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Destaques

Antraz: Documentário da Netflix revela investigações feitas pelo FBI durante anos

Um pouco após os atentados terroristas contra as torres gêmeas, em Nova Iorque, Estados Unidos, no 11 de setembro de 2001, uma ameaça de antraz colocou as autoridades, como o FBI em alerta, e espalhou pânico nos norte-americanos devido à facilidade de se espalhar sem as pessoas saberem.  Dirigido e roteirizado por Dan Krauss e produzido pela Netflix e pela BBC, 21 anos após o ataque e o primeiro caso de circulação do antraz, o documentário Antraz: EUA Sob Ataque (The Anthrax Attacks) leva o telespectador para as investigações do FBI que duraram anos. O que a princípio foi alvo de muita pressão para a solução do caso, principalmente pelo medo dos norte-americanos do esporo da bactéria continuar se espalhando pelas cartas e fazendo mais pessoas adoecerem e/ou morrerem, logo foi caindo no esquecimento conforme as investigações desenrolavam fora dos holofotes.  Com a proximidade do caso do ataque às torres gêmeas, à primeira vista, o pânico generalizado fez com quem os norte-americanos

Maneiras de Amar: Livro explora como a teoria do apego em adultos influencia relacionamentos românticos

Ao longo dos séculos, diferentes visões sobre relacionamentos, apegos e interdependência foram construídos. O que muita gente não sabe é que, mesmo quando nos achamos imprevisíveis, alguns padrões podem se repetir ao longo da vida, muitas vezes, influenciados por questões emocionais da infância e a relação que crianças constroem com seus pais.

No livro Maneiras de Amar (Attached), o psiquiatra e neurocientista Dr. Amir Levine e a mestre em psicologia Rachel S. F. Heller fazem uma análise sobre como a teoria do apego, inicialmente aplicada somente na infância, também pode servir como determinante e traz uma assombrosa previsão sobre comportamentos em relacionamentos amorosos em adultos. No Brasil, a obra foi traduzida por Livia de Almeida e publicada pela editora Sextante, em 2021.

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Não só a relação da infância determina os estilos de apego, como muitos podem mudar ao longo dos anos, como outros fatores, mas as pesquisas e os estudos sobre o assunto jogam luz em três estilos de apego principais: seguro, ansioso e evitativo. Entender melhor sobre os estilos de apego possibilita a compreensão até mesmo de comportamentos na era digital e outras questões atuais, como o ghosting, breadcrumbing, stonewalling (tratamento de silêncio), a necessidade que alguns têm de mandar mensagens demais, evitar responder mensagens e/ou se comunicar com segurança, entre inúmeras situações que fazem as pessoas agirem de forma subconsciente, se aproximando com naturalidade, fugindo por medo de intimidade ou se aproximando e fugindo com base na ansiedade.

O que a princípio pode parecer meio impossível de servir como um norte, já que todos somos complexos, tem sido usado por psicólogos de diferentes partes do mundo para ajudar na compreensão da necessidade de apego dos seus pacientes e dos seus parceiros e/ou potenciais parceiros. 

Pessoas com estilo de apego ansioso, por exemplo, podem sentir necessidade de reassegurar o que seus parceiros sentem por elas, enquanto, os evitativos podem ver alguns comportamentos como exagerados e se fecharem. Entendendo os diferentes comportamentos, também é possível evitar que casais caiam em situações disfuncionais e compreendam as diferentes necessidades, sem levar para o lado pessoal, quando se tratam de padrões que se repetem ao longo do tempo.

“Aparentemente, como sugerido por Bowlby, o apego segue ocupando papel de destaque ao longo de todas as fases da vida. A diferença é que os adultos são capazes de um maior nível de abstração e por isso nossa necessidade de presença física contínua do outro pode ser, às vezes, temporariamente substituída pela consciência de que essas pessoas estão disponíveis para nós do ponto de vista psicológico e emocional. Mas o essencial é que a necessidade de conexão íntima e a garantia da disponibilidade do nosso parceiro continuam a desempenhar um papel importante ao longo de toda a nossa existência” – Levine e Heller, Maneiras de Amar

O contraste entre o comportamento cultural da nossa época e os achados da teoria do apego em adultos mostra como algumas noções sociais levam a desconsideração de aspectos individuais, levando a pensamentos distorcidos de culpa sobre si mesmo e o outro. A combinação entre parceiros ansiosos e evitativos, por exemplo, pode levar a um sentimento de culpa de ambos lados, quando os dois não entendem porque são do jeito que são e podem ficar presos em uma dança de idas e vindas, aproximação e distanciamento.

