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Destaques

Dias de silêncio

Nos dias de silêncio estava dividido entre a fadiga e a ansiedade. Amava escrever, mas sentia como se não tivesse energia suficiente. Não poderia negar: gostava da sensação de estudar. Porém, os conteúdos difíceis eram como pedras: sabia que para algumas coisas precisava de um tempo a mais.  Entre aulas mais calmas, intermediárias e complexas, tentava fazer o melhor possível para aprender, sem se comparar com os outros, sabendo que cada um era único e todos tinham suas facilidades e dificuldades. A verdade era que mesmo coisas que gostávamos poderiam nos deixar cansados e tínhamos que tomar cuidado para não entrar em estado de esgotamento. Estava fazendo o possível para deixar a rotina equilibrada, de forma que não tivesse mais sobrecarga mental. O excesso de estudo poderia ser pior do que não estudar. Escrevia para registrar como os dias estavam sendo. Escrevia para matar a saudade de escrever. Escrevia para estudar. Escrevia. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Auto...

The Puppet Master: Série documental da Netflix traz casos de vítimas de um sociopata vigarista

Para quem está procurando algo intrigante para assistir na Netflix, a série documental The Puppet Master: Hunting the Ultimate Conman apresenta uma daquelas histórias que as pessoas nunca se imaginam acontecendo com elas, até que o pior acontece. Um sociopata manipulador encontra várias presas fáceis, interessado no dinheiro delas, ao mesmo tempo em que conta histórias sem pé nem cabeça para isolá-las dos familiares e dos amigos, em uma jornada marcada pelo medo, fuga e diferentes estratégias de lavagem cerebral.

Muitas vezes associada às seitas em uma escala maior, muita gente ainda desconhece os danos que uma pessoa manipuladora pode causar, a ponto de duvidar de si mesmo e da própria sanidade, situação que só piora quando ela é incentiva a cortar todos laços e fica presa num ciclo de total dependência da validação do outro, como se tivesse que pedir permissão até para existir.

Quantas pessoas foram vítimas de Robert Hendy-Freegard? A série documental se foca principalmente em três casos, de forma que não dá para saber ao longo da vida quantas pessoas e em qual grau foram afetadas pelas ações de um homem que se passava por agente de espionagem, iludia suas vítimas tentando passar uma imagem de bem-sucedido e criava várias histórias para fazer suas companhias e os familiares delas depositarem dinheiro para ele.

Os efeitos deste nível de abuso psicológico, físico e sexual, embora individuais, afetam todos ao redor. Os prejuízos financeiros que muitos familiares tiveram ao embarcar nessa jornada de mentiras são indescritíveis. Porém, o mais preocupante quando falamos de casos assim, são as questões da mente: o sociopata que se diverte quebrando o espírito do outro, sem remorso algum, e não só priva suas vítimas da liberdade, como cria muros imaginários e queima todas pontes, levando ao completo isolamento.

Além de trazer entrevistas com profissionais envolvidos na investigação, a série documental se diferencia ao entrevistar vítimas e seus familiares. As reviravoltas do julgamento são chocantes, como em muitos casos que vão à justiça, os advogados se aproveitaram das brechas – o que só revela as humilhações que vítimas desses tipos de crimes são submetidas.

Como acontecem em muitos relacionamentos abusivos e codependentes, a ficha de algumas vítimas demora para cair e, às vezes, mesmo com alertas feitos pela própria polícia sobre o histórico de Robert, uma delas continuou ao lado dele e cortou laços com a família, de forma que após conhecer mais sobre o passado do homem, muitos ainda não perderam a esperança de retomar contato com a mulher. 

A parte triste e chocante da série documental é ver o relato dos filhos e do ex-marido sobre como os comportamentos da mulher foram mudando após conhecer o vigarista. De forma similar a muitas vítimas de lavagem cerebral e seitas, o simples contato não é suficiente para fazer a pessoa enxergar a realidade e se livrar das amarras mentais que foram criadas dia após dia.

Uma série documental ótima para refletir sobre os perigos de conhecer a pessoa errada e de como mesmo quando os meios legais são envolvidos, há falhas que não só provocam sofrimento para os que já foram vítimas, como possibilitam que outras pessoas possam continuar caindo nos mesmos golpes. 

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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