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Destaques

Causa Autista, História e Divergências Políticas no mundo inteiro

Para quem acha que o que acontece no Brasil é inédito, basta conhecer a história do autismo. As divergências políticas são parte da história do autismo. Cada conquista aconteceu por causa das lutas dos movimentos sociais organizados.


Leia: A História do Autismo: 10 Motivos para ler o livro Outra Sintonia

O Brasil não inventou o fogo. As pessoas poderiam fazer escolhas melhores se estudassem mais. Serve para quem quer falar de política, mas não conhece as questões biológicas também.

Sobre o mundo das organizações brasileiras, já falei algumas vezes: nenhuma me contempla. Nenhum dos lados acerta sempre nem vai acertar, pois cada lado tem seu viés e puxa mais para o que acredita.

O que é melhor para um autista, pode não ser para o outro, seja por questões sociais ou neurobiológicas: o assunto SEMPRE será complexo, pois o autismo é complexo, não é simples como as pessoas fazem parecer.

Quem paga o preço? Quem é invisibilizado. Quem já tem diagnóstico, dificilmente se importa com os que não…

MMS: Vendedor de produto proibido está sendo investigado por CPI de crimes cibernéticos

Notícias boas para serem lidas rapidamente. O MMS (Solução Mineral Milagrosa) é um produto proibido no Brasil, desde 2018, pela Anvisa. Em outros países, o produto e perigoso foi proibido há anos. Nesta semana (18/06/2019), um dos envolvidos com a venda ilegal de MMS foi ouvido na CPI de Crimes Cibernéticos da Assembleia Legislativa no Espírito Santo.



A notícia pode ser conferida no site da Gazeta Online: https://www.gazetaonline.com.br/noticias/cidades/2019/06/investigado-por-comercializar-mms-no-espirito-santo-e-ouvido-por-cpi-1014185933.html

Tudo pelo lucro: produto pode provocar danos


A importância da investigação está no pedido da quebra de sigilo bancário para descobrir mais informações sobre o esquema. O MMS é vendido como promessa de cura para inúmeras condições, entre elas o autismo.

O que me incomoda mais em saber isso é: o autismo não tem cura, é uma condição para a vida, mas mesmo assim, muitos familiares de pessoas no espectro autista são enganados diariamente por charlatões.

A produção, incentivo e comercialização de produtos como o MMS são considerados crimes contra a saúde pública. Além de movimentar o comércio ilegal, o produto coloca a vida de pessoas em risco, especialmente de pessoas vulneráveis, como crianças, adolescentes e adultos no espectro autista cujos pais são enganados por profissionais antiéticos.

Com promessas falsas de cura ou melhoras de sintomas, muitas pessoas se deixam levar pela narrativa conspiratória da Indústria Farmacêutica x Produtos Naturais, exceto que o MMS é composto de Dióxido de Cloro e não faz o mínimo sentido achar que existe um produto que cura/trata o autismo que foi proibido por mero acaso.

Pesquisas envolvendo tratamentos de autismo exigem seriedade. Não só de autismo. Sem nenhuma comprovação científica e nenhuma recomendação de uso, o MMS também alega curar Malária, câncer, diabetes, hepatite A, B, C, doença de Lyme, Esclerose Múltipla, Parkinson, Alzheimer, HIV/AIDS, doenças renais ou hepáticas, problemas digestivos, obesidade, tumores e cistos, depressão etc.

Só pela lista de condições que os promotores do MMS alegam que o produto cura, isso já seria suficiente para levantar suspeitas, mas precisamos levar em conta de que no mundo inteiro existem pessoas que têm pouco conhecimento científico e pouco conhecimento sobre química, saúde e funcionamento do organismo humano.

Enquanto algumas pessoas são vítimas de um esquema que lucra com a inocência e até analfabetismo científico de outros, existem pessoas que são informadas e contrariam as recomendações de órgãos reguladores, como a FDA (agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos).

Só o trabalho de conscientização não é suficiente


Embora tenha ganhado destaque na mídia no mês de abril deste ano, o trabalho de conscientização contra o MMS vem acontecendo há anos, seja dentro ou fora do Brasil. Existem inúmeras dificuldades em informar os potenciais compradores da substância: muitas pessoas passam por um processo de distorção cognitiva. Não importa o quanto alguém tenta informar, a pessoa está tão obcecada pela ideia de que o produto funciona que ela ignora todo mundo que tenha uma visão contrária, ainda que sejam depoimentos feitos por especialistas e/ou órgãos de fiscalização, como a Anvisa.

Então, por mais que seja importante fazer campanhas de conscientização, sem o trabalho de fiscalização muitas coisas continuam acontecendo. Como o produto é proibido, no mundo inteiro, as pessoas que produzem, distribuem e vendem tentam usar grupos fechados para que ninguém descubra e existem aqueles que falam e indicam abertamente, como se não fossem responsáveis pelas próprias palavras.

De que adianta várias pessoas se reunirem para alertar sobre os perigos do MMS quando existem profissionais validando o uso? No mês de abril, eu lancei uma campanha contra vários tratamentos falsos de autismo aqui no blog (que muita gente preferiu ignorar), paralelamente, mas não juntos, uma jornalista lançou uma companha contra o MMS, que acabou ganhando espaço nos sites de jornais, redes sociais e na TV aberta.

No Brasil, o analfabetismo científico é naturalizado. Qualquer pessoa te oferece uma 'cura mágica' de qualquer coisa, sem nenhuma comprovação científica. 

O público-alvo do produto é formado por pessoas que podem estar fragilizadas emocionalmente. O processo de manipulação acontece com mais facilidade quando você está à procura de uma resposta mágica. Como o próprio nome do produto diz, milagroso, que de milagre não tem nada, afinal, náusea, diarreia e pressão baixa estão entre as consequências do uso, além de lesões no trato digestivo.

Lembrando: Os profissionais de saúde têm o dever ético de alertar sobre os riscos do MMS e como o produto é proibido e perigoso, se você conhece algum profissional que está indicando, alerte a Anvisa.

Não estou dizendo de forma alguma que o trabalho de conscientização feito por autistas ativistas ou não-ativistas, familiares de autistas e profissionais da área de saúde e comunicação não são importantes, estou afirmando a importância das investigações e da fiscalização.

Se o produto era proibido em outros países e continuava/continua circulando lá e chegando até o Brasil, além da existências de pessoas produzindo suas versões caseiras do MMS em território nacional, é bem difícil conscientizar quando a pessoa encontra com facilidade onde comprar.

Sites que vendem materiais que incentivam o uso e comercializam o produto devem ser alertados, afinal, não se trata de um mero tratamento experimental, mas de uma substância corrosiva e perigosa para humanos e animais e de uma prática criminosa.
***
O que o Brasil precisa?

— De profissionais ATUALIZADOS que entendam do Espectro Autista.

O que ainda tem?

— Gente que diz que o autismo tem relação com vermes, que a lua influencia o humor, que dieta cura autismo, que vacinas causam autismo, que homeopatia cura sintomas de autismo, que não existem adultos no espectro, que diagnósticos na vida adulta são falsos, entre inúmeras outras baboseiras.

Cobrem profissionais melhores. Reclamem mesmo! Não dá para passar mão na cabeça de quem espalha informação falsa.

O brasileiro brinca com fogo porque nada funciona como deveria aqui. Muita gente já perdeu licença em outros países, foi processada e por aí vai.

*Ben Oliveira é escritor, blogueiro, jornalista por formação e Asperger. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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