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Destaques

Seis meses sem cigarro

Seis meses sem cigarro. Há um tempo parecia algo impossível de alcançar e aqui estava ele: estaria mentindo se dissesse que ainda não tinha fissura, mas havia conseguido controlar bem mais como nunca imaginara antes. Seis meses davam uma sensação boa. Seis meses sem fumar um cigarro, mesmo passando por inúmeras situações de estresse e de ansiedade. Seis meses aprendendo a regular as emoções de forma a não descontar no vício. Os meses iam passando. Datas que antes pareciam impossíveis se tornam reais. Já imaginara quando seria quando completasse um ano sem cigarro. Ia escrevendo para comemorar e lembrar que os pequenos dias também importavam. Escrevia para lembrar que o difícil não era impossível e qualquer um poderia conseguir se livrar do cigarro, por mais difícil que parecesse no início. Escrevia para agradecer a si mesmo por ter se libertado de algo que fazia tão mal e muita gente ainda acreditava que fazia bem. Escrevia para deixar claro que não queria voltar atrás e mesmo nos dias...

Oh My Baby: Drama coreano sobre jornalista com o sonho de ser mãe

Oh My Baby é um drama coreano que se desenrola lentamente e toca em pontos sensíveis sobre como o sonho de uma jornalista de ser mãe – ainda que solteira e por conta própria, por questões de idade e fertilidade – é tratado como um tabu na Coreia do Sul. 

Ha-ri é (Jang Na-ra) uma jornalista em uma revista sobre bebês. Ao mesmo tempo em que seu trabalho faz seu sonho crescer mais ainda, por estar em contato com mães e crianças e escrever sobre o assunto, por questões de saúde ela descobre que sua vontade pode estar distante de se tornar real.

Conforme se aproxima dos 40 anos, Ha-ri bota mais pressão em si mesma, mas também sente o preconceito vindo de todos lados – até mesmo no seu trabalho. Quando suas esperanças parecem perdidas, três homens surgem alimentando sua fantasia de encontrar um doador – cada um com suas próprias experiências e expectativas em relação à jornalista.

A série se movimenta em um ritmo bem lento, que permite ao telespectador acompanhar mais questões não só da protagonista, mas de outros personagens principais e secundários. Questões como recomeçar e encontrar sentido na vida, bem como o medo de se machucar, o arrependimento de não tentar e os possíveis sacrifícios que as pessoas fazem quando entram em um relacionamento.

Embora seja envolvente acompanhar o trabalho da protagonista, o que chama a atenção é a maneira que ela é tratada pelos outros por uma ótica negativa e como ela vai conquistando a empatia progressivamente conforme vai se abrindo e enfrentando as barreiras dentro da própria empresa e descobrindo que não só as mães, como os pais também acabam perdendo importantes momentos diários por questões profissionais.

Com reflexões nas entrelinhas sobre a vida e algumas cenas cômicas que aliviam a tensão, Oh My Baby mostra como as tradições de família ainda pesam na cultura sul-coreana e a pressão coletiva em cima de uma mulher que corre contra o tempo e luta contra as probabilidades para conquistar seu sonho de ser mãe, sem abrir mão da sua carreira mesmo nos tempos de incertezas.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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