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Destaques

Um Conto Taiwanês de Duas Cidades: Série de romance e drama explora raízes, sonhos e amores

Uma série de romance e drama sobre duas mulheres conectadas por suas raízes de Taiwan, mas que seguiram caminhos bem diferentes e com personalidades moldadas pelas cidades em que viveram: enquanto uma cresceu em San Francisco, nos Estados Unidos, a outra passou a vida inteira em Taipei. A série A Taiwanese Tale of Two Cities (Um Conto Taiwanês de Duas Cidades, 2018) balanceia os idiomas e experiências culturais dos dois países, criando uma experiência prazerosa para quem deseja visitar ambos destinos turísticos. Essa produção taiwanesa foi um dos achados na Netflix . A mulher que nunca saiu do país, abraça as raízes da medicina chinesa e por causa do seu histórico de saúde frágil abriu mão de muitas coisas fora de sua zona de conforto, Lee Nien-Nien (Tammy Chen) que coincidentemente sonhava em conhecer San Francisco, acaba conhecendo a taiwanesa-americana Josephine Huang (Peggy Tseng), que embora tivesse curiosidades sobre sua origem, passou praticamente a vida toda nos Estados Unidos

O Fenômeno Gaslighting: Manipulação e Distorção da Realidade como Estratégia Política

A combinação de crenças e fragilidades pode tornar alguém mais ou menos suscetível à manipulação psicológica. Diferente do que muita gente imagina, não é só o nível educacional que influencia na vulnerabilidade: prova disso é a quantidade de profissionais das mais diversas áreas de conhecimento que apoiam teorias da conspiração sem pé nem cabeça, bem como apoiam políticos que os fazem contrariar juramentos éticos e preceitos morais

Nos campos pessoal e profissional, o gaslighting pode ser devastador para a saúde mental, levando o indivíduo a questionar sua própria realidade, a imagem que tem de si mesmo e não saber diferenciar quais são seus próprios pensamentos e quais foram as ideias plantadas em sua mente. A maioria dos relacionamentos abusivos e codependentes, nos diferentes níveis – sejam amorosos, familiares e até mesmo de amizade e negócios – pode ter o gaslighting como característica consciente ou subconsciente.

No livro O Fenômeno Gaslighting, escrito pela terapeuta especialista no assunto, Stephanie Sarkis, a autora se foca mais nas relações pessoais e empresariais, mas cita de forma breve que também pode acontecer no campo político. Livros assim têm o potencial de incomodar quem nem sempre está ciente dos comportamentos tóxicos e abusivos que comete, pois servem como um empurrão para que pessoas busquem auxílio psicológico e, muitas vezes, façam escolhas decisivas, como se afastar ou terminar relacionamentos disfuncionais.

Na introdução do livro O Fenômeno Gaslighting, Stephanie Sarkis lembra que gaslighters estão por toda parte e que nos últimos anos, o termo acabou ficando mais popular graças às eleições de 2016 dos Estados Unidos, onde Donald Trump e seus apoiadores se utilizaram de fake news para desmoralizar seus oponentes – qualquer coincidência com o que aconteceu, acontece e acontecerá nas eleições do Brasil não é mero acaso, já que Jair Bolsonaro nunca escondeu sua admiração pelo político norte-americano.

“Se a confiança que temos nas fontes de notícias puder ser abalada, será mais fácil consolidar o poder e a autoridade enchendo nossa cabeça com distorções. Um caso clássico de gaslighting” – Stephanie Sarkis, O Fenômeno Gaslighting 

Adicionado ao dicionário Oxford em dezembro de 2004, o termo ficou conhecido no filme À Meia-Luz (Gaslight), de 1944. “No filme, Gregory, marido de Paula, tenta convencê-la de que ela está ficando louca, perdendo objetos que lhe são preciosos, ouvindo e vendo coisas que não existem e achando que as luzes estão piscando quando ele afirma que não estão”, afirma Stephanie Sarkis.

Conforme a pandemia avança no Brasil e o número de mortes não para de crescer, senadores da CPI da Covid estão investigando se houve omissão por parte do Governo Bolsonaro. Embora para milhões de brasileiros não seja nenhuma novidade que o político e seus apoiadores se utilizam de estratégias para manipular a população, com o mais destaque das investigações na mídia, muita gente está percebendo como ele se utiliza das mentiras para distorcer dados e fatos, o que alguns estudiosos de sistemas políticos definem como Pós-Verdade.

