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Destaques

Mindhunter Profile 2: Especialista em serial killers compartilha experiências após aposentadoria do FBI

Após se aposentar do FBI , o ex-agente especialista em assassinos continuou sendo convidado para colaborar em alguns casos que exigiam entender melhor o perfil psicológico dos criminosos. No livro Mindhunter Profile 2 , dos autores Robert K. Ressler e Tom Snachtman , é possível conhecer um pouco mais da história de vida desta figura que deixou uma boa contribuição para a criminologia e compreensão sobre as mentes de serial killers. A obra foi publicada pela editora DarkSide Books , em 2021, com tradução de Alexandre Boide. Compre o livro Mindhunter Profile 2:  https://amzn.to/39qJjId Entre os casos explorados no livro há um que desperta o interesse por envolver algo não tão desconhecido, como o uso de transtornos mentais para diminuir as penas. Ressler percebeu um fenômeno de ex-soldados que usavam o Transtorno do Estresse Pós-Traumático como uma justificativa quando cometiam crimes e notou que muitas vezes, os históricos dos assassinos não eram checados e muitos inventavam histórias

Pandemia de Desinformação: O desafio de combater informações falsas de saúde

As discussões sobre desinformação nas redes sociais têm ganhado cada vez mais destaque nos últimos anos. Com as crises políticas, ameaças à democracia e com as questões de saúde pública, como as informações falsas sobre a pandemia, vacinação e tratamentos sem comprovação científica, que as grandes empresas de tecnologia estão tendo que lidar com a pressão de todos lados, seja para banir usuários que criam e espalham fake news, excluir perfis falsos, penalizar quem publica discurso de ódio e, uma porção mais conservadora, defendendo que seus posicionamentos fazem parte da liberdade de expressão.

Acompanhar a CPI da Pandemia se tornou algo prazeroso e angustiante para mim. Indignar-se com fake news de saúde e disseminação de tratamentos sem comprovação científica não é algo que surgiu nesses anos de Covid-19 para mim. 

Em abril de 2019, enquanto uma colega jornalista mobilizou uma grande campanha contra o MMS, substância tóxica que era vendida ilegalmente e oferecida para familiares de pessoas no espectro autista como promessa de cura do autismo, eu criei minha própria campanha virtual tentando alertar não só sobre o MMS, mas sobre outros tratamentos sem comprovação que ainda eram, são e provavelmente serão oferecidos para famílias de autistas.

Cheguei a receber agradecimentos nacionais e internacionais, já que a luta contra o MMS é internacional. Muitas pessoas pediram até mesmo para eu voltar a falar sobre o assunto, mas pela natureza de combate à desinformação, foi algo que drenou muita energia minha e deixei de lado, tendo feito o possível, de forma independente e sem recursos financeiros.

Na época, eu fiquei bem irritado ao perceber que tirando a mobilização que se criou contra o MMS, após ganhar o destaque com reportagens grandes, como a do Fantástico, os outros tratamentos sem comprovação científica continuaram no escuro no Brasil – mesmo sendo contraindicados por agências reguladoras de saúde de vários países e instituições sérias de apoio à causa autista.

Para o meu assombro ou nem tanto assim, o que parecia um capítulo encerrado, voltou à tona. O mesmo MMS (Miracle Mineral Supplement/Miracle Mineral Solution) que já havia sido criticado como tratamento falso e sem qualquer eficácia para o autismo e inúmeras outras condições, como resfriados, acne, hepatite viral, malária, HIV – e uma lista sem fim, já que seus vendedores só estão interessados no dinheiro –, estava de volta, desta vez, sendo espalhado como uma cura para o Coronavírus.

Aparentemente, as recomendações do MMS para Covid-19 não se popularizaram tanto no Brasil quanto às ofertas para autismo, cujos vendedores miravam os familiares de autistas em grupos de Facebook e WhatsApp e vídeos publicados no YouTube. Qualquer semelhança com a maneira que esses vendedores agem com os mecanismos de desinformação não são só coincidência: do mesmo modo que algumas famílias de pessoas no espectro autista ficam fragilizadas pelas dificuldades de acesso aos serviços de saúde e direitos e acabam desesperadas por uma solução mágica que não existe, familiares de pessoas com Covid-19 podem ser facilmente influenciadas a aceitar um tratamento que não existe para amenizar a angústia.

Tudo isso para dizer que: as redes sociais precisam, sim, de uma atuação mais firme no banimento e exclusão de quem promove alguns tratamentos que podem ser letais. No caso do MMS, por exemplo, o incentivo ao uso é considerado um crime de saúde pública e pelo mundo todo, já ocorreram prisões e investigações de vendedores e até mesmo familiares de autistas tiveram que responder por usar a substância ilegal, capaz de provocar náusea, vômito, diarreia e até mesmo morte por desidratação.

