Pular para o conteúdo principal

Destaques

Uma pausa dentro da pausa

Uma pausa dentro da pausa, às vezes, é tudo o que precisamos para recarregar as energias. Estava aproveitando de forma consciente maneiras de reduzir a quantidade de estímulos e relaxar. Relaxava não só por relaxar, mas por saber que isso ajudaria mesmo nos estudos. Tirar um tempo para si mesmo e não fazer nada, em alguns casos, é tudo o que a gente precisa. E está tudo bem estranhar no começo. Pensar que deveria estar fazendo alguma coisa. Mas não fazer alguma coisa também é fazer algo e, às vezes, para ajudar com o esgotamento, era necessário.  Dias de silêncio também eram importantes. Às vezes, o corpo e a mente pedem. Às vezes, o que você mais precisa é saber separar um tempo do seu dia para se focar em relaxar e evitar uma sobrecarga mental. Ia escrevendo pensando nos dias de silêncio. Ia escrevendo para se lembrar de que era importante este tempo para si mesmo. Ia escrevendo para lembrar que estava tudo bem e a diferença que tirar um tempo para si fazia melhor do que esperava...

Roger Stone: Documentário da Netflix expõe estrategista político trapaceiro que ajudou a eleger Donald Trump

Quem nunca ouviu falar que muitos norte-americanos idolatram o dinheiro? Alguns certamente não escondem isso e fazem de tudo pelos seus objetivos, ignorando o que os outros pensam, por mais sujas que sejam suas estratégias. No jogo político, há quem acredite que tudo é válido pela vitória. Get Me Roger Stone é um documentário norte-americano, de 2017, distribuído pela Netflix.

No documentário dirigido e escrito por Dylan Bank, Daniel DiMauro e Morgan Pehme, o telespectador conhece uma figura um tanto polêmica responsável pelo aconselhamento e estratégias de políticos, entre eles, Donald Trump. Como um dos entrevistados comenta, fica difícil determinar onde inicia e termina a influência de Roger Stone na imagem política de Donald Trump, já que ambos parecem sentir prazer pela desinformação, desmoralização e ataques dos seus opositores.

Sabendo de algumas (impossível seria saber todas) das artimanhas de Roger Stone e seu envolvimento com Donald Trump, é bem difícil acreditar que muitos norte-americanos ainda tiveram coragem de votar nele e pior ainda, mesmo com os escândalos mais recentes, ele ainda cogita concorrer de novo para presidente dos Estados Unidos. 

Embora tenha sido lançado em 2017, depois das eleições norte-americanas de 2016, me parece que o documentário e/ou as táticas descritas nele ajudaram a abrir os olhos de algumas pessoas nos Estados Unidos, já que Donald Trump não venceu as eleições de 2020. E mesmo depois de perder, suas opiniões e estratégias continuam causando caos para a democracia do país.

Para quem se irrita com informações falsas nos jornais e na internet, é impossível não se incomodar pela personalidade de Roger Stone e como ele se retrata como indiferente às suas ações profissionais que afetaram a vida de milhões de norte-americanos. Por entender bastante do comportamento humano em relação à política, ele admite no documentário que acredita que o ódio tem mais impacto do que o amor.

Chega a ser inacreditável como muitos jornalistas publicaram as declarações de Roger Stone ao longo dos anos, mesmo sabendo de suas estratégias. Além de ter jogado sujo, ajudando Trump a vencer Hillary Clinton e usado jornais de fatos alternativos e conspiracionistas como seus aliados, o próprio Roger Stone participava de eventos e falava abertamente coisas ofensivas e difamatórias sobre outros políticos.

No documentário Get Me Roger Stone, o estrategista político passa a impressão de que por mais polêmicas que sejam suas atitudes, está sempre dentro da lei. Porém, em novembro de 2019, ele foi condenado por ter mentido para o congresso durante a investigação sobre a interferência dos russos nas eleições dos Estados Unidos de 2016, além de obstrução e ameaça de testemunhas. Em julho de 2010, Donald Trump poupou o seu aliado da prisão.

Autodeclarado como trapaceiro sujo, ele já tinha trabalhado com Trump antes e foi um dos grandes incentivadores dele concorrer à Presidência dos Estados Unidos. Na campanha de 2015, não se sabe se ele se demitiu ou foi demitido, mas mesmo assim, parece ter continuado agindo nos bastidores. Segundo a BBC, Roger Stone foi condenado por sua relação na obtenção de e-mails hackeados de Hillary Clinton, cujo objetivo era prejudicar a candidata democrata. 

A história de Roger Stone parece ser antagonista da trajetória de Gloria Allred, também retratada em documentário da Netflix. Enquanto ele mente, alimenta conspirações da extrema-direita, o documentário Seeing Allred revela uma advogada feminista que torcia por Hillary Clinton e defende várias causas sociais. 

Depois de assistir ao documentário, bate aquela felicidade de lembrar que Donald Trump não foi reeleito e é inevitável pensar que há dedinho de Roger Stone na obsessão pela recontagem dos votos e incitação do caos. Também é inevitável perceber como suas ideias influenciaram políticos de diversos países. Nunca se viu tantas fake news como nos anos atuais, ataques à democracia e à liberdade de imprensa.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

Mais lidas da semana