Pular para o conteúdo principal

Destaques

Autismo: Responsabilidade e experiência como moderador de grupo

Quando eu fui moderador de um grupo de autismo com milhares de pessoas (mais de 18 mil, se não estou enganado, sem falar as centenas de solicitações em espera), eu removia comentários e posts sobre tratamentos falsos e pessoas tentando promover eventos DUVIDOSOS de autismo (existem muitos).


Não importava se estava escrito nas regras, um post ou outro sempre passava, porque nem todo mundo tinha a mesma compreensão sobre pseudotratamentos e autismo e um dos moderadores sempre liberava.

Todo moderador/administrador tem responsabilidade sobre o que acontece dentro de um grupo, página, blog, que seja.

Eu e a Rivotrip​ chegamos a bater boca com anti-vacinas na madrugada. Fomos os últimos moderadores autistas do grupo. O resto era familiar.

Se no seu grupo passam vários podres e você não está moderando, você pode se sujar junto. É algo que vai além da imagem e credibilidade, especialmente quando se tratam de tratamentos proibidos e perigosos.

Mais consciência e responsabilidade.

Para as pess…

Resenha: Bonsai – Alejandro Zambra

Bonsai é o primeiro romance do escritor chileno Alejandro Zambra, escrito em 2006, ganhador do Prêmio da Crítica e o Prêmio do Conselho Nacional do Livro como melhor romance do ano. O livro de 96 páginas foi publicado no Brasil, em 2012, pela Cosac Naify, com tradução de Josely Vianna Baptista.

O que mais impressiona no romance é a economia das palavras e o desafio do escritor de escolher as “palavras certas”. Tal como um poeta que procura sintetizar com sutileza e através de fragmentos de texto consegue encantar o leitor e fazê-lo enxergar através dos seus olhos, Alejandro Zambra escreveu, literalmente, um bonsai. Abaixo você confere a definição de bonsai narrado no livro e destacada no texto da contracapa:

“Um bonsai é uma réplica artística de uma árvore em miniatura. Consta de dois elementos: a árvore viva e o recipiente. Os dois elementos têm de estar em harmonia e a seleção do vaso apropriado para uma árvore, é por si só, quase uma forma de arte. [...]. Um bonsai nunca é chamado de árvore bonsai. A palavra já inclui o elemento vivo. Uma vez fora do vaso, a árvore deixa de ser um bonsai”.

Como um bonsai, Alejandro Zambra apara o seu texto, sem que fique nenhum excesso. Muito do que sentimos pode ser captado nas entrelinhas, no que não foi dito – ao menos não explicitamente.
No romance conhecemos Julio, um escritor que trabalha dando aula de latim. Entre o passado e o presente do protagonista, acompanhamos quando ele conheceu sua ex-namorada Emilia e a melhor amiga dela Anita, até quando Julio conhece o escritor Gazmuri, um velho que o oferece uma vaga de transcrição e María, uma mulher com quem ele se envolve.

Ter assistido ao filme Bonsai – aliás, recomendo bastante! –, antes de ler o livro, foi algo que tirou um pouco da graça da história. De qualquer forma, a experiência de ler um romance tão enxuto me fez enxergar diversas possibilidades deste gênero literário, o que comprova mais uma vez que nem sempre as “regras” precisam ser seguidas, como esta: Será mesmo que todo romance precisa ser longo?

A narrativa fragmentária e envolvente, os poucos e efetivos diálogos, o cruzamento entre os diferentes personagens, que por vezes ocupam o mesmo espaço, mas nem por isso se comunicam, tudo isso e muito mais são responsáveis por tornar Bonsai tão gostoso de ler. Esta mistura entre literatura arte e o prazer da leitura, como a miniatura da árvore, consegue manter a sua essência e ser agradável esteticamente dentro do seu recipiente.

Sobre o autor – Alejandro Zambra nasceu em Santiago, no Chile, em 1975. Bonsai, seu primeiro romance, foi traduzido na França, Itália, Holanda, China, Israel, entre outros países. No Chile, o livro ganhou o Prêmio da Crítica e o Prêmio do Conselho Nacional do Livro como melhor romance de 2006, ano de sua publicação. Além de Bonsai, Zambra é autor de A vida privada das árvores e Formas de voltar para casa, romances também publicados pela Cosac Naify. É autor, ainda, de dois volumes de poesia, Bahía Inútil (1998) e Mudanza(2003), e da coletânea de ensaios No Leer (2010). Eleito pela revista britânica Granta como um dos 22 melhores jovens escritores hispanoamericanos, Alejandro é também crítico e professor de literatura.

Comentários

Mais lidas da semana