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Destaques

A terceira semana sem fumar cigarro

Como era difícil criar hábitos positivos. Havia acabado de passar da terceira semana sem fumar cigarro e ainda sentia certo desconforto. Seja para bem ou para mal, descobrira que mesmo após anos, algumas pessoas continuavam lutando contra a vontade de fumar, ou seja, era muito mais difícil do que parecia. Na tentativa de substituir comportamentos negativos por mais saudáveis, se via diante da necessidade de se desapegar um pouco da nostalgia e voltar a se focar mais no momento presente. Havia tomado mais do que o suficiente sua dose de nostalgia e agora estava preparado para continuar seguindo em frente. Era chocante o quanto o cigarro havia segurado comportamentos e ao abandoná-lo, comportamentos que antes estavam sob controle, agora pareciam soltos. Precisava de um detox das redes sociais, como quem sabia que fumar fazia mal. Precisava voltar a focar em si mesmo, deixando o passado de uma vez por todas para trás. Era no momento presente que ia celebrando as pequenas conquistas. Para ...

Resenha: Bonsai – Alejandro Zambra

Bonsai é o primeiro romance do escritor chileno Alejandro Zambra, escrito em 2006, ganhador do Prêmio da Crítica e o Prêmio do Conselho Nacional do Livro como melhor romance do ano. O livro de 96 páginas foi publicado no Brasil, em 2012, pela Cosac Naify, com tradução de Josely Vianna Baptista.

O que mais impressiona no romance é a economia das palavras e o desafio do escritor de escolher as “palavras certas”. Tal como um poeta que procura sintetizar com sutileza e através de fragmentos de texto consegue encantar o leitor e fazê-lo enxergar através dos seus olhos, Alejandro Zambra escreveu, literalmente, um bonsai. Abaixo você confere a definição de bonsai narrado no livro e destacada no texto da contracapa:

“Um bonsai é uma réplica artística de uma árvore em miniatura. Consta de dois elementos: a árvore viva e o recipiente. Os dois elementos têm de estar em harmonia e a seleção do vaso apropriado para uma árvore, é por si só, quase uma forma de arte. [...]. Um bonsai nunca é chamado de árvore bonsai. A palavra já inclui o elemento vivo. Uma vez fora do vaso, a árvore deixa de ser um bonsai”.

Como um bonsai, Alejandro Zambra apara o seu texto, sem que fique nenhum excesso. Muito do que sentimos pode ser captado nas entrelinhas, no que não foi dito – ao menos não explicitamente.
No romance conhecemos Julio, um escritor que trabalha dando aula de latim. Entre o passado e o presente do protagonista, acompanhamos quando ele conheceu sua ex-namorada Emilia e a melhor amiga dela Anita, até quando Julio conhece o escritor Gazmuri, um velho que o oferece uma vaga de transcrição e María, uma mulher com quem ele se envolve.

Ter assistido ao filme Bonsai – aliás, recomendo bastante! –, antes de ler o livro, foi algo que tirou um pouco da graça da história. De qualquer forma, a experiência de ler um romance tão enxuto me fez enxergar diversas possibilidades deste gênero literário, o que comprova mais uma vez que nem sempre as “regras” precisam ser seguidas, como esta: Será mesmo que todo romance precisa ser longo?

A narrativa fragmentária e envolvente, os poucos e efetivos diálogos, o cruzamento entre os diferentes personagens, que por vezes ocupam o mesmo espaço, mas nem por isso se comunicam, tudo isso e muito mais são responsáveis por tornar Bonsai tão gostoso de ler. Esta mistura entre literatura arte e o prazer da leitura, como a miniatura da árvore, consegue manter a sua essência e ser agradável esteticamente dentro do seu recipiente.

Sobre o autor – Alejandro Zambra nasceu em Santiago, no Chile, em 1975. Bonsai, seu primeiro romance, foi traduzido na França, Itália, Holanda, China, Israel, entre outros países. No Chile, o livro ganhou o Prêmio da Crítica e o Prêmio do Conselho Nacional do Livro como melhor romance de 2006, ano de sua publicação. Além de Bonsai, Zambra é autor de A vida privada das árvores e Formas de voltar para casa, romances também publicados pela Cosac Naify. É autor, ainda, de dois volumes de poesia, Bahía Inútil (1998) e Mudanza(2003), e da coletânea de ensaios No Leer (2010). Eleito pela revista britânica Granta como um dos 22 melhores jovens escritores hispanoamericanos, Alejandro é também crítico e professor de literatura.

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