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Destaques

Mais um dia de sol

Uma dose diária de sol o lembrava da importância de cuidar da saúde mental. Mas também o lembrava da importância diária do sol em sua vida, ajudando a encher de energia e despertar. Mais um dia de sol era tudo o que precisava.  Os dias de sol era o que buscava. Os tempos em que gostava do frio tinham dado lugar ao sono. Mas o sol, ele ajudava a renovar a esperança de que tudo ia ficar bem.  Depois de tantos dias de frio e sono, estava se reacostumando com os dias de sol. Quem diria que chegaria o dia que valorizaria mais os dias de calor do que os frios. A verdade era que as pessoas mudavam. Em alguns anos, tudo pode mudar. Mas há aquelas coisas que permanecem vivas em nossas vidas, aquilo que nós movia, como a escrita. Escrevia para manter o sonho vivo. Escrevia para inspirar. Escrevia e continuaria a escrever, seja frio ou calor, com preguiça ou energia. Escrevia. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escritpa Maldita , p ublicado n...

Escrever para esquecer

Escrevia não só para lembrar, escrevia também para esquecer. Havia quem gostava de escrever uma carta e queimá-la depois. Havia quem gostava de guardar em um lugar onde não veria com frequência e então ler com calma depois, para ver como as emoções haviam mudado ou não. Havia quem escrevia e resistir à tentação de amassar o papel e jogar fora, guardando para quando precisasse se lembrar do porquê havia precisado esquecer.

Não havia um jeito certo ou errado, mas era durante o ato da escrita que os pensamentos se organizavam e era possível se tornar mais consciente das emoções, como felicidade, raiva e tristeza. Era uma ferramenta útil para se libertar dos pensamentos que insistiam em se repetir na mente, tentar processar o que está acontecendo e deixar que o tempo leve essas memórias indesejadas.

Somente esperar o tempo passar não era o suficiente. Muitas vezes, era preciso acrescentar várias doses de atividades terapêuticas e, claro, separar um tempo livre para sentir as emoções e só então se ver livre delas. Era muita ingenuidade acreditar que somente o tempo era capaz de curar tudo, muitas vezes, exigia uma dose de autorresponsabilidade, mudanças de hábitos e comportamentos e saber o momento de agir e o momento de descansar.

Ficar ativamente pensando nos problemas nem sempre é útil. Muitas vezes, precisamos do silêncio para encontrar as respostas que precisamos. Colocar as coisas no papel poderia fazer muita diferença, poderia te fazer enxergar coisas que não estava enxergando antes. Também poderia ajudar no processo de deixar ir, uma forma de buscar uma dose de catarse, de lembrar que tudo está conectado de alguma forma e podemos tomar ações para mudar a direção quando necessário.

Foi encerrando ciclos, coisas e pessoas que não estavam funcionando mais. Dia após dia, ia escrevendo um pouco, na esperança de colocar para fora e fazer uma faxina mental, de criar novas memórias e se abrir para o novo. Foi lembrando de como todos hábitos estavam relacionados, e era um acúmulo de pequenas coisas que faziam a diferença, é claro, sem deixar de lado um horário para sentir as emoções e só então despedir-se delas. Escrevia para lembrar, escrevia para esquecer.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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