sábado, 2 de abril de 2016

Resenha: Escuridão Total Sem Estrelas – Stephen King

Escuridão Total Sem Estrelas (Full Dark, No Stars) é o título do livro que reúne 4 novelas escritas por Stephen King, de 390 páginas, publicado no Brasil pela Editora Objetiva (Suma de Letras), em 2015, com tradução de Viviane Diniz. O Mestre do Suspense explorou os demônios que se alimentam de nossas sombras e sempre querem mais, em narrativas que impressionam pela perversidade humana.

Livro Escuridão Total Sem Estrelas Stephen King Suma de Letras

1922 é a primeira novela do livro e conta a história de um fazendeiro e sua mulher que estão com problemas financeiros. Desde o primeiro parágrafo da narrativa sabemos o que vai acontecer, o próprio protagonista Wilfred Leland James descreve como matou sua esposa com a ajuda do filho. O clímax da história não acaba sendo o assassinato de Arlette, mas as consequências do seu ato.

Stephen King mergulha no poço sangrento e não tem dó de revirar as estranhas. Desde o planejamento do homicídio e dos jogos mentais que Wilf pratica com seu filho, Henry, até a concretização e os rumos que suas vidas tomam, o autor tenta captar toda a atmosfera da situação e brinca com as possibilidades. Os pesadelos são reais e os destinos são moldados pelas ações. 1922 é uma das histórias mais envolventes de Escuridão Total Sem Estrelas e por ser narrado em primeira pessoa nos coloca em contato direto com a agonia de Wilfred e o inferno que ele causou a si mesmo. Enquanto eu lia, não conseguia deixar de pensar em Edgar Allan Poe e seu Gato Preto e em como seus personagens perturbados continuam ressonando até hoje na ficção.

“Meu nome é Wilfred Leland James e esta é minha confissão. Em junho de 1922 eu matei minha esposa, Arlette Christina Winters James, e escondi o corpo em um velho poço. Meu filho, Henry Freeman James, me ajudou, embora ele não possa ser responsabilizado pelo crime porque na época tinha 14 anos. Eu o persuadi, jogando com seus medos e contendo suas objeções mais do que naturais durante dois meses. Me arrependo disso mais amargamente do que do crime, por motivos que este documento vai revelar” – Trecho de 1922

Gigante do Volante conta a história de Tess, uma escritora de mistérios que é convidada para ministrar uma palestra em uma biblioteca, o que ela não esperava era o que a aguardava após o evento literário. Tess é estuprada e consegui sentir o beijo da morte, mas sua raiva e machucados a transformam de forma que ela mesma acaba se assustando. Para quem gosta de protagonistas sobreviventes e histórias de vingança, Stephen King serve sua dose de thriller com verossimilhança, rompendo as barreiras da mente e mostrando como humanos podem ser tão assustadores quanto criaturas sobrenaturais.

A novela é narrada em terceira pessoa, mas o leitor tem acesso aos pensamentos e sensações da personagem. A autora tira vantagem de sua imaginação para planejar como se vingar de seu abusador, mas ao mesmo tempo percebe que existem inúmeros eus dentro dela que ela jamais imaginara. Entre a vergonha e o medo, a fúria e a fragilidade, Tess descobre que é mais forte do que pensava e está disposta a fazer justiça com suas próprias mãos, especialmente quando ela se dá conta que a mudança de rumo de sua vida foi mais do que uma simples coincidência.

“... E não, não parecia ser a voz dela. Ou não exatamente a voz dela. Talvez fosse aquela que pertencia ao seu eu mais íntimo, a sobrevivente. E a assassina – ela também. Quantos “eus” desconhecidos uma pessoa poderia ter, escondidos lá no fundo? Tess começava a achar que o número podia ser infinito” Trecho de Gigante do Volante

Extensão Justa é o título da terceira história do livro e a mais curta. Streeter está com câncer e seus dias estão contados, mas ao encontrar um misterioso homem, ele acaba fazendo um pacto, garantindo mais tempo. Como tudo precisa de um equilíbrio, para que algo bom aconteça a ele, algo ruim precisa ser feito em retorno e alguém paga o preço de sua ganância.