“Os gaslighters usam as suas próprias palavras contra você; tramam contra você; mentem na sua cara; negam as suas necessidades; exibem poder excessivo; tentam convencê-la de uma realidade forjada; fazem com que a sua família e os seus amigos se voltem contra você – tudo isso para vê-la sofrer, para consoliar o poder que exercem e para fazer com que você fique mais dependente deles” – Stephanie Sarkis, O Fenômeno Gaslighting

Somente com avaliação psicológica individual dá para entender as características de cada gaslighter e seus possíveis transtornos de personalidade. Nesta confusão de tentar diagnosticar políticos e celebridades, além de não levar em conta a possível coexistência de transtornos mentais, também acaba deixando um pouco de lado as motivações pessoais por trás das ações. Independente dos possíveis diagnósticos, pessoas que cometem gaslighting podem não estar conscientes disso, assim como existem aqueles que não sentem o mínimo remorso por suas atitudes, beirando à sociopatia/psicopatia.

Quem nunca se envolveu com um manipulador, talvez não saiba o quão perigoso é para a própria saúde mental se anular progressivamente e duvidar das próprias visões do mundo que são apagadas e substituídas pelas construções narrativas do outro. Se no nível micro, gaslighting é danoso não só para o indivíduo, mas tem efeito nas pessoas ao redor, como familiares e amigos; no nível macro, essa manipulação gera mais divisão na sociedade e uma briga de vieses e narrativas que nem sempre correspondem à realidade: como a luta contra um ‘comunismo brasileiro’ que não existe.

“Você conhece o gaslighter. É o namorado supercontrolador que envolve você porque é charmoso, espirituoso e autoconfiante. É a colega de trabalho que sempre dá um jeito de levar o crédito pelo trabalho que você faz [...] o político que nunca admite um erro; o assediador que culpa a vítima. Exímios controladores, muitas vezes eles desafiam a sua noção da realidade” – Stephanie Sarkis, O Fenômeno Gaslighting

Um exemplo clássico de manipulação observável na pandemia foi as repetições de alguns políticos de que o Covid-19 era só uma gripezinha. Como foi dito por autoridades, milhares de brasileiros acreditam na mentira e passaram a duvidar dos médicos, jornalistas e pesquisadores que alertavam sobre os perigos do vírus.

Os constantes ataques às vacinas, por exemplo, desviam o foco da população. Agora, além da sociedade lidar com o atraso na vacinação por desorganização do Governo, também vai ter que fazer um trabalho em dobro para conscientizar sobre a importância de tomar a vacina contra Covid-19. Passar a ideia de que não comprou as vacinas porque estava preocupado com a população, de que ela fosse 'virar Jacaré’, mostra uma óbvia tentativa de distorcer a realidade, mas que convence a população com crenças de hesitação da vacina.

Falar de gaslighting, pós-verdade, desinformação e fake news tem se mostrado cada vez mais importante. Na pandemia e com a proximidade das Eleições 2022 no Brasil, as redes sociais foram, estão e estarão inundadas por conteúdos de todos tipos: alguns deles conspiratórios e com maior alcance do que informações sérias, pois mexem com os ânimos, fantasias e subconscientes daqueles que estão mais predispostos para acreditar em notícias falsas e teorias duvidosas. 

O gaslighting tem um efeito perverso quando se trata de política. Apoiadores de Trump e Bolsonaro são levados a crer que notícias negativas sobre suas gestões são falsas. Por meio da manipulação, ambos políticos conseguiram distorcer as mentes de milhões de pessoas, os fazendo xingar e questionar jornais tradicionais e divulgando notícias fabricadas por jornais que mais servem como uma extensão de marketing, publicidade e propaganda, relações públicas do que de jornalismo – embora todos estejam envolvidos no universo da comunicação, tem propósitos bem diferentes. 

Diante desse caos todo, é importante que a sociedade perceba o quanto estaríamos perdidos sem o jornalismo sério. Não se trata de pautar debates de direita ou esquerda, afinal, as fake news não escolhem lados. 

Para combater a desinformação, jornalistas se dispõem a fazer o impossível, em um país de fraca segurança do profissional da imprensa e muitos ataques coordenados de ódio. Já agradeceu a um jornalista hoje?

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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