazer uma redação para o vestibular, ao invés de aprender intuitivamente a se expressar de forma livre, me fez me afastar cada vez mais da literatura, somando às recomendações chatas de leituras, livros com os quais eu não tinha a mínima identificação e eu era, literalmente, obrigado a ler.

Hoje sou grato por ter deixado para lá essas marcas da minha adolescência. Já perdi a conta de quantos textos já escrevi, sejam informativos ou opinativos para o blog, para os jornais universitários ou estágios por onde passei ou textos literários, como contos e romances. Só não tenho muita afinidade com a poesia, mas quem sabe um dia, não é mesmo? Nunca é tarde para arriscar, nem que eu escreva só para mim.


É difícil não se identificar com o filme, pois apesar de ser classe média, durante a minha vida estudei em colégios caros e nunca me encaixei. Vi um pouco de mim no personagem tímido Todd Anderson (interpretado por Ethan Hawke que já fez o papel de vários escritores). É bacana ver que mesmo se sentindo inseguro e incapaz de se comunicar, o professor o ensinou a sair da própria zona de conforto e a enfrentar seus medos, resistência que demorei um pouco para obter. Sejamos sinceros, dificilmente os professores do mundo real são tão idealistas e apaixonantes como os dos filmes, embora ainda existam pessoas que desempenham suas profissões com o amor pelo ensino.

Carpe Diem. Lembro-me de um professor de filosofia dizendo isso. Difícil é aproveitar o dia, ou melhor, a vida, quando estamos presos neste sistema que valoriza o excesso de trabalho (nem sempre bem remunerado) e tudo parece girar ao redor do dinheiro. Desde os nossos primeiros suspiros já estamos nos endividando e nem sabemos, até o instante em que ficamos doentes (e precisamos pagar as contas dos hospitais) e morremos (temos que pagar até para sermos enterrados).

Ainda nesta questão de saber aproveitar, vemos a história do filme se repetindo: os pais dos alunos queriam (ou os obrigavam) a estudarem cursos que o dariam dinheiro e reconhecimento, como medicina, engenharia, direito (não tão diferente dos dias atuais, não é?). Dificilmente vemos as pessoas valorizando as artes. Ser escritor no Brasil, por exemplo, é quase uma utopia, na qual se dedicar somente à escrita não é uma dádiva de todos e o tempo dedicado para escrever os livros se torna mais uma jornada de trabalho, embora na visão dos outros pareça simplesmente um hobby.

Enfim, o meu conselho para quem ainda não assistiu A Sociedade dos Poetas Mortos é assista. Não deixe o nome do filme intimidá-lo ou fazê-lo pensar que é chato. A mesma surpresa acontece com alguns livros clássicos, nos quais você imagina que será uma chatice ler, para descobrir que nunca tinha lido algo tão único antes, transformando a sua maneira de pensar e enxergar a vida. Por um mundo com mais poetas mortos, mais pessoas que entendam o que estão abrindo mão diariamente e escolham sentir a vida, ao invés de morrerem arrependidos.


O final de A Sociedade dos Poetas Mortos proporciona uma bela catarse. O menino da voz silenciada aprende a gritar e botar para fora tudo o que o está incomodando. Mesmo o professor tendo sido demitido, os jovens demonstram respeito e admiração por ele, subindo na mesa e o chamando de “Capitão, meu capitão”. Mais do que uma maneira de encher o homem de orgulho, aquela atitude simboliza a subversão do sistema, os jovens pensadores e libertários acima do professor tradicional e incapaz de compreender a necessidade das mudanças.

Minhas frases e citações favoritas do filme A Sociedade dos Poetas Mortos:
"Não importa o que dizem a você, palavras e ideias podem mudar o mundo"
"Existe um tempo para ousadia e um tempo para cautela, e o homem sábio sabe o momento de cada um deles".
Garotos, vocês devem se esforçar para encontrar suas próprias vozes. Porque quanto mais vocês esperarem para começar, menos provável que vocês possam encontrá-la. Thoreau disse: "A maioria dos homens leva uma vida de desespero silencioso". Não se rebaixem a isso. Saiam!"
"Carpe diem. Aproveitem o dia, garotos. Façam suas vidas serem extraordinárias."
"Não lemos e escrevemos poesia porque é bonitinho. Lemos e escrevemos poesia porque somos membros da raça humana e a raça humana está repleta de paixão. E medicina, advocacia, administração e engenharia, são objetivos nobres e necessários para manter-se vivo. Mas a poesia, beleza, romance, amor… é para isso que vivemos".
Assista ao trailer de A Sociedade dos Poetas Mortos:


4 comentários:

  1. Maravilhoso Ben :)
    Já ouvi falar muito dele mas ainda não assisti e preciso ne? !!
    Voce faz resenhas maravilhosas...

    www.chadecalmila.com

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    Respostas
    1. Olá, Camila!
      Fico feliz que goste das resenhas publicadas aqui no blog.
      Assista! Tenho certeza de que você vai gostar e se emocionar. A princípio o nome do filme pode remeter a algo entediante... No entanto, é um daqueles filmes que marcam a sua vida.

      Beijos e volte sempre!

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  2. VI MUITAS VEZES e tem sempre um ângulo diferente em nossas fases de vida. Gosto também do filme CÓDIGO DE HONRA que tem similaridade com este filme, por se passar num ambiente estudantil. Já viste? É o de 1992, não confundir com outro lançado em 2011.:

    Nos anos 50, David Greene (Brendan Fraser) é um garoto judeu de família simples que consegue entrar numa escola particular de prestígio. Apesar de não ser rico, é aceito pelos colegas graças a sua simpatia e ganha popularidade com seu desempenho no time de futebol. Mas quando descobrem que ele é judeu, tudo muda: os novos amigos e a namorada se afastam e um forte antisemitismo se faz presente. E a história engrossa mais quando um professor encontra o papel de uma cola durante uma prova. David sabe de quem é a cola, mas os outros alunos cogitam jogar a culpa em seus ombros.
    O filme conta com vários rostos que começavam a ganhar espaço em Hollywood, como Brendan Fraser, Chris O'Donnell e Matt Damon.



    ESTEVAM VON CLAUS

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    Respostas
    1. Olá, Estevam!

      Muito obrigado pela visita e comentário! Não me recordo de já ter visto este filme. Vou anotar aqui, para assistir assim que der tempo.

      Abraços!

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Obrigado pelo comentário. Volte sempre!

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