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Autismo: Entre fofocas e intrigas

Aviso aos bonitos e bonitas que sempre jogam meu nome e dos colegas nos grupos de Facebook e WhatsApp: alguém de vocês sempre solta algo e de um jeito ou de outro, chega até mim.


Minha dica é: quer falar mal? Fala à vontade. Se quiser, eu falo junto. Não tenho vergonha de fazer autocrítica, aliás, recomendo a todos.

Agora, se me difamar e/ou queimar minha reputação, o bicho pega.

Nesta página, não trabalho com indiretas. Só com diretas mesmo.

Já disse que nem todo autista é bonzinho, né? 😈

Dica para os anjinhos e neurotípicos: Arranjem hobbies e outros hiperfocos, ocupem a cabeça com outras coisas que não sejam só esse mundinho de intrigas do autismo.

Um grande filósofo pós-moderno, Benstein Oliveira disse que a fofoca viaja à velocidade da luz e que ela vem de todos cantos e cores do autismo. Nem WhatsApp eu uso, mas as conversas de lá sempre chegam aqui. Por que será, gente?

Formado em Harvard na arte das fofocas chegarem até mim. Parece que sou ímã para embuste.

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Resenha: Para Sempre Alice – Lisa Genova

Para Sempre Alice é o título do romance escrito pela Ph.D. em neurociência Lisa Genova, de 288 páginas, publicado nos Estados Unidos, com o título Still Alice, em 2007, e no Brasil, em 2009, pela Editora Nova Fronteira, com tradução de Vera Ribeiro. O livro de ficção se foca na história de vida de Alice Howland, uma professora e pesquisadora bem-sucedida que é diagnosticada com Doença de Alzheimer de Instalação Precoce e vê todo o conhecimento, memórias e rostos desvanecerem com o passar dos meses.


O romance é narrado em terceira pessoa acompanhando, principalmente, a visão da protagonista. A narrativa segue de forma cronológica, por meio da qual o leitor acompanha no início de cada capítulo o mês e ano em que os eventos acontecem, possibilitando vivenciar o desenvolvimento dos sintomas de maneira realista, já que a autora é especialista em Alzheimer.

“Já naquela época, mais de um ano antes, havia na cabeça dela, não muito longe das orelhas, neurônios que vinham sendo estrangulados até a morte, em demasiado silêncio para que ela os ouvisse. Alguns diriam que as coisas corriam tão insidiosamente mal que os próprios neurônios desencadearam os acontecimentos que levariam a sua própria destruição. Se foi um assassinato molecular ou um suicídio celular, eles não puderam alertá-la para o que estava acontecendo antes de morrerem”

O que dá muito peso dramático ao romance é o estranhamento experimentado por Alice. De uma brilhante palestrante e ativa pesquisadora da Universidade de Harvard na área de Psicologia, capaz de decorar referências bibliográficas e explanar a relação entre a linguagem e a mente, inspirando seus alunos e dando orgulho para a sua instituição, ela progressivamente começa a perder a habilidade de se lembrar das palavras até que, eventualmente, Alice perde o rumo de suas aulas.

A inicial negação de Alice, seu marido John e de sua própria família sobre a doença de Alzheimer perde cada vez mais força quando coisas que a mulher dominava com facilidade se transformam num desafio. Ao desenrolar da narrativa, Alice passa por uma série de crises emocionais, seja por esquecer memórias de longo prazo, como a morte de sua mãe e irmã, pela incapacidade de correr diariamente por não se lembrar o caminho de volta para casa até passar a não associar o rosto à identidade de pessoas próximas dela, como sua própria filha Lydia, uma jovem atriz que sonha poder ganhar a vida com o teatro.

“O bem-estar de um neurônio depende de sua capacidade de se comunicar com os outros. Os estudos têm demonstrado que a estimulação eletroquímica proveniente da ativação de um neurônio e de seus alvos sustenta processos celulares vitais. Os neurônios incapazes de se ligarem efetivamente a outros neurônios atrofiam-se. Sem utilidade, o neurônio abandonado morre”.

Não tem como não se envolver pelo drama da personagem. Imagine se de um instante para o outro tudo aquilo o que você viveu, aprendeu e conheceu começassem a desaparecer, a ponto de você olhar para a própria imagem refletida no espelho e não se reconhecer, de não ter ideia de que a casa em que você está é a sua e de lidar com o medo que logo não restará um rosto conhecido. Assim se passam os dias de Alice.

"O simples fato de ela ter o mal de Alzheimer não significava que ela já não fosse capaz de pensar analiticamente. O fato de ter Alzheimer não significava que não merecesse sentar-se naquela sala, entre eles. O fato de ter Alzheimer não significava que já não merecesse ser ouvida."

A ficção de Para Sempre Alice é bem verossímil, permitindo uma forte identificação entre leitor e protagonista. A linguagem do livro é bem simples de entender, mesmo com as explicações científicas sobre a doença, acaba sendo contextualizada pelos personagens. Esse diálogo entre ciência e literatura, além de ajudar a humanizar e conscientizar sobre as transformações e desafios dos portadores da doença de Alzheimer e também daqueles que estão ao seu redor, contribui para informar, levantar reflexões e proporcionar ao leitor a experiência de se colocar na pele do outro, desenvolver empatia e compaixão.

Sobre a autora – Lisa Genova é autora best-seller dos livros Para Sempre Alice e Nunca Mais Raquel, publicados pela Nova Fronteira. Ph.D. em neurociência pela Universidade Harvard, Genova faz palestras no mundo inteiro sobre Alzheimer, traumas cerebrais e autismo. Ela já apareceu em vários programas, como The Dr. Oz Show, e em diversos canais de televisão, como CNN e Fox News; também participou do documentário vencedor do Emmy To Not Fade Away. Lisa mora com a família em Massachusetts. A adaptação cinematográfica de Para Sempre Alice conta com a participação de Kristen Stewart no papel de Lydia Howland e dos vencedores do Globo de Ouro Julianne Moore e Alec Baldwin.

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