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Destaques

Resenha: Algum Dia — David Levithan

Pode o corpo alterar nossa percepção sobre a vida e o amor? E o que acontece quando todo dia mudamos de corpo e ainda assim tentamos manter um relacionamento? Em Algum Dia, do David Levithan, o leitor é levado a conhecer o desfecho da trilogia que encantou pessoas do mundo todo. No Brasil, a obra foi publicada pela Editora Galera Record, em 2020.

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Algum Dia foi um dos livros mais esperados por muitos leitores, entre eles: eu. Fui com muita expectativa na leitura. Não é que não tenha gostado do romance, mas senti falta de mais envolvimento entre os dois personagens principais. David Levithan nos deixa instigado por mais momentos entre Rhiannon e A, mas a narrativa acaba dando mais destaque para a condição do personagem sem corpo fixo.
"Agora eu sei: o amor não é tão simples. O amor nunca é sobre você dizer a si mesmo que deve fazer alguma coisa e então fazer. Nunca é sobre alguém te dizer que você deve fazer e por isso…

Resenha: Para Sempre Alice – Lisa Genova

Para Sempre Alice é o título do romance escrito pela Ph.D. em neurociência Lisa Genova, de 288 páginas, publicado nos Estados Unidos, com o título Still Alice, em 2007, e no Brasil, em 2009, pela Editora Nova Fronteira, com tradução de Vera Ribeiro. O livro de ficção se foca na história de vida de Alice Howland, uma professora e pesquisadora bem-sucedida que é diagnosticada com Doença de Alzheimer de Instalação Precoce e vê todo o conhecimento, memórias e rostos desvanecerem com o passar dos meses.


O romance é narrado em terceira pessoa acompanhando, principalmente, a visão da protagonista. A narrativa segue de forma cronológica, por meio da qual o leitor acompanha no início de cada capítulo o mês e ano em que os eventos acontecem, possibilitando vivenciar o desenvolvimento dos sintomas de maneira realista, já que a autora é especialista em Alzheimer.

“Já naquela época, mais de um ano antes, havia na cabeça dela, não muito longe das orelhas, neurônios que vinham sendo estrangulados até a morte, em demasiado silêncio para que ela os ouvisse. Alguns diriam que as coisas corriam tão insidiosamente mal que os próprios neurônios desencadearam os acontecimentos que levariam a sua própria destruição. Se foi um assassinato molecular ou um suicídio celular, eles não puderam alertá-la para o que estava acontecendo antes de morrerem”

O que dá muito peso dramático ao romance é o estranhamento experimentado por Alice. De uma brilhante palestrante e ativa pesquisadora da Universidade de Harvard na área de Psicologia, capaz de decorar referências bibliográficas e explanar a relação entre a linguagem e a mente, inspirando seus alunos e dando orgulho para a sua instituição, ela progressivamente começa a perder a habilidade de se lembrar das palavras até que, eventualmente, Alice perde o rumo de suas aulas.

A inicial negação de Alice, seu marido John e de sua própria família sobre a doença de Alzheimer perde cada vez mais força quando coisas que a mulher dominava com facilidade se transformam num desafio. Ao desenrolar da narrativa, Alice passa por uma série de crises emocionais, seja por esquecer memórias de longo prazo, como a morte de sua mãe e irmã, pela incapacidade de correr diariamente por não se lembrar o caminho de volta para casa até passar a não associar o rosto à identidade de pessoas próximas dela, como sua própria filha Lydia, uma jovem atriz que sonha poder ganhar a vida com o teatro.

“O bem-estar de um neurônio depende de sua capacidade de se comunicar com os outros. Os estudos têm demonstrado que a estimulação eletroquímica proveniente da ativação de um neurônio e de seus alvos sustenta processos celulares vitais. Os neurônios incapazes de se ligarem efetivamente a outros neurônios atrofiam-se. Sem utilidade, o neurônio abandonado morre”.

Não tem como não se envolver pelo drama da personagem. Imagine se de um instante para o outro tudo aquilo o que você viveu, aprendeu e conheceu começassem a desaparecer, a ponto de você olhar para a própria imagem refletida no espelho e não se reconhecer, de não ter ideia de que a casa em que você está é a sua e de lidar com o medo que logo não restará um rosto conhecido. Assim se passam os dias de Alice.

"O simples fato de ela ter o mal de Alzheimer não significava que ela já não fosse capaz de pensar analiticamente. O fato de ter Alzheimer não significava que não merecesse sentar-se naquela sala, entre eles. O fato de ter Alzheimer não significava que já não merecesse ser ouvida."

A ficção de Para Sempre Alice é bem verossímil, permitindo uma forte identificação entre leitor e protagonista. A linguagem do livro é bem simples de entender, mesmo com as explicações científicas sobre a doença, acaba sendo contextualizada pelos personagens. Esse diálogo entre ciência e literatura, além de ajudar a humanizar e conscientizar sobre as transformações e desafios dos portadores da doença de Alzheimer e também daqueles que estão ao seu redor, contribui para informar, levantar reflexões e proporcionar ao leitor a experiência de se colocar na pele do outro, desenvolver empatia e compaixão.

Sobre a autora – Lisa Genova é autora best-seller dos livros Para Sempre Alice e Nunca Mais Raquel, publicados pela Nova Fronteira. Ph.D. em neurociência pela Universidade Harvard, Genova faz palestras no mundo inteiro sobre Alzheimer, traumas cerebrais e autismo. Ela já apareceu em vários programas, como The Dr. Oz Show, e em diversos canais de televisão, como CNN e Fox News; também participou do documentário vencedor do Emmy To Not Fade Away. Lisa mora com a família em Massachusetts. A adaptação cinematográfica de Para Sempre Alice conta com a participação de Kristen Stewart no papel de Lydia Howland e dos vencedores do Globo de Ouro Julianne Moore e Alec Baldwin.

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