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Destaques

Dose de pausa

Diante de tragédias, muitas vezes precisamos pausar. Mas o que costuma acontecer é o oposto. O assunto acaba gerando cada vez mais engajamento. Como encarar tantos comentários cheios de julgamentos? Como perceber que as pessoas têm uma certa dose de superioridade e gostam de comentar sobre o outro como se fossem especialistas e modelos de comportamento. É verdade que alguns comportamentos machucavam, mas havia algo que os outros não conseguiam enxergar. Talvez já havia todo um sofrimento antes da traição. Se tem algo que eu entendo é de traição. Mas também entendo que as pessoas precisam pegar mais leve com quem está do outro lado da tela e lembrar que são seres humanos. Talvez por sermos todos humanos, acabamos caindo na racionalização ou emocionalização, temos dificuldade de encontrar um lugar no meio. A verdade é que, muitas vezes, pausar era melhor do que se pronunciar. Quando o assunto é cutucado vez atrás de vez, é como se a ferida continuasse aberta e o luto não encontra espaço....

Crônica: Contemplação

Um olhar. Um olhar, às vezes, é suficiente para sorver a essência de uma pessoa. Diante de mim, você dançava, como se o mundo estivesse por trás da cortina. Grandes olhos castanhos, brilhantina refletindo as luzes coloridas. A paz ameaçadora daquele que não tem medo de gritar “Eu te amo!” e prosseguir com um sorriso no rosto, como se o certo fosse o certo, ainda que todos pudessem achar que fosse errado.


Eu bebi a caipirinha. Felicidade perdia uma batalha dentro de mim. A vida se escoava; a sombra dançava, enquanto eu estava em algum lugar, encostado no canto, querendo observá-lo. Eu queria abraçá-lo. Eu sei, é estranho. Você não era a presa nem o caçador, era só você e isso era o suficiente para me encantar. Era como observar a borboleta bater as asas sem precisar se aproximar para que ela não se espante; para que suas asas não sejam despedaçadas pela posse da paixão ou que seus pés ficassem presos na terra. Eu gostava mesmo era de te ver voar.

Então, me faltou coragem. Coragem pra quê? O que fazer? Aquela era a primeira noite em que te via. É engraçado como você pode pensar que nunca vai encontrar alguém diferente, interessante e de repente, o jogo vira. É do inesperado que surgem as boas surpresas. Clichês. Você me faz pensar, dizer e escrever coisas comezinhas. 

Pulei a linha. Eu precisava voltar para a pista de dança. Lembra? Você tão perto de mim. Eu podia jurar que você estava me encarando. Por trás do seu rosto angelical, um sorriso me fazia pecar.

[...]

Quando voltei, já não estava ali. Para onde tinha ido? O que fazer? O que sentir? Eu queria te ver de novo. Eu sabia que te veria de novo. Eu sentia. Até que o silêncio da mente desse espaço ao eco do seu nome que se repetia e repetia.

Passei por você. Você nem me notou. Era como se eu fosse um fantasma e você a parede que eu nunca atravessaria. Estávamos em planos diferentes. Eu era o vagalume que não se acendia pelo seu campo. Tão apagado, tão inexistente. Não era incompletude. Não era carência. Era o que não era.

Ali fiquei te observando. Você se sentou. Você e o maldito celular. Como eu gostaria de estar por perto. Como eu gostaria de saber com quem você tanto falava. Olhe para mim. Três, dois, um... Você me olhou. Eu te olhei. Eu disfarcei. Você disfarçou. Ou será que estava olhando para outra pessoa? Não importa. Assim como a arte imita a vida, o simulacro do seu olhar era o suficiente para aquecer minha veia.

Quantos fragmentos são precisos para que tudo isto faça sentido? Quanto tempo até que o mundo desabe? Vejo que estamos correndo por um labirinto. Você é o canto no qual eu quero me perder. Quando a luz dos seus olhos me iluminar, vamos juntos achar a saída. Ou seria uma forma estúpida de dizer: algo vai acontecer. O que? Não sei. Nem você.

É... Olhando para seus grandes olhos castanhos, me pergunto se algum dia vou saber. Até lá, deixo tudo acontecer. Os dedos se movem. A mente se acalma. O coração se inquieta. E os seus olhos piscam para mim. Até que a imagem dê zoom na sua íris. E a tinta se esparrama pela tela. A cortina se abre.

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