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Destaques

Página rasgada

Rasguei a página que marcava o dia em que nos encontramos. É que a memória disso já não importava mais. Depois do silêncio, tudo o que restava era seguir em frente.  E de tento tentar esconder as emoções, eu sempre ia deixando cada vez mais óbvio. No entanto, já não havia um eu e você, tudo o que restava era uma mensagem visualizada não respondida. A verdade é que o outro nunca saberia o quanto havia sentido por ele e estava tudo bem. Aceitara que ninguém controlava a permanência de ninguém e, às vezes, tudo o que precisava fazer era deixar ir. Enquanto sou queimado pelo sol, sinto algo mais queimar dentro de mim. A cicatriz de uma queimadura, como se tivesse chegado perto de mais do sol. Ia escrevendo novas histórias, até que as outras o deixassem em paz. Escrevia para lembrar. Escrevia para esquecer. Escrevia para registrar os dias bons. Escrevia para lembrar que os dias ruins passavam. Escrevia só para no final rasgar a página. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . A...

A difícil mudança de hábito

Embora alguns façam promessas fáceis sobre mudanças de hábitos, muitas vezes pode ser mais complexo do que imaginamos. Não era como se existisse um botão de ligar e desligar, o qual você pudesse apertar em segundos, especialmente quando eram hábitos de anos e envolviam substâncias.

Tentar era melhor do que não tentar. Mas também saber lidar com a frustração no caso de não conseguir as primeiras vezes. O processo envolvia seus altos e baixos e nem sempre era linear como se esperava. Muitas vezes, envolvia aprender a dizer não mesmo quando você queria dizer sim.

Era por meio da tentativa e falha que ia anotando seus pequenos avanços. Não tinha que se justificar a ninguém, era algo que havia escolhido para si mesmo. Sem a pressão externa, se permitia tentar e tentar, recomeçar quantas vezes fossem necessárias.

Quando a sensação era tão forte que afetava sua concentração, era difícil tentar colocar o foco em outra coisa. No entanto, sabia que fazia parte do processo. Não tinha como acelerar os dias e chegar ao ponto em que conseguira mudar e já não era mais incomodado, não, às vezes precisava passar por tudo aquilo, tantas sensações incômodas que davam vontade de desistir.

Aos poucos, ia aumentando sua dose de autoconhecimento. Reconhecendo quais mudanças aconteciam logo nas primeiras horas em que tentava mudar um hábito. Admitia que se não conseguisse parar por conta própria, tentaria buscar ajuda profissional, não era algo que precisava necessariamente passar sozinho.

Aumentando sua caixa de ferramentas, ia testando e anotando possibilidades. Ao parar um hábito que envolvia substância e que afetava sua mente mais do que imaginava, seria capaz de se manter livre por quanto tempo? Teria recaídas ou conseguiria se manter firme no propósito? Eram muitas perguntas que não tinha respostas, as quais estava tentando descobrir dia após dia.

Então, imaginava o dia que chegaria em que não precisasse ficar contando os dias. O dia em que tudo aquilo era tão parte do passado, que sequer lembraria no presente. Mas para esses dias chegarem, antes precisava encarar o desafio de frente. Nada fácil, como muitos fazem parecer. Nada impossível que não possa continuar tentando. Passava os dias assim, tentando. Pequenas vitórias que só ele sabia. Pequenas mudanças que esperava levar a uma grande mudança. E tudo só era possível acontecer assim: tentando.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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