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Destaques

Fim da série

Há uma sensação de prazer quando chega o fim da série. Se despedir dos personagens com os quais pôde acompanhar suas histórias ao longo de várias temporadas, especialmente se for série antiga. Enquanto muitas novas séries têm apostado em um formato mais curto, alguns até de minissérie, teve uma época boa em que as séries pareciam sem fim. Mas mesmo as séries que pareciam sem fim, também chegam ao final. É gratificante a sensação. É como dizer adeus e agradecer pelo tempo juntos.  Então, se antes você torcia para que a série chegasse ao fim logo, agora você torcia por cada minuto, para que tivesse mais tempo juntos. Quantos dias tinha passado assistindo a série? Quantos episódios assistiu? Perdera a conta, mas de uma coisa estava certo: o alívio de encerrar mais uma série, abrindo espaço para novas descobertas e consciente de que cada minuto assistindo valeu a pena, entre erros e acertos.  *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escritpa...

Crônica: Distanciar

Mãos que não se tocam. Olhos que se desviam. Dentes que rangem.

Nos movimentávamos como dois ímãs que se repeliam: quanto mais tentávamos nos aproximar, o universo nos empurrava para direções opostas. Não era para ser, você me diz. Eu sempre soube, sussurro. Tento apagar o coração que desenhei no vidro, mas meus dedos só deixaram a marca mais borrada.


Será que você sente quando meus olhos esquentam e mesmo que eu tente controlar, as lágrimas continuam caindo? Você imagina que eu estou sorrindo, que te deixar livre foi tudo o que eu sempre quis... Você não tem ideia da falta que me faz.

Me abraço, como se não quisesse deixar meus pedaços trincados se esfarelarem pelo chão. Criei meu santuário de você dentro de mim. Fecho os olhos e você está ali, com aquele seu jeito de quem quer me encostar, porém não sabe como pedir. Talvez se você simplesmente me abraçasse, tudo fugiria ao meu controle. Talvez só assim você saberia como as coisas realmente são, quando nem eu, nem você, somos capazes de convencer nossas mentes de que seria melhor assim.

Abri suas mãos e soprei toda a poeira que eu deixara ali. Pronto. Já não há o que temer. Tudo a ganhar. Somos livres para continuarmos voando, acreditando que algo melhor há de aparecer no horizonte da vida. Solto meus braços e deixo meu corpo deslizar pelo ar, até atingir o oceano de lágrimas salgadas. Meu coração agridoce expulsa as mágoas pelos meus poros. Palidez se confunde com o negrume da alma.

Deito na cama e é como se estivesse sendo dragado pelo espaço. As estrelas não brilham, a lua é só escuridão.

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