Pular para o conteúdo principal

Destaques

Travar

Nada como travar diante das aulas de matemática. Pensava que com o passar dos anos as coisas seriam diferentes, mas estava enganado. Ainda travava a cada aula, como se tivesse aprendendo um idioma desconhecido, uma linguagem difícil de decifrar. Sabia que não era impossível aprender a disciplina, mesmo que não fosse sua preferência, mas também sabia que não seria fácil como imaginava. Mesmo com as aulas gravadas ainda era difícil aprender Matemática. Para algumas pessoas, mais difícil do que para outras. Poderia parecer uma tarefa impossível, mas essa crença só piorava ainda mais as coisas. Então, ia dando uma nova chance, consciente de que as coisas não poderiam ser otimistas como esperava, mas que também não poderiam ser tão ruins. Eram dias que gravaria na memória. Dias em que se desafiava ainda que fosse fora da sua zona de conforto de estudos. Dias para travar e destravar. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escritpa Maldita , p ublicado...

Follow Me: Documentário sobre o Instagram e influenciadores digitais vai de Dubai aos Estados Unidos

Focado em entender um pouco do boom do Instagram, o mundo dos influenciadores digitais e como ele próprio pode conquistar seguidores, o diretor e roteirista franco-argelino Asri Bendacha produziu o documentário Follow Me. Para quem assina a Netflix Brasil, o último dia para assistir ao filme na plataforma de streaming é 15 de maio de 2021.

Muitos documentários disponíveis na Netflix costumam ser bastante criticados pelo público. Com Follow Me não é tão diferente e com razão. Com um humor forçado, os comportamentos de Asri Bendacha para chamar a atenção se assemelham aos de muita gente no mundo digital tentando conquistar popularidade, como ficar pedindo para pessoas aleatórias: “Me siga no Instagram”, sem se preocupar com o conteúdo e focar só nos números.

Com a ilusão do dinheiro fácil, após ler uma reportagem sobre pessoas receberem milhares de dólares por uma foto no Instagram, ele que se diz quebrado financeiramente parte à procura de conseguir o máximo de seguidores possíveis e compreender a dinâmica desse mercado. Embora esteja repleto de obviedades sobre o mundo das redes sociais, alguns pontos levam à reflexão sobre esse universo caótico e, por vezes, ilusório.

Se podemos creditar às redes sociais elementos positivos, como a possibilidade de pessoas de diferentes países conhecerem um pouco das diversas realidades – fora do olhar da mídia tradicional, muitas vezes, mais focada nas questões negativas porque gera mais audiência –, o documentário também lembra outros pontos, como a transparência dos influenciadores e das empresas anunciantes, o uso e venda de dados pessoais, a compra de seguidores reais ou falsos para inflar os números e aumentar a interação e a atenção que as redes sociais devem ter já que crianças têm instalado e usado os aplicativos.

Morador de Dubai há anos, sua produção independente de documentário da cidade Emirados Árabes Unidos foi a primeira a chegar do local a chegar à plataforma de streaming da Netflix. Ele chega a entrevistar algumas pessoas de lá, mostrando inclusive como o Instagram foi usado para incentivar o turismo da região.

Seu segundo documentário seria sobre bitcoin e criptomoedas, mas até o momento não foi lançado. No site do Indiegogo, o projeto contou só com 11 apoiadores.

Para quem se pergunta se o documentário o ajudou a ganhar seguidores e bater sua meta, no momento ele conta com mais de 15 mil seguidores no Instagram. Quando bati o olho no perfil e vi uma foto com uma camiseta “Corona: Spread the fear. Made in media”, não sabia se era ironia ou não, até vê-lo respondendo os comentários. 

O próprio documentário de Asri Bendacha serve como uma autocrítica das coisas que as pessoas fazem por dinheiro e atenção. Afinal, longe de ser uma tentativa da mídia de colocar o medo nos outros: se com tantos avisos sobre os riscos da pandemia, tantas mortes aconteceram pelo mundo, imagina se a população tivesse ficado no escuro e espalhado ainda mais o vírus?

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

Mais lidas da semana