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Destaques

5 Trechos do livro Cérebro e Meditação (Wolf Singer e Matthieu Ricard)

Um bate-papo entre um monge budista e um neurobiologista sobre mente, consciência, meditação e demais assuntos relacionados ao funcionamento cerebral e bem-estar. Essa é a proposta do livro Cérebro e Meditação: Diálogos entre o budismo e a neurociência, dos autores Wolf Singer e Matthieu Ricard, publicado no Brasil pela editora Alaúde, em 2018, com tradução de Fernando Santos.


Entre convergências e divergências, os dois estudiosos da mente discutem questões filosóficas e biológicas do funcionamento do pensamento. Somos naturalmente bons ou somos influenciados por nossos ambientes e pela formação cerebral? De um lado a ciência moderna e do outro a tradição oriental sobre como percebemos a realidade.

Resultado de conversas durante oito anos entre o neurocientista Wolf Singer e o monge Matthieu Ricard, longe de responder as perguntas de forma fechada, o livro abre possibilidades de pensamento e reflexão e através da ciência e do budismo, nos lembra que nosso funcionamento cerebral é mais…

5 Razões para ler o livro As Brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley)

Quando penso nos livros As Brumas de Avalon, da Marion Zimmer Bradley, impossível não pensar em nostalgia. Apesar de não ser uma obra literária recente e ter sido publicada previamente dividida em quatro volumes, o romance de fantasia está de volta aos holofotes no Brasil com a publicação do livro único de capa dura pela Editora Planeta, em 2017.


The Mists of Avalon foi publicado pela primeira vez em 1983 e, em 1984, ganhou o prêmio Locus na categoria de Melhor Romance de Fantasia. Para quem nunca leu ou ouviu falar, Marion Zimmer Bradley recontou as crônicas das lendas do Rei Artur, a partir de uma perspectiva feminina e o romance foi considerado por vários escritores como uma das melhores versões. O livro ficou durante meses na lista de bestsellers do The New York Times e permanece relevante nos dias atuais, proporcionando várias questões para reflexão sobre o universo religioso, a figura feminina, as guerras e os relacionamentos.

Confira abaixo 5 razões para ler o livro As Brumas de Avalon (Marion Zimmer Bradley):


1) Conversão religiosa e apagamento de religiões e tradições culturais mais antigas


Paralela à história do Rei Artur, as tradições religiosas pagãs de Avalon – bem mais antigas do que o cristianismo – estão sendo apagadas com o passar do tempo pelos padres. Os povos antigos que cultuavam a Deusa e o Gamo estão lidando com a catequização e vendo sua cultura ser cada vez mais desvalorizada e demonizada. Para salvar a tradição, as sacerdotisas da ilha são guiadas pela Grande Mãe que revela suas diferentes faces, como a lua, e leva os personagens principais da história a encararem seus destinos.

Não é preciso ir tão longe para refletir sobre como o cristianismo devastou culturas. No Brasil, temos várias tribos indígenas que foram dizimadas e mesmo as que ainda resistiram, ainda há uma tentativa de conversão para o cristianismo. O problema da narrativa cristã é que ela tenta mostrar o início do mundo a partir de sua visão, quando existem religiões mais antigas. Dá para refletir bastante sobre como o paganismo foi gradualmente varrido e engolido por meio das proibições e diferentes formas de enxergar o mundo: de uma religião mais livre para uma mais focada nas punições e no medo do inferno. A parte engraçada é que muitos costumes pagãs foram incorporados e de certa forma, mesmo dentro das igrejas, as religiões antigas vivem de alguma forma.

2) Escolhas


Os personagens são escravos de suas próprias histórias. Ao reler As Brumas de Avalon, você se sente tão próximo deles e também questionando se não havia nada que eles pudessem fazer de diferente para que suas vidas fossem diferentes. Em um dos trechos dá para refletir sobre a lógica da narrativa:

“Quem procura evitar seu destino ou retardar o sofrimento apenas se condena a sofrer duplamente, em outra vida" – Marion Zimmer Bradley, As Brumas de Avalon

Mesmo quando temos liberdade, de alguma forma estamos sendo limitados. Seja na questão de cumprir seus papeis diante do que é esperado pela sociedade ou pelos deuses, os personagens descobrem que quanto mais lutam para fugir de algo, mais se aproximam daquilo. As tragédias estão nas entrelinhas e, às vezes, são bem explícitas. Quantas dores, mortes e renascimentos são necessários? Descobrimos que de um jeito ou de outro, suas trajetórias estão mais conectadas do que imaginávamos.

