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Destaques

Wattpad lança programa de monetização para escritores internacionais

Nesta terça-feira, 13 de novembro de 2018, o Wattpad anunciou em seu blog o lançamento do programa Wattpad Next (Beta), mais uma forma de monetização para escritores internacionais. O sistema de histórias pagas funciona com moedas e os leitores poderão escolher desbloquear cada parte ou comprar a história completa.


Segundo informações da equipe da maior plataforma de histórias online do mundo, em outubro de 2018, o programa começou a ser testado no Canadá, Reino Unido, México e Filipinas e a partir deste mês de novembro estará disponível nos Estados Unidos e em 2019, a previsão de disponibilidade em países falantes do Espanhol e no mundo.

De acordo com informações do co-fundador do Wattpad, Allen Lau, o programa é uma forma de ajudar os escritores a ganharem dinheiro com suas histórias e de possibilitar aos leitores apoiarem seus autores favoritos. No vídeo sobre o programa, alguns membros da equipe afirmaram que é mais uma forma dos escritores poderem investir mais tempo se dedicando…

Mary e Max: Adulto autista, solidão e amizade

Mary e Max (2009) é o título de uma animação de longa-metragem que conta a história de dois personagens que se correspondem por trocas de cartas. Mary é uma garotinha solitária que acaba se comunicando com Max. O que esperar dessa história entre uma menina da Austrália e um homem dos Estados Unidos? Mais do que você imagina.


A animação em stop motion foi escrita e dirigida pelo australiano Adam Elliot, com produção de Melanie Coombs. Em uma entrevista, Adam Elliot revelou que Max foi inspirado em um colega com quem ele trocava mensagens durante 20 anos que vive em Nova Iorque. “Como o Max, ele é ateu, judeu e tem Síndrome de Asperger. Há várias semelhanças, mas o filme não é baseado na vida dele. Eu disse que foi inspirado nele”, afirma Adam Elliot

Unidos pela solidão e pela curiosidade, Mary e Max apresenta uma história sobre como duas pessoas bem diferentes podem se conectar através das palavras e como mesmo com a distância, essa sensação de proximidade pode ser diminuída quando encontramos alguém disposto a nos entender.

“Ele sentia o amor, mas não conseguia articulá-lo” – Mary e Max

É interessante observar que, embora pessoas com Síndrome de Asperger (autistas) tenham dificuldade com a comunicação ao vivo, muitas dessas limitações são reduzidas em outras formas de interação, como é mostrado na animação: troca de cartas, mas se trazermos para o nosso contexto, a internet facilitou e muito a vida de aspies, possibilitando que eles conhecessem outras pessoas no universo virtual sem que precisassem sair de casa.

O que começa como uma troca de curiosidades culturais acaba se transformando em uma amizade. A história mostra o desenrolar de cada um deles e de que forma os acontecimentos influenciam suas cartas. Enquanto Mary está tentando juntar dinheiro, Max descobre que mesmo na fase adulta, ainda há tanto que ele não sabe sobre si mesmo.

“As pessoas geralmente pensam que eu sou indelicado e grosseiro. Não consigo entender como ser honesto pode ser considerado impróprio. Talvez seja por isso que não tenho amigos” – Mary e Max

Uma história sobre diagnóstico tardio de Síndrome de Asperger na fase adulta e de como o autismo influencia não só os próprios comportamentos de Max, mas também a maneira que ele é percebido pelos outros. Entre aproximações e distanciamentos, Mary e Max passam por diversas situações transformadoras.

“A razão pela qual eu te perdoo é porque você não é perfeita. Você é imperfeita. E eu também sou. Todos os humanos são imperfeitos” – Mary e Max

A animação é muito mais dramática que eu esperava e tem um toque melancólico. Torcemos para que os personagens se realizem, se desenvolvam e possam ser felizes, porém a dose de realismo da produção nos leva uma jornada inesperada. Angustiante e imprevisível como a existência, mesmo tentando adivinhar quais serão os destinos de Mary e Max, somos arrebatados pelo final.

Mary e Max nos faz refletir sobre a importância das amizades, mesmo quando temos dificuldades de encontrar pessoas por perto e mesmo quando as circunstâncias de vida não são as mais favoráveis. Embora Mary não seja autista, ela carrega marcas da infância que afetam completamente sua autoestima e sua estabilidade emocional; já Max luta com os desafios do dia a dia e com a dificuldade de ser entendido pelos outros, especialmente quando se mora em uma cidade grande, barulhenta e repleta de estímulos sensoriais e situações que podem causar crises autísticas.

Um filme sobre autoaceitação e amor próprio que nos mostra os desafios de uma amizade à distância e de como por mais finas que sejam as linhas que ligam as pessoas, elas podem fazer a diferença. Uma narrativa repleta de humor, ironia e tristeza, que embora a intenção não seja educar, acaba levando conscientização sobre o Síndrome de Asperger (autismo) e nos faz pensar em como nossa identidade e encontrar nosso lugar no mundo importam.

Assista ao trailer da animação Mary e Max:



*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

Comentários

  1. Quero ver esse longa por inteiro..eu tenho conhecimento de causa...a sociedade precisa aprender e compreender as pessoas que tem essa síndrome...sofrem demais se não encontram apoio!!

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    Respostas
    1. Olá, anônimo!
      Obrigado pelo comentário. É uma animação bem bonita e triste!

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