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Destaques

Dias de sono

Os dias de sono voltaram. Dias em que parecia que não importava o quanto dormisse, sentia mais vontade de dormir. Uma fome sem fim. Seria desejo de sonhar? Vontade de esquecer um pouco a realidade? Ou quem sabe algo ligado à mudança de tempo? Não sabia definir completamente. Sabia que os dias estavam passando. Sabia que faltavam poucos dias para completar um ano sem cigarro, aquilo que costumava usar para manter acordado ao se levantar junto com o cafezinho. Em um ano muita coisa poderia mudar. E era inevitável não encarar as mudanças. Tinha dias de nostalgia, mas também dias em que queria se manter firme no momento presente. Escrevia para manter viva a chama da criatividade. Escrevia para se entender melhor e também para que o leitor se compreendesse. Escrevia. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escritpa Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano:  O Círculo (Vol.1)  e  O Liv...

Conto: A Morte do Artista – Ben Oliveira

O que você tem feito pelo seu sonho? A pergunta o machucou mais do que um soco no olho e ele já levara tantas pancadas da vida. Pensou em quando foi que ele começou a silenciar os próprios instintos; quando a ansiedade e o medo do julgamento alheio o fizeram se fechar.

Não estava em uma bela concha, não deixaria nenhuma pérola; quando deixamos de acreditar nas coisas que movem nossos espíritos, aceleramos nossa morte. Fechara-se em um túmulo e quando seu cadáver fosse enterrado, os vermes comeriam sua carne; os ossos frágeis, como eram os dele, ficariam abandonados.

Deixaria o legado da covardia? Era um bom artista, até que tentaram domá-lo. Chamaram-no de louco. Fizeram-no acreditar que sem a escrita seria mais feliz e bem-sucedido.

O sucesso nunca veio. O prazer de criar se convertera na amargura, na destruição da alma. Poderia ser diferente, poderia ser qualquer pessoa, mas escolheu abrir mão do coração sonhador. Morreria duas vezes ao longo da vida. Só entenderia quando era tarde demais: o caixão do artista é a normalidade.

Enquanto a terra caía sobre ele, pensara que não havia morte pior do que a dos sonhos.


***
Um autor de terror aclamado e um novato sortudo best-seller recebem um convite: escrever um livro juntos. O processo de criação pode ser intenso, as emoções podem ficar confusas. Entre memórias e acontecimentos estranhos, pesadelos e ficção, linhas são ultrapassadas. Você estaria disposto a sacrificar tudo pelos seus sonhos? Leia Escrita Maldita, de Ben Oliveira, disponível na Amazon.

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