3) Hipocrisia religiosa e pseudo-conservadorismo


Uma das características mais marcantes no romance é a acidez. Levando em conta que no Brasil temos uma porcentagem alta de cristãos, as alfinetadas de Marion Zimmer Bradley também permanecem ideais para os dias atuais. O pensamento de procurar o pecado nos outros e não enxergar a si mesmo ou de escolher viver uma mentira a ir atrás do que deseja.

O pseudo-conservadorismo está presente de muitas formas na narrativa: julgamentos e traições, filhos bastardos, vícios, abusos e por aí vai... Apesar de estar repleto de críticas, muitos anos após a publicação do livro, a própria autora foi acusada de ser conivente com o abuso da própria filha. Esse caso chocou a comunidade de escritores de fantasia e leitores, principalmente por sua obra ter sido reconhecida justamente por mostrar o quanto as religiões, os relacionamentos e as tradições podem alienar as pessoas.

4) Mulher


As diferentes fases da lua, bem como as diferentes faces da Deusa e os papeis desempenhados pelas mulheres são esboçados no romance. Se tem algo que incomoda no romance é perceber que independente da religião, a mulher está amarrada aos costumes e sempre paga o preço.

Seja cristã ou pagã, as personagens de As Brumas de Avalon são usadas por homens e deuses, mesmo quando aparentam ser poderosas. A figura da mulher que precisa se sacrificar é explorada no romance, seja no sentido literal e/ou analógico, mesmo quem tem mais liberdade diante da sociedade e mora em uma ilha afastada – como as sacerdotisas que não estão livres dos seus fardos.

Ainda sobre a mulher na questão religiosa, dá para perceber o quanto a figura de Maria acabou servindo para manter um pouco do equilíbrio feminino no cristianismo. O apagamento da Deusa e outros deuses e a elevação de um só Deus, bem como os diferentes ensinamentos religiosos, fizeram as mulheres ficarem cada vez mais submissas e se afastarem de suas essências. A sabedoria feminina e sua relação com a magia são trabalhadas no romance. Mesmo sem entender completamente ou quando não escolheram, algumas personagens não podem evitar o contato com seus dons, como visões, cura com as ervas, feitiços e a relação com a música e a natureza.


5) Mitologia e as guerras


O ser humano é movido a histórias, querendo ou não, e em épocas de guerras, a mitologia ganha mais força ainda. A ironia do conflito entre nações e a necessidade dos mitos para incentivá-los, entreter e/ou acalmar a população, é que diferentes mitologias dialogam e existem muitas semelhanças entre elas. Se você pesquisar sobre o Rei Artur, vai perceber que várias pessoas recontaram seu mito. Sua história ficou famosa, mas não existe um consenso sobre suas origens: as linhas entre a história, as lendas e a fantasia estão bem borradas.

Guiados por deuses e missões sagradas, os homens vão para a guerra em busca de paz. Irônico, não? Não deixa de ser atual, considerando que em alguns países, o fanatismo religioso ainda é tão presente e as pessoas matam, cometem violência e abusos e se sacrificam por causa de suas tradições religiosas.

Ainda sobre as guerras, dá para refletir bastante sobre como os diferentes reinados se comportavam, as intrigas internas e como os homens e guerreiros ficavam sem rumo em tempos de calmaria. Dá para fazer muitas analogias e encontrar muitos pontos para pensar no enredo de As Brumas de Avalon e as lendas do Rei Artur com o que ainda acontece em nossos tempos: xenofobia, colonização, guerras religiosas, machismo, disputas de poder, lavagem cerebral, diferentes formas de hipocrisa e as tentativas de demonizações das religiões que não são cristãs. O lado assombrador da história e dos mitos nos faz perceber o quanto a vida se repete em círculos.

E você, já leu o livro As Brumas de Avalon? Vamos espalhar leitura... Compartilhe!

*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad.

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