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Destaques

Um ano e um mês sem fumar cigarro

 No primeiro ano e um mês sem fumar cigarro situações estressantes podem servir como gatilho para uma recaída, mas consegui me manter longe do cigarro. Até quando vou conseguir? Não faço ideia, mas preciso continuar tentando. A ilusão de que o cigarro pode ajudar com a ansiedade, nos faz esquecer que ele próprio pode causar ansiedade. Logo, mesmo que sirva como um alívio momentâneo, não significa que é a melhor escolha. Assim como vivem aqueles com dependência, é preciso saber viver um dia de cada vez e estar preparado para caso o pior aconteça. Manter-se a uma distância segura dos gatilhos pode diminuir o impacto e não aumentar a dose repentina de fumar cigarro. Tudo muito mais fácil na teoria do que na prática, mas que funciona. Ia, então, passando os dias. Preenchi as horas com poesia. Tinha sempre algo novo a aprender. E ia renovando a esperança de deixar o cigarro no passado de uma vez por todas. Ia aprendendo a regular as emoções e não dar mais importância do que as coisas ti...

Sobre quadrados, círculos e estrelas

Era para ser só mais um dia comum. O triângulo que guardava no peito havia se dissolvido e novas formas em breve se formariam. Se estava ansioso? A resposta óbvia era que sim. O novo o excitava, mas também o deixava em um turbilhão de ansiedade. Mãos e dedos foram soltos. Estava sozinho novamente, como uma profecia auto realizável. 

O novo era um caminho cheio de possibilidades, entre as quais com certeza trombaria com uma série de improbabilidades, mas para seguir em frente, tentava se focar nos caminhos que trariam tranquilidade e paz no coração e que também o incendiava, uma combinação bem difícil de encontrar.

Sentiu uma espécie de paz dentro do peito. Estava livre? Nunca estivera preso. Tudo se tratavam das malditas expectativas que tinham sido criadas. O tempo inteiro se sentindo como um pássaro dentro da gaiola quando a porta nunca estava trancada. Criara para si o seu próprio inferno. Havia se queimado tanto que achou que nunca mais iria se recuperar, mas a hora havia chegado.

Esqueça os triângulos, repetiu para si mesmo. Lembre-se dos quadrados, círculos e das estrelas. Havia um mar de possibilidades, o que o deixava em estado de êxtase e de completa paralisia. Não sabia para qual caminho seguir, então tudo o que fez foi alinhar o corpo, a mente e o espírito para que de alguma forma servissem de bússola, âncora e motor.

Uma dança nova se iniciava. Não sabia a coreografia, mas poderia aprendê-la se tivesse tempo o suficiente. O coração antes encaixado em um triângulo, pulsava e havia quebrado a forma. Se havia aprendido a lição, só o tempo diria, mas agora tudo o que conseguia pensar eram nas novas linhas e seus desenhos. Se ao menos conseguisse segurar na mão, antes que tudo desabasse e encontrasse novas formas de ser e de sentir.

Mentiria se dissesse que era fácil. Encontrava uma lógica no caos organizado. Tudo era possível e impossível. Tudo poderia acontecer, inclusive nada. O tudo o encarava, devorava, mastigava e o cuspia. Tudo parecia bom demais para ser real. Tudo parecia nada.

Então, seguia em sua busca, na esperança de que fosse reconhecido e encontrado. Nada seria como antes. Nada seria igual depois. Em uma metamorfose se via encarando novas estrelas, tentando formar constelações e se deixando guiar pelo brilho. Em sintonia consigo mesmo sabia que não poderia confiar só na intuição, mas também sabia que sem ela, nada ele seria. 

Seguia buscando enquanto o texto era escrito, enquanto torcia para a noite chegar e ver novas estrelas se formando. Não queria pensar mais nos finais. Só tinha um guia, se permitir viver o presente e aberto para novas possibilidades. E para ver estrelas, às vezes tudo que era preciso era um “me dá um beijo?”.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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