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Coronavírus e Saúde Pública: O momento não pede negação nem omissão | Ben Oliveira

Me tirar do sério não é fácil. Tenho mais de 8 anos de prática de yoga e uma paciência quase infinita. Mas quando se trata do que tem acontecido nos últimos tempos, impossível seria me silenciar.


Para começar: muitas pessoas religiosas e espiritualizadas acham erradamente que cultivar a não-violência é se silenciar diante do caos que esse DesPresidente tem causado. Não poderiam estar mais errados, afinal, ser omisso à violência é uma forma de aumentá-la.

O momento não pede negação nem omissão. Os brasileiros elegeram um homem sem empatia, que sempre se demonstrou ser frio, manipulador e ignorante.

Sim, ele é um reflexo de muitos que não tiveram acesso à educação ou desprezam a intelectualidade, mas é também alguém que não está colocando só a própria vida em perigo, mas de milhares de brasileiros ao ignorar as recomendações de saúde, protocolos de pesquisas com medicamentos e conhecimentos BÁSICOS de saúde: qualquer pessoa que tenha um conhecimento raso de biologia, química e estatísti…

Resenha: Bonsai – Alejandro Zambra

Bonsai é o primeiro romance do escritor chileno Alejandro Zambra, escrito em 2006, ganhador do Prêmio da Crítica e o Prêmio do Conselho Nacional do Livro como melhor romance do ano. O livro de 96 páginas foi publicado no Brasil, em 2012, pela Cosac Naify, com tradução de Josely Vianna Baptista.

O que mais impressiona no romance é a economia das palavras e o desafio do escritor de escolher as “palavras certas”. Tal como um poeta que procura sintetizar com sutileza e através de fragmentos de texto consegue encantar o leitor e fazê-lo enxergar através dos seus olhos, Alejandro Zambra escreveu, literalmente, um bonsai. Abaixo você confere a definição de bonsai narrado no livro e destacada no texto da contracapa:

“Um bonsai é uma réplica artística de uma árvore em miniatura. Consta de dois elementos: a árvore viva e o recipiente. Os dois elementos têm de estar em harmonia e a seleção do vaso apropriado para uma árvore, é por si só, quase uma forma de arte. [...]. Um bonsai nunca é chamado de árvore bonsai. A palavra já inclui o elemento vivo. Uma vez fora do vaso, a árvore deixa de ser um bonsai”.

Como um bonsai, Alejandro Zambra apara o seu texto, sem que fique nenhum excesso. Muito do que sentimos pode ser captado nas entrelinhas, no que não foi dito – ao menos não explicitamente.
No romance conhecemos Julio, um escritor que trabalha dando aula de latim. Entre o passado e o presente do protagonista, acompanhamos quando ele conheceu sua ex-namorada Emilia e a melhor amiga dela Anita, até quando Julio conhece o escritor Gazmuri, um velho que o oferece uma vaga de transcrição e María, uma mulher com quem ele se envolve.

Ter assistido ao filme Bonsai – aliás, recomendo bastante! –, antes de ler o livro, foi algo que tirou um pouco da graça da história. De qualquer forma, a experiência de ler um romance tão enxuto me fez enxergar diversas possibilidades deste gênero literário, o que comprova mais uma vez que nem sempre as “regras” precisam ser seguidas, como esta: Será mesmo que todo romance precisa ser longo?

A narrativa fragmentária e envolvente, os poucos e efetivos diálogos, o cruzamento entre os diferentes personagens, que por vezes ocupam o mesmo espaço, mas nem por isso se comunicam, tudo isso e muito mais são responsáveis por tornar Bonsai tão gostoso de ler. Esta mistura entre literatura arte e o prazer da leitura, como a miniatura da árvore, consegue manter a sua essência e ser agradável esteticamente dentro do seu recipiente.

Sobre o autor – Alejandro Zambra nasceu em Santiago, no Chile, em 1975. Bonsai, seu primeiro romance, foi traduzido na França, Itália, Holanda, China, Israel, entre outros países. No Chile, o livro ganhou o Prêmio da Crítica e o Prêmio do Conselho Nacional do Livro como melhor romance de 2006, ano de sua publicação. Além de Bonsai, Zambra é autor de A vida privada das árvores e Formas de voltar para casa, romances também publicados pela Cosac Naify. É autor, ainda, de dois volumes de poesia, Bahía Inútil (1998) e Mudanza(2003), e da coletânea de ensaios No Leer (2010). Eleito pela revista britânica Granta como um dos 22 melhores jovens escritores hispanoamericanos, Alejandro é também crítico e professor de literatura.

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