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Destaques

Seis meses sem cigarro

Seis meses sem cigarro. Há um tempo parecia algo impossível de alcançar e aqui estava ele: estaria mentindo se dissesse que ainda não tinha fissura, mas havia conseguido controlar bem mais como nunca imaginara antes. Seis meses davam uma sensação boa. Seis meses sem fumar um cigarro, mesmo passando por inúmeras situações de estresse e de ansiedade. Seis meses aprendendo a regular as emoções de forma a não descontar no vício. Os meses iam passando. Datas que antes pareciam impossíveis se tornam reais. Já imaginara quando seria quando completasse um ano sem cigarro. Ia escrevendo para comemorar e lembrar que os pequenos dias também importavam. Escrevia para lembrar que o difícil não era impossível e qualquer um poderia conseguir se livrar do cigarro, por mais difícil que parecesse no início. Escrevia para agradecer a si mesmo por ter se libertado de algo que fazia tão mal e muita gente ainda acreditava que fazia bem. Escrevia para deixar claro que não queria voltar atrás e mesmo nos dias...

A importância de escrever para organizar os pensamentos

A importância de escrever para organizar os pensamentos. Escrever ia muito além do mero desabafo no papel, muitas vezes era uma ótima maneira de deixar as emoções fluírem e ver os pensamentos se formando sobre determinados assuntos.

Para um escritor, escrever era fundamental como respirar ou beber água, era o que dava fôlego para seguir a vida. Mas mesmo quem não é escritor pode se aproveitar da escrita como uma forma de ajudar na regulação emocional e se tornar mais consciente, era uma ferramenta gratuita e acessível que não substituía a terapia, mas poderia ser complementar, como outras atividades terapêuticas.

Era escrevendo que se dava conta do que realmente estava pensando. Era dando forma às palavras que entendia suas próprias contradições e também a necessidade de auto-validação e autocompaixão. Era quando escrevia que se revelava humano: encarava suas forças, mas também entrava em contato com suas fragilidades.

Escrevia para lembrar, escrevia para esquecer. Escrevia para dar ordem ao caos. Escrevia como uma forma de sentir uma catarse e aliviar o espírito. Escrevia para a mente, para o corpo e para a alma. Escrevia para criar sentido e também para aceitar o que já não fazia sentido. Escrevia.

Então, havia algo mágico e libertador na escrita, algo que possibilitava conectar ideias e aumentar a autocompreensão. É somente ao reconhecer as coisas, que podemos aceitá-las. Cada nome, cada palavra, cada sentido, cada pensamento. Escrever era libertador e recomendava a todos que buscavam se entenderem melhor, encararem o espelho – espelho este que não era perfeito, mas que ajudava e muito na compreensão do eu.

Ao encarar a folha em branco, abria um mundo de possibilidades. Também ajudava na aceitação das impossibilidades. Escrevia para lembrar de quem era e também quem não era. Escrevia textos monótonos, pois a vida também era sobre saber suportar o tédio e o banal. Escrevia para se escutar e para que seus ecos chegassem aos leitores, que também se identificavam de um grau ou outro com seus textos. Escrevia para deixar para trás, para viver o momento presente e organizar os pensamentos sobre o que esperava do futuro. Escrevia como uma forma de meditação. Escrevia.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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