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Destaques

Um Conto Taiwanês de Duas Cidades: Série de romance e drama explora raízes, sonhos e amores

Uma série de romance e drama sobre duas mulheres conectadas por suas raízes de Taiwan, mas que seguiram caminhos bem diferentes e com personalidades moldadas pelas cidades em que viveram: enquanto uma cresceu em San Francisco, nos Estados Unidos, a outra passou a vida inteira em Taipei. A série A Taiwanese Tale of Two Cities (Um Conto Taiwanês de Duas Cidades, 2018) balanceia os idiomas e experiências culturais dos dois países, criando uma experiência prazerosa para quem deseja visitar ambos destinos turísticos. Essa produção taiwanesa foi um dos achados na Netflix . A mulher que nunca saiu do país, abraça as raízes da medicina chinesa e por causa do seu histórico de saúde frágil abriu mão de muitas coisas fora de sua zona de conforto, Lee Nien-Nien (Tammy Chen) que coincidentemente sonhava em conhecer San Francisco, acaba conhecendo a taiwanesa-americana Josephine Huang (Peggy Tseng), que embora tivesse curiosidades sobre sua origem, passou praticamente a vida toda nos Estados Unidos

Liberdade de Imprensa: Relevante na Pandemia, na Democracia e na luta contra Fake News

Enquanto no Dia 03 de Maio foi comemorado o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, aqui no Brasil, neste Dia 07 de Junho é comemorado o Dia Nacional da Liberdade de Imprensa. Não é de agora que a imprensa sofre ataques, mas nos últimos anos têm se tornado recorrente que figuras políticas e seus apoiadores se utilizem do ódio e ameaças de violência e morte para o silenciamento de jornalistas.

Desafetos entre a imprensa e os governos não são estranhos, afinal, o papel dos veículos de jornalismo não é só mostrar as ações positivas – diferente do que alguns políticos e seus apoiadores acham –, mas também incentivar o debate e contribuir para a democracia. 

Com exceção dos países antidemocráticos, nos quais os jornalistas sofrem com censura e são monitorados constantemente, em países como o Brasil, a liberdade de imprensa é garantida por lei. Sem ela, o brasileiro viveria em uma realidade paralela, especialmente diante dos sistemas políticos que se estruturam com base na Pós-Verdade: sempre se utilizando da desinformação, das fake news e dos absurdos para desviar a atenção da população sobre os problemas reais.

Neste período de pandemia, o jornalismo se mostrou mais essencial do que nunca antes. Enquanto o Governo Bolsonaro tentou limitar a transparência de dados sobre os números de infectados e de mortos por Covid-19, jornalistas do G1, O Globo, Extra, Estadão, Folha e UOL se juntaram para coletar dados das secretarias de Saúde. Na época do anúncio da parceria, em junho de 2020, entre os diretores de redação, João Caminoto (Grupo Estado) declarou:

“É triste ter que produzir esse levantamento para substituir uma omissão das autoridades federais. Transparência e honestidade deveriam ser valores inabaláveis na gestão dessa pandemia. Vamos continuar cumprindo nossa missão, que é informar a sociedade”

Atualmente, o Brasil está em 111º lugar no ranking mundial da Liberdade de Imprensa, da organização internacional não-governamental independente Repórteres sem Fronteiras (RSF), baseada em Paris.  

Segundo a organização, o jornalismo independente é fundamental para a democracia. Os cinco países melhores posicionados na Classificação Mundial da Liberdade de Imprensa em 2021 são, respectivamente: Noruega, Finlândia, Suécia, Dinamarca e Costa Rica.

Confira um trecho da apresentação da Repórteres sem Fronteiras no site: 

“Como poderíamos combater atrocidades, defender direitos ou proteger o meio ambiente se jornalistas não fossem livres para noticiar fatos, denunciar abusos e alertar a sociedade?

Políticos abandonam práticas corruptas quando investigações jornalísticas revelam detalhes comprometedores de suas atividades. Torturadores interrompem o rumo assombroso de suas ações assim que são citados pela mídia. Massacres são evitados quando a imprensa concentra sua atenção e suas câmeras nos acontecimentos”.  

Desde ataques virtuais a ameaças reais, a péssima gestão da pandemia pelo governo Bolsonaro e a falta de direcionamento claro e apoio às medidas de controle sanitário fizeram jornalistas se tornarem alvos daqueles que são contra o distanciamento social e lockdown. 

Em Olímpia (SP), a sede do jornal Folha da Região foi incendiada por um bombeiro descontente com os posicionamentos em defesa às recomendações científicas que ressaltavam a importância das pessoas ficarem em casa. Dono do jornal, o editor e jornalista José Antônio Arantes teme que os ataques se repitam e que tenham mais envolvidos.

