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Destaques

Página rasgada

Rasguei a página que marcava o dia em que nos encontramos. É que a memória disso já não importava mais. Depois do silêncio, tudo o que restava era seguir em frente.  E de tento tentar esconder as emoções, eu sempre ia deixando cada vez mais óbvio. No entanto, já não havia um eu e você, tudo o que restava era uma mensagem visualizada não respondida. A verdade é que o outro nunca saberia o quanto havia sentido por ele e estava tudo bem. Aceitara que ninguém controlava a permanência de ninguém e, às vezes, tudo o que precisava fazer era deixar ir. Enquanto sou queimado pelo sol, sinto algo mais queimar dentro de mim. A cicatriz de uma queimadura, como se tivesse chegado perto de mais do sol. Ia escrevendo novas histórias, até que as outras o deixassem em paz. Escrevia para lembrar. Escrevia para esquecer. Escrevia para registrar os dias bons. Escrevia para lembrar que os dias ruins passavam. Escrevia só para no final rasgar a página. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . A...

Inteligência Humana

Chegarão os dias em que as pessoas se cansarão de respostas prontas dadas por ferramentas de inteligência artificial, como o ChatGpt, e voltarão a pesquisar na internet por textos escritos por humanos, conscientes de que há algo que falta na inteligência artificial, algo que nos tornava humanos, mesmo quando a inteligência artificial tentava nos imitar.

Ainda não chegamos ao período em que estamos saturados pela inteligência artificial, muitas pessoas têm se divertido com vídeos gerados pela inteligência artificial e, sem dúvidas, deve gerar alguma preocupação nos anos eleitorais, mas chegará o momento em que as pessoas se sentirão exaustas de tentar adivinhar o que é real ou foi gerado pela inteligência artificial.

Ferramentas como o ChatGpt podem ser bastante úteis com coisas, como planejamento, mas de forma alguma podem substituir psicólogos, por exemplo. Também acredito que embora consiga gerar textos, vai chegar uma época em que as pessoas sentirão saudades de textos escritos por humanos e se cansarão de tantos textos genéricos sobre o mesmo assunto, simplesmente copiados e colados.

Ser humano envolvia ter que lidar com as próprias contradições. Ser humano envolvia falhar e entender coisas em um nível que a inteligência artificial ainda não havia alcançado, ela dava uma boa simulação, mas não necessariamente fornecia algo orgânico. Então, chegará o tempo em que mesmo com a inteligência artificial podendo realizar inúmeras atividades, as pessoas voltarão a sentir falta dos humanos.

Há quem já ache ruim o excesso de aplicativos e como para quase tudo se precisa de um aplicativo. Há quem já tenha se tornado dependente de inteligência artificial e conversa diariamente com alguma ferramenta. Mas também há quem sabe que o elemento humano faz toda diferença e, independente dos avanços na área digital, há quem reconheça que o que nos faz humanos, ainda não pode ser substituído por máquinas.

Talvez a inteligência artificial possa ser útil, mas talvez o que nos faz humanos ainda é determinante no processo de decisão. Chegarão os dias em que humanos terão que provar seus valores contra as máquinas e a inteligência humana talvez se mostre tão importante quanto conseguir simular uma quantidade quase infinita de atividades. E o que os humanos pensam sobre os assuntos, se mostrem mais relevantes que as máquinas com suas limitações.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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