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Destaques

Uma pausa dentro da pausa

Uma pausa dentro da pausa, às vezes, é tudo o que precisamos para recarregar as energias. Estava aproveitando de forma consciente maneiras de reduzir a quantidade de estímulos e relaxar. Relaxava não só por relaxar, mas por saber que isso ajudaria mesmo nos estudos. Tirar um tempo para si mesmo e não fazer nada, em alguns casos, é tudo o que a gente precisa. E está tudo bem estranhar no começo. Pensar que deveria estar fazendo alguma coisa. Mas não fazer alguma coisa também é fazer algo e, às vezes, para ajudar com o esgotamento, era necessário.  Dias de silêncio também eram importantes. Às vezes, o corpo e a mente pedem. Às vezes, o que você mais precisa é saber separar um tempo do seu dia para se focar em relaxar e evitar uma sobrecarga mental. Ia escrevendo pensando nos dias de silêncio. Ia escrevendo para se lembrar de que era importante este tempo para si mesmo. Ia escrevendo para lembrar que estava tudo bem e a diferença que tirar um tempo para si fazia melhor do que esperava...

Little Big Women: Filme taiwanês de drama sobre adversidades inesperadas e superações

Little Big Women (Mulheres Ocultas/孤味) é um filme taiwanês de drama sobre uma família lidando com a inesperada morte do pai ausente e de como feridas do passado voltam à tona. A obra cinematográfica foi dirigida por Joseph Chen-Chieh Hsu, roteiro em co-autoria com Maya Huang e está disponível na Netflix Brasil.

“A juventude é agridoce” canta Lin Shoying (Shu-Fang Chen) no karaokê dentro de um táxi, uma das personagens encantadoras desse filme. Com um passado de sacrifícios, a matriarca conseguiu proporcionar uma vida relativamente boa para suas filhas, mesmo com o ex-marido ausente. Porém, seu orgulho e ressentimento despertam seu lado crítico.

Com personalidades bem diferentes, as filhas encaram junto com a mãe algumas das responsabilidades e tradições relacionadas à morte do homem. Em um país com variadas influências religiosas, ao mesmo tempo em que relembra os sofrimentos, sacrifícios e esforços que passou para se reerguer, Lin Shoying guarda uma memória afetiva do ex-marido e quer que ele tenha paz no pós-morte.

Apesar de bem simples, o filme é repleto de significações e reflexões sobre a vida. Existe uma beleza dos pequenos atos em produções de drama que nos levam à catarse e nos transportam para dentro da obra: “Se fosse comigo, faria o mesmo? Faria diferente?”.

Entre escolhas nada fáceis no passado e o excesso de pressão, as filhas de Lin Shoying são singulares e essa mistura é o que torna Little Big Women tão envolvente – por trás de grandes mulheres, existem pequenas meninas? A combinação de fragilidade e força e as adversidades universais tornam o filme uma das joias da Netflix.

Os dramas secundários ficam em aberto, mas longe de desagradarem, passam a mesma sensação de que há coisas que não podemos antecipar na vida: diferenças de gerações, escolhas profissionais, doenças, dívidas, divórcios, traições, recomeços, desapegos, empatia e o alívio do perdão. 

As atriz que interpretaram Lin Shoying e Ching (Ying-Hsuan Hsieh) foram premiadas pela atuação em Little Big Women no Golden Horse Film Festival e Faro Island Film Festival. 

Fico feliz em ver a Netflix divulgando mais produções cinematográficas de Taiwan e da Ásia. Creio que durante muitos anos, muitos telespectadores tiveram mais contato com o cinema dos Estados Unidos e Europeu. O grande diferencial da Netflix tem sido a possibilidade de acompanhar filmes do mundo todo, mas é claro que ainda pode melhorar.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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