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Destaques

Nostalgia da nostalgia

Dias de nostalgia da nostalgia, em que parecia sentir falta de algo ou alguém. Dias em que sabia que era delicioso se perder na sensação de que o passado proporcionava, mas que sabia a importância de voltar a atenção para o presente. Então, os dias continuavam seguindo, mesmo quando uma parte nossa insistia na nostalgia. Nostalgia boa era coisa temporária, mais do que isso poderia se tornar tóxica. A verdade era que escrevia para dar sentido às coisas. A verdade era que tinha uma relação dupla com a nostalgia; em alguns instantes, adorava, em outros, achava que era o pior que poderia acontecer. Escrevia, então, na esperança de continuar mantendo a nostalgia sob controle, aceitando que o passado não voltaria e estava tudo bem ressignificar as coisas. Ao dar um novo sentido, a nostalgia também se transformava. E, então, quem sabe poderia se manter em um nível mais saudável e menos tóxico. Se apegar à nostalgia, mas sentir os pés firmes no presente.  *Ben Oliveira é escritor, formado ...

Oh My Baby: Drama coreano sobre jornalista com o sonho de ser mãe

Oh My Baby é um drama coreano que se desenrola lentamente e toca em pontos sensíveis sobre como o sonho de uma jornalista de ser mãe – ainda que solteira e por conta própria, por questões de idade e fertilidade – é tratado como um tabu na Coreia do Sul. 

Ha-ri é (Jang Na-ra) uma jornalista em uma revista sobre bebês. Ao mesmo tempo em que seu trabalho faz seu sonho crescer mais ainda, por estar em contato com mães e crianças e escrever sobre o assunto, por questões de saúde ela descobre que sua vontade pode estar distante de se tornar real.

Conforme se aproxima dos 40 anos, Ha-ri bota mais pressão em si mesma, mas também sente o preconceito vindo de todos lados – até mesmo no seu trabalho. Quando suas esperanças parecem perdidas, três homens surgem alimentando sua fantasia de encontrar um doador – cada um com suas próprias experiências e expectativas em relação à jornalista.

A série se movimenta em um ritmo bem lento, que permite ao telespectador acompanhar mais questões não só da protagonista, mas de outros personagens principais e secundários. Questões como recomeçar e encontrar sentido na vida, bem como o medo de se machucar, o arrependimento de não tentar e os possíveis sacrifícios que as pessoas fazem quando entram em um relacionamento.

Embora seja envolvente acompanhar o trabalho da protagonista, o que chama a atenção é a maneira que ela é tratada pelos outros por uma ótica negativa e como ela vai conquistando a empatia progressivamente conforme vai se abrindo e enfrentando as barreiras dentro da própria empresa e descobrindo que não só as mães, como os pais também acabam perdendo importantes momentos diários por questões profissionais.

Com reflexões nas entrelinhas sobre a vida e algumas cenas cômicas que aliviam a tensão, Oh My Baby mostra como as tradições de família ainda pesam na cultura sul-coreana e a pressão coletiva em cima de uma mulher que corre contra o tempo e luta contra as probabilidades para conquistar seu sonho de ser mãe, sem abrir mão da sua carreira mesmo nos tempos de incertezas.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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