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Destaques

Dias de Chuva

Os dias de chuva chegaram sem previsão de quando vão embora. Aquela dose diária de sol que faz tanta falta para ajudar a despertar o cérebro já não está disponível. Estaria mentindo se dissesse que não gostava de chuva, mas a verdade era que tanta escuridão já estava afetando o humor. Ia passando dia após dia, sem saber quando a chuva ia finalmente chegar ao fim. A verdade era que quando se tratava da saúde mental, dias assim poderiam prejudicar mais do que ajudar. Escrevia enquanto a chuva caia. Escrevia fugindo do molhado. Escrevia pensando que às vezes, a vida era feita de dias de chuva e estava sem guarda-chuva. Escrevia para deixar a chuva levar tudo o que não queria lembrar. Escrevia para que chegasse o último dia de chuva. Escrevia.  *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escrita Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano:  O Círculo (Vol.1)  e  O Livro (Vol. 2) , dispo...

Crônica: Distanciar

Mãos que não se tocam. Olhos que se desviam. Dentes que rangem.

Nos movimentávamos como dois ímãs que se repeliam: quanto mais tentávamos nos aproximar, o universo nos empurrava para direções opostas. Não era para ser, você me diz. Eu sempre soube, sussurro. Tento apagar o coração que desenhei no vidro, mas meus dedos só deixaram a marca mais borrada.


Será que você sente quando meus olhos esquentam e mesmo que eu tente controlar, as lágrimas continuam caindo? Você imagina que eu estou sorrindo, que te deixar livre foi tudo o que eu sempre quis... Você não tem ideia da falta que me faz.

Me abraço, como se não quisesse deixar meus pedaços trincados se esfarelarem pelo chão. Criei meu santuário de você dentro de mim. Fecho os olhos e você está ali, com aquele seu jeito de quem quer me encostar, porém não sabe como pedir. Talvez se você simplesmente me abraçasse, tudo fugiria ao meu controle. Talvez só assim você saberia como as coisas realmente são, quando nem eu, nem você, somos capazes de convencer nossas mentes de que seria melhor assim.

Abri suas mãos e soprei toda a poeira que eu deixara ali. Pronto. Já não há o que temer. Tudo a ganhar. Somos livres para continuarmos voando, acreditando que algo melhor há de aparecer no horizonte da vida. Solto meus braços e deixo meu corpo deslizar pelo ar, até atingir o oceano de lágrimas salgadas. Meu coração agridoce expulsa as mágoas pelos meus poros. Palidez se confunde com o negrume da alma.

Deito na cama e é como se estivesse sendo dragado pelo espaço. As estrelas não brilham, a lua é só escuridão.

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