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Destaques

Bem-vindo, outubro

 Outubro enfim chegou. Tem sido bom conferir como a previsão do tempo tem errado e não tem chovido. É um alívio poder voltar a tomar minha dose diária de sol. A verdade era que os dias de sol ajudavam a manter o humor estável. Desta vez, sentia-se levemente acelerado, mas com esperança de que tudo fosse voltar ao normal.  Escrevia como uma forma de ajudar a regular o humor. Escrevia para organizar os pensamentos. Escrevia para extravasar as emoções. Escrevia. Nos últimos tempos tinha pensado em como conseguira abrir mão do cigarro, mas também em como tinha dias em que sentia falta. Mas não, não ia voltar atrás.  Ia seguindo outubro, torcendo para que a previsão do tempo continuasse errando e pudesse desfrutar da dose de sol. De repente, percebia que estava cada vez mais distante de quem tinha sido há um ano. De repente, ser diferente não era algo tão ruim assim.  *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escrita Maldita , p ubli...

Escrever para esquecer

Escrevia não só para lembrar, escrevia também para esquecer. Havia quem gostava de escrever uma carta e queimá-la depois. Havia quem gostava de guardar em um lugar onde não veria com frequência e então ler com calma depois, para ver como as emoções haviam mudado ou não. Havia quem escrevia e resistir à tentação de amassar o papel e jogar fora, guardando para quando precisasse se lembrar do porquê havia precisado esquecer.

Não havia um jeito certo ou errado, mas era durante o ato da escrita que os pensamentos se organizavam e era possível se tornar mais consciente das emoções, como felicidade, raiva e tristeza. Era uma ferramenta útil para se libertar dos pensamentos que insistiam em se repetir na mente, tentar processar o que está acontecendo e deixar que o tempo leve essas memórias indesejadas.

Somente esperar o tempo passar não era o suficiente. Muitas vezes, era preciso acrescentar várias doses de atividades terapêuticas e, claro, separar um tempo livre para sentir as emoções e só então se ver livre delas. Era muita ingenuidade acreditar que somente o tempo era capaz de curar tudo, muitas vezes, exigia uma dose de autorresponsabilidade, mudanças de hábitos e comportamentos e saber o momento de agir e o momento de descansar.

Ficar ativamente pensando nos problemas nem sempre é útil. Muitas vezes, precisamos do silêncio para encontrar as respostas que precisamos. Colocar as coisas no papel poderia fazer muita diferença, poderia te fazer enxergar coisas que não estava enxergando antes. Também poderia ajudar no processo de deixar ir, uma forma de buscar uma dose de catarse, de lembrar que tudo está conectado de alguma forma e podemos tomar ações para mudar a direção quando necessário.

Foi encerrando ciclos, coisas e pessoas que não estavam funcionando mais. Dia após dia, ia escrevendo um pouco, na esperança de colocar para fora e fazer uma faxina mental, de criar novas memórias e se abrir para o novo. Foi lembrando de como todos hábitos estavam relacionados, e era um acúmulo de pequenas coisas que faziam a diferença, é claro, sem deixar de lado um horário para sentir as emoções e só então despedir-se delas. Escrevia para lembrar, escrevia para esquecer.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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