O livro traz orientações para pessoas com estilo de apego ansioso e uma recomendação que pode incomodar (ou não) alguns leitores, recomendando evitar pessoas com estilo de apego evitativo e focando nas pessoas com estilo de apego seguro. Embora a orientação possa parecer óbvia, é paradoxal como as pessoas com esses estilos de apego se atraem, muitas vezes, para confirmar suas crenças: de insuficiência ou perda de uma suposta liberdade, já que um busca intimidade (ativação) e o outro tenta fugir dela a todo custo, ainda que se utilize de estratégias subconscientes de afastamento e desativação.

Já quando se tratam de pessoas com o estilo de apego evitativo, os autores lembram que não é impossível mudar, mas ressaltam que na maioria das vezes essas pessoas não reconhecem seus padrões de comportamento e sua parcela de culpa nos fins dos relacionamentos. Além disso, como a necessidade de apego faz parte da natureza humana e não se trata simplesmente de uma questão psicológica, mas biológica, por trás da falsa noção de autossuficiência e independência, muitas vezes, se ocultam questões como a solidão e a incapacidade de percepção que muitas das dificuldades de estabelecer relacionamentos íntimos vêm desses elementos do subconsciente e de ações de desativação emocional. 

O estilo de apego seguro é o mais elogiado pelos autores por não fazerem joguinhos e serem diretos na comunicação, evitando a noção de que a outra pessoa precisa adivinhar o que ele está pensando ou sentindo e criando segurança capaz não só de ativar o sistema de apego, como de contribuir para que pessoas com estilo ansioso, por exemplo, comecem a agir de forma mais segura quando estão com um parceiro assim. 

O que eles encorajam e muitos outros psicólogos que trabalham na área é a comunicação efetiva, tanto para expressar e reconhecer se o parceiro é capaz de atender suas necessidades afetivas quanto para diminuir a quantidade de conflitos no relacionamento. Enquanto pessoas com estilo de apego seguro são assertivas, as com estilo ansioso podem criar situações de ‘comportamento de protesto’ para chamar a atenção, enquanto as com estilo evitativo evitam a comunicação quando se trata de intimidade.

“A teoria do apego adulto já provou várias vezes que quando se trata de estilo de apego somos maleáveis. E nunca é tarde para aprender novas habilidades nos relacionamentos” – Levine e Heller, Maneiras de Amar

Algo bem interessante de entender nos comportamentos de cada estilo de apego é de que mesmo quando uma ação possa ser semelhante, suas motivações subconscientes ou até ativas por trás são diferentes: alguém com apego seguro pode permanecer perto de parceiros com outros estilos de apego porque se sentem dispostos a ajudar, já o ansioso com medo de ser abandonado tenta se ajustar às necessidades de um parceiro evitativo e o evitativo pode até mesmo gostar de alguém, mas não saber expressar suas emoções e criar crenças limitantes sobre a necessidade de manter seu espaço. O mesmo pode ser observado em inúmeros exemplos ao longo do livro. 

É importante mencionar que embora o livro aborda a questão dos estilos de apego e fornece conselhos, não se aprofunda em pontos complementares que podem ser a razão das pessoas se sentirem desse jeito, como traumas, distorções cognitivas, transtornos de personalidade, transtornos mentais e condições neurológicas – inúmeros elementos que podem vir a influenciar na questão da autoestima, feridas emocionais, alexitimia (dificuldade de identificar emoções) e até mesmo os problemas modernos, como o Burnout e Fadiga Pandêmica, que podem afetar a disponibilidade emocional e a abertura para diferentes experiências.

Com uma linguagem bem simples, os autores de Maneiras de Amar expressam suas opiniões fundamentando em casos reais. Para quem quer se aprofundar no assunto, há bastante conteúdo produzido por psicólogos na internet. O que fica ao final do livro é a compreensão de que, embora haja uma pressão cultural nos tempos atuais para empurrar a ideia de independência emocional, em um nível biológico, somos mais interdependentes do que imaginamos e isso influencia positivamente a saúde e o bem-estar, mas nas condições inadequadas e incompatíveis, quando os envolvidos são incapazes de reconhecer seus próprios padrões e não têm ferramentas para mudá-los, podem gerar constantes desgastes emocionais e levar uma autoculpa de algo que é simplesmente inerente ao estilo de apego do outro.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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