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Destaques

Welcome to Wedding Hell: Drama coreano sobre a pressão de organizar casamento

Das diferenças de perspectivas até opções de escolhas movidas por questões financeiras e/ou pessoais, Welcome to Wedding Hell é uma série coreana que aborda como o simples pedido de casamento e suas consequências podem se tornar algo insuportável para todos envolvidos, especialmente para o casal que sente a maior pressão. Disponível na Netflix. O que deveria ser algo prazeroso se torna rapidamente em algo doloroso e confuso para os envolvidos na preparação do casamento. Com o estresse, vem os desencontros entre os personagens, que precisam lutar para se reconciliarem até a data do evento de união. O que eles julgavam que seria mais simples e teriam mais autonomia por parte da família, acaba se transformando numa recorrente dificuldade de comunicação e expressão sobre os sentimentos. Para agradar um, outro acaba sendo desagradado e não há uma solução tão fácil de ser tomada como costumaram imaginar. Welcome to Wedding Hell é um drama coreano curtinho, ideal para quem não gosta de drama

Dopamina: Livro explora como a substância está relacionada ao desejo, controle e criatividade

Para quem deseja entender melhor sobre comportamento humano, o livro Dopamina: A Molécula do Desejo joga luz sobre como a substância atua nos mecanismos de motivação e recompensa, escrito de uma maneira mais fácil de entender para os leitores que não tem tanto conhecimento sobre neurociência. Escrita pelos professores e pesquisadores Daniel Z. Lieberman e Michael E. Long, a obra foi publicada em 2023 pela editora Sextante, com tradução de Paulo Afonso.

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Misturando especulação e experimentos científicos, os autores falam na mensagem introdutória como o cérebro é complexo e, alguns estudos até se contradizem, mas buscaram selecionar materiais que fossem relevantes.

“A ciência não é apenas confusa; às vezes pode ser bizarra. A busca pela compreensão do comportamento humano pode assumir formas estranhas. Não é como estudar substâncias químicas em um tubo de ensaio ou mesmo infecções em pessoas vivas. Os pesquisadores do cérebro precisam encontrar maneiras de desencadear – em um ambiente de laboratório – comportamentos importantes, às vezes sensíveis, motivados por paixões como medo, ganância ou desejo sexual. Quando possível, optamos por estudos que evidenciam essa estranheza” – Daniel Z. Lieberman e Michael E. Long

Desde de sua descoberta em 1957, passando por estudos e exemplos, os autores abordam como a formação de relacionamentos e até perda de interesse estão relacionados à dopamina. Embora seu estímulo esteja ligado à sensação de novidade, Lieberman e Long ressaltam que é importante lembrar que esta ação não dura para sempre, especialmente quando se tratam de relacionamentos românticos.

Apesar de fazer parte do início de muitos relacionamentos, especialmente por conta da sensação insaciável proporcionada pela dopamina, os autores relatam que outras substâncias começam a agir no cérebro e ajudam com a transição de um relacionamento mais focada no desejo para um relacionamento mais sério e de parceria a longo prazo entre os envolvidos. Logo, relacionamentos focados só na paixão podem não durar tanto tempo.

“Quando se trata de amor, o romance apaixonado desaparecerá mais cedo ou mais tarde. E então temos uma escolha. Podemos fazer a transição para um amor alimentado pelo apreço diário por aquela pessoa, aqui e agora, ou podemos terminar o relacionamento e procurar outra montanha-russa. Optar pelo estímulo dopaminérgico exige pouco esforço, mas o efeito acaba rápido, como o prazer de comer um bombom […] Eis por que, quando a liberação de dopamina do romance inicial termina, muitos relacionamentos também chegam ao fim” – Daniel Z. Lieberman e Michael E. Long

Embora fosse e seja um mecanismo fundamental para a sobrevivência, os autores comentam quando as coisas fogem de controle em relação à dopamina, desde a simples busca por um alimento que desperta o interesse até o desenvolvimento de vícios em drogas – mecanismo parecido com o vício em comida e em sexo.

Em relação às drogas, Lieberman e Long ressaltam que há diferença na velocidade de liberação e na quantidade de dopamina, tornando algumas substâncias mais viciantes do que outras e influenciando na alteração de comportamento pela interrupção de dopamina e necessidade de obter mais e mais.

“O comportamento impulsivo ocorre quando se dá muito valor ao prazer imediato e pouco às consequências a longo prazo. A dopamina do desejo domina as partes mais racionais do cérebro. Fazemos escolhas que sabemos ser más, porém nos sentimos impotentes para resistir” – Daniel Z. Lieberman e Michael E. Long

Ao mesmo tempo em que determina escolhas impulsivas, a dopamina também influencia em decisões que exigem esforço. Logo, tão problemático como o excesso de comportamentos guiados pela dopamina, sua ausência e/ou diminuição também afetam a tomada de decisões. Além de guiar o circuito do desejo, Lieberman e Long também exploram como a dopamina age em um circuito de controle, ajudando a explicar em partes como o indivíduo determina certa ação diante de escolhas.

Mas nem só de prazer e controle se percebe a importância da dopamina. Determinados transtornos mentais, como esquizofrenia e transtorno bipolar podem ocorrer quando há muita ativação do circuito de dopamina e provocar psicose, delírios, paranoia e comportamentos maníacos. Os autores também falam sobre o papel da dopamina na criatividade e explicam casos de pessoas que tomaram substâncias dopaminérgicas e tiveram sua criatividade aumentada.

“Costumamos criar relações emocionais com os personagens das histórias. Se for uma narrativa bem escrita, os sentimentos que desenvolvemos pelos personagens podem ser muito semelhantes aos que temos por pessoas reais” – Daniel Z. Lieberman e Michael E. Long

Quem poderia imaginar que o circuito de dopamina influenciaria até mesmo as decisões políticas? Assunto polêmico e que necessita de mais pesquisas, os autores tentam traduzir como estudos realizados revelaram como a dopamina está envolvida com o direcionamento político (do conservadorismo ao liberalismo) e mudanças, mas não só ela, como a interação com outros neurotransmissores. 

Fundamental para a sobrevivência humana, a dopamina também está relacionada às conquistas e às possíveis aniquilações. De forma geral, Lieberman e Long falam sobre a importância de uma vida equilibrada, ou seja, na qual não só se priorize o sistema de dopamina, mas também os outros neurotransmissores que contribuem para um olhar voltado para o presente – algo que tem se tornado cada vez mais difícil por conta da tecnologia e tantos estímulos.

Ao final de Dopamina: A Molécula do Desejo, é impossível não pensar sobre como algo tão importante para o ser humano, também pode ser tão destruidor, seja pela ânsia de estimular sempre a agir/consumir mais, como por estar tão voltada para os pensamentos do futuro que acaba afetando a tomada de decisões do presente com base na empatia. Os autores também deixam uma leve reflexão sobre os riscos da inteligência artificial, já que a inovação tecnológica e o pensamento criativo estão relacionados à dopamina.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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