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Destaques

Fissura

Quase completando 1 ano e 2 meses sem fumar cigarro, não poderia deixar de falar dela: fissura. Às vezes, ela aparece quando menos se espera e o tempo por mais curto que seja, parece durar uma eternidade. O que fazer, então, para lidar com a fissura de fumar cigarro? Não acredito que existam respostas fáceis, mas o ideal é resistir, pois basta um cigarro para, muitas vezes, você acabar voltando a fumar. É mais fácil resistir à tentação do que lidar com as consequências. É preciso lembrar que esse tempo vai passar e tentar pensar em hábitos saudáveis, formas de ocupar a mente. Quando você menos espera, a fissura já passou. Enquanto ainda não existe uma vacina contra o cigarro, lidar com o vício em nicotina exige disciplina e força de vontade. É ao resistir dia após dia que o organismo vai se recuperando e se desintoxicando, e, muitas vezes, parando de sentir falta da substância, mas nem sempre completamente. A fissura, muitas vezes, surge do pensamento de como antigamente você usaria o ...

Escrever para esquecer

Escrevia não só para lembrar, escrevia também para esquecer. Havia quem gostava de escrever uma carta e queimá-la depois. Havia quem gostava de guardar em um lugar onde não veria com frequência e então ler com calma depois, para ver como as emoções haviam mudado ou não. Havia quem escrevia e resistir à tentação de amassar o papel e jogar fora, guardando para quando precisasse se lembrar do porquê havia precisado esquecer.

Não havia um jeito certo ou errado, mas era durante o ato da escrita que os pensamentos se organizavam e era possível se tornar mais consciente das emoções, como felicidade, raiva e tristeza. Era uma ferramenta útil para se libertar dos pensamentos que insistiam em se repetir na mente, tentar processar o que está acontecendo e deixar que o tempo leve essas memórias indesejadas.

Somente esperar o tempo passar não era o suficiente. Muitas vezes, era preciso acrescentar várias doses de atividades terapêuticas e, claro, separar um tempo livre para sentir as emoções e só então se ver livre delas. Era muita ingenuidade acreditar que somente o tempo era capaz de curar tudo, muitas vezes, exigia uma dose de autorresponsabilidade, mudanças de hábitos e comportamentos e saber o momento de agir e o momento de descansar.

Ficar ativamente pensando nos problemas nem sempre é útil. Muitas vezes, precisamos do silêncio para encontrar as respostas que precisamos. Colocar as coisas no papel poderia fazer muita diferença, poderia te fazer enxergar coisas que não estava enxergando antes. Também poderia ajudar no processo de deixar ir, uma forma de buscar uma dose de catarse, de lembrar que tudo está conectado de alguma forma e podemos tomar ações para mudar a direção quando necessário.

Foi encerrando ciclos, coisas e pessoas que não estavam funcionando mais. Dia após dia, ia escrevendo um pouco, na esperança de colocar para fora e fazer uma faxina mental, de criar novas memórias e se abrir para o novo. Foi lembrando de como todos hábitos estavam relacionados, e era um acúmulo de pequenas coisas que faziam a diferença, é claro, sem deixar de lado um horário para sentir as emoções e só então despedir-se delas. Escrevia para lembrar, escrevia para esquecer.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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