Pular para o conteúdo principal

Destaques

Autismo: Neurociências, ajustes e discussões que vão além do social

O céu de um autista pode ser o inferno do outro. Somos diferentes em todos critérios. Cada caso é um caso.



Comparar um autista como eu, que sou camaleão e tenho autonomia com um que precise de mais apoio e tenha mais limitações sensoriais não seria justo.

Eu ressalto que todo autista deve lembrar disso quando produzir conteúdo. Não adianta achar que existe um modelo único de inclusão, se ao priorizar algumas coisas, você deixa de lado outras. Por isso, abordar a questão do autismo é algo muito complexo. Da mesma forma, que não existe um personagem da ficção ou uma pessoa autista que vai representar o espectro autista inteiro.

Os ajustes que são feitos para alguns, podem ser desajustes para outros. Por isso dizemos que existem vários autismos, independente do grau.
Do mesmo modo que não existem dois autistas iguais, não existem dois aspies iguais (pessoas com Síndrome de Asperger); não existem dois aspies com superdotação iguais (pessoas com Dupla Excepcionalidade). Somos todos diferent…

O primeiro texto de 2018

Diante de tudo o que aconteceu em 2017, fiquei feliz em ver que alguns leitores elegeram meus livros, Escrita Maldita e O Círculo, entre suas melhores leituras do ano. O ano passado foi bem difícil para muitas pessoas e isso influenciou muito na quantidade e qualidade de leituras.


Presenciei escritores passando por longos bloqueios criativos e crises existenciais, assim como leitores lendo bem menos livros do que nos anos anteriores. A saúde mental faz muita diferença na hora de ler livros. Quando estamos muito presos aos problemas e às preocupações, temos dificuldades de concentração e de nos conectarmos com as histórias.

Enquanto alguns encontram na ficção uma válvula de escape e a experiência de sair um pouco da própria pele, para outros, diante de situações difíceis, os livros acabam perdendo espaço para outras formas de entretenimento – isto quando a importância da leitura de entretenimento não é desmerecida e substituída por obras de não ficção.

Acredito que foi um ano para repensar muitas coisas. No terreno da escrita e da arte, acabamos questionando o valor das produções culturais e artísticas. Foi um ano de apatia, impotência e de se perguntar sobre a importância da literatura seja pelas dificuldades usuais de produzir em um país de não-leitores com um índice baixo de leitura ou de perceber o quanto a ignorância e o ódio ficaram escancarados. É difícil para a ficção coexistir com a vida real, quando nossa realidade se tornou assombrosa. Mas talvez seja só uma questão de perspectiva e de redirecionar o olhar para as coisas que realmente importam.

Em 2018, espero continuar escrevendo minhas histórias e livros e tocando os leitores de alguma forma. A escrita não só entretém e emociona, mas também incomoda e sacode. Ao nos colocarmos no universo do outro, confrontamos nossos próprios limites. Muitas vezes, encaramos nossas sombras, as coisas que nos incomodam em nós mesmos e projetamos ou são projetadas em nós pelos outros e refletimos como construímos, mantemos e destruímos essas relações.

2017 foi um ano difícil e quando as molduras se quebram, precisamos ter a coragem para nos reinventarmos. Quando nos focamos em todas razões para não fazer determinada coisa, esquecemos de todas aquelas que fazem valer a pena. Se analisarmos pelo olhar de quem não aprecia livros, a escrita e a leitura parecem atividades bobas e desnecessárias. Tentar explicar o próprio valor do que você faz pode se tornar um fardo desesperançoso. Porém, quando pensamos em todas aquelas pessoas que dedicaram suas vidas a dar forma para os seus sonhos e em todos tocados pela magia da literatura, nos damos conta de que tudo aquilo que colocamos nossas energias e transformamos, só de ser algo único, já se paga.

Para encerrar o texto e iniciar o ano, um rabisco de 2001 do Neil Gaiman:

“Que seu próximo ano seja preenchido com magia, sonhos e boa loucura. Espero que você leia livros bons e beije alguém que pense que você é maravilhoso, e não se esqueça de fazer alguma arte – escrever ou desenhar, construir ou cantar, ou viver como só você pode. E eu espero que, em algum lugar do próximo ano, você se surpreenda”.



*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad.

Apoie um escritor brasileiro independente. Aproveite para assistir ao teaser de Escrita Maldita. O título está entre os livros mais vendidos de terror na Amazon Brasil:



Escrita Maldita entre os livros lidos em 2017 pelo Tomo Literário e indicados para leitura

Comentários

  1. Oi, Ben, de vez em quando dou uma sumida quando minha mente sobrecarrega, mas sempre volto aqui. Adoro tudo você escreve e espero que continue escrevendo por muitos e muitos anos... ano passado eu não consegui ler tanto quanto gostaria devido a uma queda na minha saúde mental, mas esse ano parece que tudo vai melhorar e pretendo ler muito mais...ainda Curiosa com seu próximo livro!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Michele! Sou super grato por suas visitas, leituras e comentários: significam muito. Super entendo você. 2017 foi um ano bem pesado para a saúde mental de muita gente. O que observei nos grupos de leitores e até nas redes sociais, foi o quanto os problemas externos e internos acabaram influenciando e muito na quantidade de leituras. Estou torcendo para que 2018 seja mais leve. Fico bem feliz com o seu entusiasmo pelo próximo livro.
      Sinta-se abraçada!

      Excluir

Postar um comentário

Obrigado pelo comentário. Volte sempre!

Mais lidas da semana