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Destaques

Lovestruck In The City: Série sul-coreana explora as emoções e fases dos relacionamentos amorosos

Diferente de muitos doramas coreanos que são mais longos, Lovestruck In The City tem um ritmo mais ágil e leva o telespectador para os encontros e desencontros de três casais que fazem parte do mesmo círculo social, em uma linguagem mais interativa, na qual os personagens contam suas próprias versões em frente às câmeras. A série de 2020 está disponível na Netflix . Para quem não tem muito contato com o universo dos dramas coreanos, a série dirigida por Park Shin-woo é uma boa opção, já que os episódios são curtos em relação ao formato tradicional e trazem o desenvolvimento dos relacionamentos desde os primeiros episódios – fugindo um pouco do padrão no qual o telespectador tem que assistir até o final para ver os personagens se declarando e sofrendo silenciosamente. Outro diferencial em relação a muitas produções coreanas é que os atores se beijam mais e o roteiro aborda assuntos que ainda são tratados como tabus por muitas séries da Coreia do Sul, como o sexo. Porém, embora se apro

Nobody Speak: Documentário questiona frágil liberdade de imprensa contra interesses de bilionários

Nobody Speak: Trials of the Free Press é um documentário um tanto polêmico e controverso sobre a liberdade de imprensa, liberdade de expressão e como pessoas poderosas e ricas podem silenciar veículos de comunicação. O filme documental foi lançado em 2017, com direção do cinegrafista norte-americano Brian Knappenberger, com produção da First Look Media e distribuição pela Netflix.

Dois casos bem diferentes são discutidos no documentário Nobody Speak. Enquanto no caso da Gawker, os profissionais envolvidos tentam vender a ideia de que publicar um vídeo íntimo de uma personalidade norte-americana se tratava de um tema de interesse público, eu acredito que o vazamento dos vídeos sexuais do famoso só reforçam a importância de traçar melhor a questão ética no jornalismo online, tão focado nos cliques instantâneos que se esquecem que por trás de cada notícia existem seres humanos, independente do nível de fama.

Para não estragar a surpresa e os detalhes, não vou comentar muito sobre os casos. O que vale a pena destacar na primeira história é como quase sempre há mais por baixo do iceberg do que podemos imaginar. É inegável que a divulgação de conteúdos íntimos na internet pode causar danos não só para a imagem, como para a saúde mental e prejuízos financeiros – logo, se tratando disso, não acho que o site de notícias tenha sido tão injustiçado como alegam.

Porém, as motivações por trás de quem financiou o processo contam outras histórias. Até que ponto alguém é capaz de ir para se vingar de algo que aconteceu há nove anos? Sem o apoio financeiro de um bilionário, talvez o caso judicial não tenha levado à falência da Gawker.

Mais uma vez, é discutível até que ponto é possível considerar algo de interesse público tirar alguém do armário e suas consequências dentro e fora do universo digital. A homofobia ainda é um problema real e independente de se tratar de uma celebridade ou não, fazer uma revelação assim pode destruir carreiras: o suposto mundo mente aberta de Hollywod é um ótimo exemplo, no qual inúmeros atores escondem suas sexualidades e até mesmo lidam com a pressão de seus agentes e demais envolvidos nos bastidores. 

Com pensamentos contraditórios por parte do financiador do processo, o documentário alega que o caso foi uma forma de silenciar uma empresa de comunicação inteira, não só os envolvidos na divulgação do vídeo íntimo e do artigo abordando a história de um gay no Vale do Silício. O primeiro caso se conecta com o segundo quando se trata de riqueza, mas me parece que o segundo caso foi mais preocupante do ponto de vista social.

A falta de imparcialidade no jornalismo está cada vez mais evidente. O que nunca foi um segredo para jornalistas, tem levado a uma guerra ideológica maior entre leitores, especialmente nos anos de eleições. Imagine trabalhar durante anos em um jornal para um dia descobrir que a empresa foi comprada por alguém cuja identidade foi mantida em segredo. 

Em clima de investigação, possível despedida e uma mistura de emoções, uma equipe de jornalistas usou suas habilidades para descobrir quem comprou o jornal no qual eles trabalhavam e fizeram a escolha ousada de divulgar a reportagem, sem autorização do novo responsável.

A falta de transparência e o perfil do dono foram vistos como uma forma de silenciar o jornal e/ou usar o veículo de comunicação para espalhar mensagens políticas. Após rumores sobre as intenções dos compradores se espalharem pela mídia, o Las Vegas Review-Journal revelou que o novo dono era um bilionário magnata do cassino. 

Além dos jornalistas já terem escrito sobre o dono antes da compra – um deles chegou a ser processado –, havia um óbvio conflito de interesse e impossibilidade de divulgar qualquer informação que pudesse ter repercussão negativa para os negócios do novo dono.

De 2017 para 2021, muitas coisas mudaram no mundo. Discutir a liberdade de imprensa, violência contra jornalistas e silenciamento de veículos midiáticos permanece importante, mas algo não comentado no vídeo tornou-se cada vez mais relevante de ser abordado: a facilidade com a qual as fake news são espalhadas, os seus impactos na sociedade e maneiras de interromper e/ou diminuir sua transmissão nas mídias sociais.

O que achei mais engraçado ao assistir ao documentário foi que mostraram trechos de episódios nos quais Donald Trump chamou jornalistas de Fake News, quando ele próprio espalhou tanta informação falsa e conspiratória nas redes que sociais que chegou a ser banido do Facebook, Instagram e Twitter, mostrando um contraponto ao documentário: nem todo dinheiro e influência do Trump o salvou desse período no purgatório digital. 

O documentário Nobody Speak: Trials of the Free Press é um lembrete de como a democracia é frágil e pode facilmente ser minada, especialmente quando a liberdade do jornalismo perde espaço na sociedade. Embora o filme mostra dois casos e com exemplos ligados ao dinheiro como poder, é preciso lembrar que esses problemas não acontecem só nos Estados Unidos e também há forte influência de políticos na tentativa de controlar as pautas midiáticas. 

Para os que ainda acreditam no bom jornalismo, Brian Knappenberger deixou um bom ponto de discussão, mas que não deve se encerrar ali.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.


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