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Destaques

Escrevendo um novo caminho

Escrevia um novo capítulo sem ter a mínima ideia de qual direção seguir. Ia se permitindo viver o momento presente e também as surpresas que vinham pelo caminho. Cansado de repetir velhos padrões, desta vez estava apostando as fichas no novo, ainda que não fosse levar para lugar algum. Ia firme no propósito, sabendo que sem arriscar, havia muitas coisas que deixava pra trás. Então, se perguntava se já não havia chegado a hora. A hora de quê exatamente? Não fazia ideia.  Sabia que algo precisava mudar. Sabia que algumas mudanças vinham de dentro para fora, mas também que exigiam energia para mudar.  Ia se permitindo o leve desprendimento, deixando de lado tudo o que um dia fizera sentido e agora não fazia mais. Ia se libertando, para então criar novos caminhos e chegar a lugares diferentes. Se daria certo ou não, não fazia ideia, mas estava pelo menos tentando. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escrita Maldita , p ublicado na Amazo...

Escrita além dos benefícios

Escrevia para não ter que ficar engolindo sempre as emoções. Escrevia para processar os pensamentos e as emoções. Escrevia para entrar em contato com sua voz interior. Escrevia.

Muitas vezes, era somente quando estava escrevendo que se dava conta melhor das coisas que estavam acontecendo. Escrevia, pois era humano, e sabia que deveria encarar suas fragilidades. Escrevia para encontrar momentos de paz ao longo da semana.

Escrever tinha muitos benefícios, mas ainda que não tivessem, continuaria a escrever, era mais forte do que ele. Escrevia pelo prazer de escrever e também para que outros pudessem ler e se identificarem de alguma forma ou outra.

O que faria sem a escrita? Não fazia ideia. Era tão parte dele quanto qualquer traço de personalidade que não conseguia mudar. Escrever se tornara parte da sua vida há tanto tempo que poderia abrir mão de outras coisas, mas não abriria da escrita.

É sempre encarando a página em branco que as coisas começam a ganhar sentido. Sempre uma palavra puxando a outra e quando menos se dá conta, já se formou uma teia de palavras, que serviam para ajudá-lo a refletir e para encarar as coisas como elas eram.

Escrever poderia ser solitário, mas quando as palavras ganhavam a página e eram compartilhadas com leitores de diferentes partes do mundo, tudo parecia mais colorido e vibrante. Ideias que também eram compartilhadas por outros ou que ajudavam a entender mais sobre a humanidade.

Então, seguia escrevendo. Até quando? Provavelmente até o último respirar, ainda que suas palavras não chegassem até os outros, ainda que se tornassem um exercício de estimulação da memória. Ainda que as máquinas tentassem substituir os humanos na escrita, continuaria a escrever.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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