Um conto que nos faz refletir sobre a inveja e quais são os limites da maldade humana, quando estamos seguros. À medida que Streeter deixa a maré de azar para trás e começa a surfar na boa sorte, outra família acaba se afundando cada vez mais. Mais uma narrativa que nos faz pensar como os humanos se assemelham a criaturas diabólicas quando desejam e são movidos pelos mais insidiosos pensamentos e emoções.

“Esta não é uma daquelas histórias com lição moral de meia-tigela. Eu sou um homem de negócios, não um personagem de O homem que vendeu a alma. Tudo o que estou dizendo é que sua felicidade está nas suas mãos e nas daqueles que lhe são mais próximos e queridos. E se você acha que vou aparecer daqui a duas décadas para coletar sua alma no meu velho caderninho mofado, está enganado. A alma dos humanos se tornou pobre e transparente” – Trecho de Extensão Justa

Um Bom Casamento narra a história de Darcy Anderson, uma mulher que descobre um terrível segredo que o marido vem guardando durante anos. Stephen King, mais uma vez, mesmo deixando claro que sua intenção é entreter, nos leva a um labirinto de pensamentos e nos coloca na pele da esposa que se sente traída pela vida dupla de seu companheiro.

Stephen King aperta a ferida e nos faz nos questionar até que ponto conhecemos outras pessoa, mesmo passando anos ao lado dela. Além de abordar o casamento e o amor, a culpa e o medo são dois elementos bem trabalhados. Darcy descobre que Bob está metido em problemas que podem manchar o nome de sua família e ela precisa fazer algumas escolhas, pensando não só nela e no marido, mas também em seus filhos.

"Vivera todos aqueles anos com um louco, mas como poderia saber? A insanidade dele era como um mar subterrâneo: havia uma camada de rocha sobre ela, e uma de terra sobre a rocha; e flores cresciam ali. Você poderia passar por aquele lugar sem nunca saber que as águas insanas estavam lá... mas estavam. Sempre estiveram" – Trecho de Um Bom Casamento

Ao final do livro, Stephen King nos brinda com um posfácio, no qual compartilha um pouco de sua experiência de escrever Escuridão Total Sem Estrelas (Full Dark, No Stars). Segundo o Mestre do Terror, até mesmo ele achou difícil narrar algumas das histórias por achá-las chocantes. “Tentei dar o meu melhor em Escuridão Total Sem Estrelas para mostrar o que as pessoas poderiam fazer, e como poderiam se comportar, sob certas circunstâncias terríveis”, afirma Stephen King. Uma leitura sobre os terrores que os seres humanos são capazes de cometer e como podem ser tão perturbadores quanto qualquer criatura maligna do universo da ficção.

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Stephen King Autor Mestre Horror Suspense

Sobre o autor – Stephen King é autor de mais de 50 livros best-sellers no mundo inteiro. Os mais recentes incluem Revival, Mr. Mercedes, Doutor Sono, Sob a Redoma (que virou uma série de sucesso na TV) e Novembro de 63 (que entrou no top 10 dos melhores livros de 2011 na lista do New York Times Book Review e ganhou o Los Angeles Times Book Prize na categoria Terror / Thriller e o Best Hardcover Novel Award da organização Internacional Thriller Writers). Em 2003, King recebeu a medalha de Eminente Contribuição às Letras Americanas da National Book Foundation e, em 2007, foi nomeado Grão-Mestre dos Escritores de Mistério dos Estados Unidos.

King conta que não foi fácil compor estes quatro contos – o que é bem impressionante, levando em conta sua longa carreira escrevendo histórias de terror. Ele mora em Bangor, no Maine, com a esposa, a escritora Tabitha King.

Saiba onde encontrar o livro Escuridão Total Sem Estrelas no site da Editora Objetiva!

E aí, já leu o livro? O que achou?

2 comentários:

  1. Adorei as análises, Ben. Fica muito evidente mesmo a influência de outros autores, como Poe, na obra de King. 1922 é minha novela preferida do livro. Fiquei, sem trocadilho, abismado em como a esposa conseguiu puxar o marido para dentro do poço. Grande livro, está díficil eu encontrar outro que o supere.

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    1. Muito bom mesmo!
      1922 é uma das minhas favoritas também, mas confesso que tenho um carinho grande por Gigante do Volante e por Um Bom Casamento, talvez por ter assistido os filmes antes de ler – tirou o suspense, mas o prazer foi o mesmo.
      Abraço

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