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Destaques

Fissura

Quase completando 1 ano e 2 meses sem fumar cigarro, não poderia deixar de falar dela: fissura. Às vezes, ela aparece quando menos se espera e o tempo por mais curto que seja, parece durar uma eternidade. O que fazer, então, para lidar com a fissura de fumar cigarro? Não acredito que existam respostas fáceis, mas o ideal é resistir, pois basta um cigarro para, muitas vezes, você acabar voltando a fumar. É mais fácil resistir à tentação do que lidar com as consequências. É preciso lembrar que esse tempo vai passar e tentar pensar em hábitos saudáveis, formas de ocupar a mente. Quando você menos espera, a fissura já passou. Enquanto ainda não existe uma vacina contra o cigarro, lidar com o vício em nicotina exige disciplina e força de vontade. É ao resistir dia após dia que o organismo vai se recuperando e se desintoxicando, e, muitas vezes, parando de sentir falta da substância, mas nem sempre completamente. A fissura, muitas vezes, surge do pensamento de como antigamente você usaria o ...

Resenha: Pingente de Sangue – Leonardo Ottonelli

Pingente de Sangue é o livro de estreia do autor Leonardo Ottonelli, com 108 páginas, publicado pela Cultura em Letras Edições. A novela narra a história de um jovem inglês chamado Bryan que acaba descobrindo uma sociedade em Londres com segredos sobre os seus descendentes que farão mudar a vida dele.

Narrada em terceira pessoa, a história apresenta ao leitor o artista Bryan. Ele conhece os membros de uma sociedade, com pessoas aparentemente bem sucedidas, e uma das mulheres presentes lá o impressiona. Ao receber um pingente de sangue, ele descobre que não foi convidado ao acaso pelos membros e que a missão deles é derrotar as criaturas sugadoras de sangue.

Para quem gosta de histórias de vampiros, logo na apresentação, o autor compartilha sua fascinação pela ficção que aborda o universo vampiresco, seja dos livros escritos por Anne Rice: Entrevista com o Vampiro e A Rainha dos Condenados, ou pelos filmes e seriados norte-americanos. “Percorrendo as ruas de Londres, trouxe a vocês um herói que tem sua humanidade indo de encontra com a imortalidade e muitos mistérios a desvendar”, afirma Leonardo Ottonelli.

O ritmo da história passa bem rápido. Desde o momento em que Bryan se envolve com os membros da sociedade, tudo vai se transformando ao seu redor. Ele ganha um pingente de sangue que o protege dos vampiros, porém sua maior vulnerabilidade é a sua humanidade.

Então, algumas coisas acontecem, as quais eu não vou contar para não estragar a surpresa, e após a primeira reviravolta, colocando a vida de Bryan de pernas para o ar e tornando-o mais interessante.
A narrativa lembra as histórias tradicionais de vampiros, porém a objetividade da escrita e a velocidade que os eventos vão acontecendo, não permitem ao leitor mergulharem totalmente. Alguns capítulos são curtos e outros mais longos, essa quebra do ritmo ajuda a não deixar o texto maçante, deixando-o no meio termo, entre o conto e o romance.

As ilustrações de O Pingente de Sangue são bem bacanas e ajudam o leitor a visualizá-la melhor em sua cabeça. Todavia, se os capítulos fossem um pouco mais longos e as descrições melhores desenvolvidas (Mostrar Mais, Contar Menos), dando mais espaço ao leitor para tirar suas próprias conclusões. Por exemplo, a técnica de “Show, Don’t Tell” ao invés de dizer que alguém é bonito ou feio, assustador ou glorioso, descrever o personagem e através dessa leitura, deixá-lo vivenciar o momento.

Do início ao final do livro, o leitor acompanha os desafios de Bryan, com direito a uma batalha entre homens e vampiros que decidirá o destino da humanidade. Terminei a leitura com um gostinho de quero mais, com a impressão de que a história poderia ser um pouco maior, para que a narrativa se tornasse mais envolvente. O clímax e a resolução dos conflitos estão muito próximos, diminuindo o tempo destinado ao leitor vibrar ou sofrer com os personagens. Quando ele se dá conta já chegou o final.

No geral, O Pingente de Sangue é interessante, mas o fato de que além de blogueiro eu também sou escritor, me fez perceber alguns desses elementos da narrativa de ficção que poderiam tornar o livro mais emocionante. É claro, lembrando sempre que a opinião é subjetiva, e esse ritmo rápido que me incomodou, pode ser justamente o que agradará a um leitor que gosta de histórias curtas e velozes. Eu, por exemplo, adoro Anne Rice, apesar de achar alguns de seus romances longos demais, porém são nesses excessos de detalhes que ela conseguiu imortalizar os seus personagens. Desde que conheci Lestat, é impossível não ler uma história de vampiro e não relacionar a ele.

Minha recomendação para qualquer livro resenhado é: resenhas servem para te orientar sobre o que vem pela frente, mas cabe a cada um ler a obra para tirar suas próprias conclusões, já que cada leitor tem sua bagagem cultural, sua diferente maneira de enxergar a vida e se relacionar com as palavras.

Sobre o autor – Leonardo Ottonelli nasceu em Selbach, no Rio Grande do Sul. Formado em teatro, ele já atuou em diversos espetáculos, é cantor, compositor, ilustrador e O Pingente de Sangue é o seu primeiro livro.

O Pingente de Sangue pode ser adquirido no site da Cultura em Letras Edições.

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