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Destaques

Página rasgada

Rasguei a página que marcava o dia em que nos encontramos. É que a memória disso já não importava mais. Depois do silêncio, tudo o que restava era seguir em frente.  E de tento tentar esconder as emoções, eu sempre ia deixando cada vez mais óbvio. No entanto, já não havia um eu e você, tudo o que restava era uma mensagem visualizada não respondida. A verdade é que o outro nunca saberia o quanto havia sentido por ele e estava tudo bem. Aceitara que ninguém controlava a permanência de ninguém e, às vezes, tudo o que precisava fazer era deixar ir. Enquanto sou queimado pelo sol, sinto algo mais queimar dentro de mim. A cicatriz de uma queimadura, como se tivesse chegado perto de mais do sol. Ia escrevendo novas histórias, até que as outras o deixassem em paz. Escrevia para lembrar. Escrevia para esquecer. Escrevia para registrar os dias bons. Escrevia para lembrar que os dias ruins passavam. Escrevia só para no final rasgar a página. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . A...

O caminho nunca percorrido

O caminho nunca percorrido, às vezes, era a direção que precisava ir. Nem sempre era fácil lidar com o desconhecido, mas se havia algo que a vida havia o ensinado era de que algumas coisas, você só descobre ao tentar. Então, talvez era isso que precisava fazer: tentar, independente do medo de falhar.

Tentou se lembrar da última vez em que a ansiedade estava sob controle. Pequenos momentos do dia, enquanto escrevia, caminhava, pedalava, praticava yoga, assistia séries e filmes, ouvia suas músicas favoritas. Eram pequenos momentos que ajudavam a suportar a ansiedade no resto do dia.

O que acontece quando você precisa eliminar um comportamento que ajuda a aliviar a ansiedade e ao mesmo tempo aumenta sua ansiedade? O cérebro tem dificuldade de distinguir se a ideia é realmente boa e se vale a pena sequer tentar.

Transtorno de Ansiedade Generalizada era como se chamava. Era desafiador quando você tinha mais de um diagnóstico. Às vezes, o uso de substância, como fumar cigarro, era uma falsa aliada. Por alguns minutos poderia dar uma sensação prazerosa, mas quanto menos você se dava conta, estava preso em uma rotina na qual não conseguia mais viver sem o cigarro.

Dizem que quando vamos abrir mão de um comportamento, precisamos de outro para preencher o espaço. O que acontece quando você é um fumante compulsivo e o cigarro preenche boa parte do seu dia? Às vezes, vem uma sensação temporária de vazio. Às vezes, a sensação de fissura toma conta do corpo, implorando por mais um cigarro. Às vezes, o vício é tão forte que pode parecer impossível parar, mas se assim fosse verdade, ninguém teria conseguido.

Entre tentativas e erros, ia tentando reconstruir o dia a dia. Aos poucos, ia tentando desvincular algumas sensações, como a vontade que vinha de fumar após beber café ou de fumar como uma forma de autogratificação. Havia reduzido a ansiedade consideravelmente quando havia deixado um relacionamento tóxico para trás, mas a ansiedade nunca havia abandonado ele e nem iria, tudo o que poderia fazer era lutar diariamente contra o transtorno invisível, mas capaz de causar mais danos que as pessoas imaginavam.

Ia, então, tentando fazer um caminho que ainda não havia percorrido. Tinha tudo para dar certo e tudo para dar errado. Mas sabia que era somente tentando que iria descobrir, que não poderia se sabotar e desistir antes da hora. Ia aprendendo a lidar novamente com o desconforto, desconforto que era abraçado pelo cigarro. Se conseguisse reduzir o cigarro, já estaria feliz. Se conseguisse parar de uma vez por todas, era uma história para outro dia. No momento, tudo se resumia a tentar.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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