A quantidade de pessoas que luta para espalhar informações de qualidade e combater informações falsas de saúde é bem menor do que as que promovem curas ‘milagrosas’ e sem comprovação científica. Não dá para competir em um nível humano – nesses momentos, os algoritmos das redes sociais podem fazer diferença. Cada pessoa que acredita no discurso de uso de determinados de substâncias e remédios, sem saber ao certo quais são seus efeitos colaterais, é uma vida que poderia ter sido salva.

Puxando para a questão da pandemia, no Brasil e em outros países, a Hidroxicloroquina, Ivermectina e outras substâncias estão sendo recomendadas como tratamento sem comprovação científica, inclusive por médicos e outros profissionais de saúde. Isso reforça a importância da CPI da Covid, pois acaba sendo também uma forma ampla de informar o público e de mostrar a importância dos fatos e dados quando se trata de Ciência. 

A falta de eficácia da Hidroxicloroquina foi algo amplamente comentado por jornais e especialistas de saúde, mas por conta do viés e da confiança nos discursos de outras pessoas, muita gente acredita falsamente que existe uma conspiração da indústria farmacêutica de não querer vender o remédio como tratamento para Covid-19 por ser barato e também por preferir acreditar em alguns médicos que prescrevem e no próprio presidente, Jair Bolsonaro, do que nas pesquisas científicas sérias.

O que vejo em comum na luta contra o MMS e na luta contra a Cloroquina é a dificuldade de combater a desinformação científica quando o público-alvo não está disposto a encarar a verdade e entra em processo de negação, bem como a já citada utilização da vulnerabilidade do paciente e/ou familiar para induzi-lo a aceitar o tratamento sem comprovação científica e não recomendado por órgãos reguladores de saúde, como a FDA que aprovou o uso da Hidroxicloroquina para Malária e Artrite, mas não recomenda para Covid-19.

Mesmo com a não indicação da Hidroxicloroquina para Coronavírus, alguns veículos espalham informações que confundem mais o público, especialmente a população mais leiga. Nessas horas, o trabalho das agências de checagem de fatos e jornais têm feito bastante diferença, mas não é o suficiente porque por questões ideológicas, políticas e eleitorais, muitos brasileiros preferem ignorar algumas fontes jornalísticas e só consumir conteúdos dos jornais alinhados aos seus posicionamentos ideológicos, o que nem sempre reflete na qualidade jornalística.

Além do FDA, a Anvisa e a Organização Mundial da Saúde (OMS) também são contra o uso da Cloroquina para pessoas com Covid-19. A recomendação de alguns tratamentos sem comprovação científica para pacientes com Coronavírus vêm tanto de alguns profissionais conservadores, como do público antivacina. Uma das pessoas que ajudou a espalhar informações sobre a Cloroquina foi o Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos.

Vale notar que, do mesmo modo que a luta contra o MMS recomendado para autistas (e muitas condições) é de interesse internacional, cada vez mais a mídia, profissionais de saúde e pesquisadores da pandemia têm revelado que, embora a internet e as mídias sociais servem para informar e educar o público para proteção contra o coronavírus e a importância da vacinação, também se tornaram ferramentas com o potencial de ampliar as vozes de negacionistas, os jogando contra jornalistas, médicos e cientistas e os fazendo questionar sobre a eficácia das vacinas, das medidas de restrições sociais e da real existência de uma pandemia.

Diante do cenário caótico da pandemia, onde milhões de pessoas morreram de Covid-19 pelo mundo, as pessoas não veem a hora disso tudo passar, essa ansiedade alimenta não só a indignação de quem quer mais vacinas, mas também serve como gatilho para o negacinismo e dissonância cognitiva. 

Enquanto alguns países estão relativamente mais tranquilos por causa da vacinação avançada e souberam usar as restrições sociais para diminuir a circulação do vírus, outros, como o Brasil e a Índia estão mergulhados na tragédia humana, na qual além do mortal Coronavírus, a população também tenta sobreviver às inúmeras informações falsas e recomendações de tratamentos sem comprovação científica que circulam pela internet e, claro, o combate à fome, desemprego e colapso do sistema de saúde pela quantidade insuficiente de pessoas imunizadas e desrespeito às recomendações dos órgãos de saúde. 

A cura para a desinformação da saúde de forma ampla (não só no cenário do Covid-19) talvez não exista, pois seria praticamente impossível excluir todo mundo que compartilhe algum tratamento sem comprovação científica para qualquer doença – até porque, entre tantas recomendações, algumas chegam a ser risíveis. Porém, a vacina das redes sociais pode e deve ajudar na diminuição da circulação desses conteúdos, sempre lembrando que, em muitos casos, as substâncias e remédios errados podem provocar tantos danos e até matar, como o vírus.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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