Após o atentado contra a redação, a organização Repórteres Sem Fronteiras enviou ajuda financeira para que o editor do jornal pudesse comprar um sistema de monitoramento. Além da RSF, segundo informações do Diário da Região, mais dois órgãos internacionais de proteção aos jornalistas têm acompanhado o desenrolar do caso, junto com alguns dos órgãos nacionais, Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sindicato dos Jornalistas em São Paulo e Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).  

Por causa da polarização política, das estratégias de mentir e manipular e dos ataques coordenados na internet, mesmo quem não é jornalista pode perceber uma ameaça crescente à democracia e à liberdade de expressão. 

Recentemente, o influenciador digital Felipe Neto foi investigado por criticar Bolsonaro. No dia 23 de maio de 2021, o jornalista da CNN Brasil, Pedro Duran foi realizar a cobertura de uma manifestação de apoio ao presidente Bolsonaro e foi xingado e escoltado pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. 

Hoje, a jornalista Ester Monteiro publicou no Senado Notícias um texto lembrando que o Senado Federal se juntou ao debate da liberdade de imprensa e do combate à desinformação. Nos últimos anos, há um crescimento interesse por parte de todos pelo combate às fake news, por exemplo. 

Ela comenta que alguns senadores e deputados fazem parte da CPI Mista das Fake News – no momento, está parada por causa da pandemia – e que o próprio Senado tem um serviço de verificação de informações falsas que circulam nas redes sociais, o 'Senado Verifica: Fato ou Fake?'.

Ainda de acordo com a matéria, além das pesquisas do Senado apontarem que, para mais de 75% dos entrevistados, as notícias falsas costumam ter mais visibilidade do que as verdadeiras, uma pesquisa de junho de 2020 pelo Instituto DataSenado com 1200 brasileiros avaliam que a criação de uma lei de combate às fake news vai contribuir para a redução da quantidade de notícias falsas nas plataformas, como Facebook, WhatsApp, Telegram, YouTube, Twitter, Instagram e Sites de Notícias.

Autora do livro A Máquina do Ódio, a jornalista da Folha de São Paulo, Patrícia Campos Mello chegou a ser atacada por vários apoiadores de Bolsonaro após divulgar sobre o disparo massivo no WhatsApp e como isso ajudou na eleição dele.

Em entrevista publicada em novembro de 2020, foi como se ela estivesse prevendo o que aconteceria em 2021. Questionada pela jornalista Andreia Martins da RTP Notícias, sobre os impactos das campanhas digitais de desinformação na pandemia, Patrícia Campos Mello lembrou que inúmeros canais do YouTube fizeram sucesso espalhando tratamentos sem comprovação científica contra Covid-19 e as falas públicas de Bolsonaro sobre a vacina.

“Você junta o vácuo de liderança neste sentido ou mesmo uma liderança equivocada, mais a viralização de notícias falsas, é uma tempestade perfeita. Quando tiver a vacina, sei lá quantas pessoas vão ter medo de se vacinar. O que é muito triste, porque o Brasil tinha uma cobertura de vacinas muito boa. Então, se você começa a incentivar esse tipo de desconfiança em relação à vacina ou invocar a liberdade das pessoas para não tomar vacina, você estraga anos de trabalho de saúde pública” – Patrícia Campos Mello 

Se a imprensa foi atacada semanalmente nos últimos anos, com o Covid-19, a CPI da Pandemia, a CPMI das Fake News, investigações sobre gestão e orçamentos e, principalmente, com as preocupações relativas à vacinação e às Eleições 2022, há uma percepção de que os esforços para desmoralizar o jornalismo têm perdido o efeito.

Desde sua origem, a imprensa é elogiada e criticada. Dentro do terreno das opiniões e do respeito, jornalistas sabem dos ossos do ofício, mas bem diferente disso, estimulados por um sistema de pós-verdade que se espalhou por governos de Extrema-Direita, os ataques recentes no Brasil lembram sobre a fragilidade da democracia e os perigos do retorno do autoritarismo, um período sombrio para profissionais da comunicação, artistas, professores e qualquer um que questione e critique o sistema político atual.

Diante de atos antidemocráticos, o papel da imprensa séria e independente é ao lado daqueles que lutam para manter o país longe do mundo distorcido e autoritário. O Jornalismo não é responsável por propaganda do Governo – um erro que pequenos jornais espalhados pelo país insistem em cometer, independente dos posicionamentos ideológicos por trás dos manuais editoriais. 

Se a imprensa está incomodando, é sinal de que está na direção certa. Liberdade de imprensa é luz em tempos de escuridão.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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