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Destaques

Página rasgada

Rasguei a página que marcava o dia em que nos encontramos. É que a memória disso já não importava mais. Depois do silêncio, tudo o que restava era seguir em frente.  E de tento tentar esconder as emoções, eu sempre ia deixando cada vez mais óbvio. No entanto, já não havia um eu e você, tudo o que restava era uma mensagem visualizada não respondida. A verdade é que o outro nunca saberia o quanto havia sentido por ele e estava tudo bem. Aceitara que ninguém controlava a permanência de ninguém e, às vezes, tudo o que precisava fazer era deixar ir. Enquanto sou queimado pelo sol, sinto algo mais queimar dentro de mim. A cicatriz de uma queimadura, como se tivesse chegado perto de mais do sol. Ia escrevendo novas histórias, até que as outras o deixassem em paz. Escrevia para lembrar. Escrevia para esquecer. Escrevia para registrar os dias bons. Escrevia para lembrar que os dias ruins passavam. Escrevia só para no final rasgar a página. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . A...

Redescobrindo o prazer de correr

Após um tempo pensando na possibilidade, firme na sua caminhada diária, decidiu que estava na hora de voltar a correr. Não corria há anos e a iniciativa o enchia de prazer. Precisava retomar hábitos saudáveis para conseguir abandonar aqueles que já não serviam mais e não eram saudáveis.

Foi, então, lentamente voltando a correr, respeitando o ritmo do próprio corpo e percebendo uma melhora quase que instantânea em sua saúde mental. A sensação poderia durar pouco tempo, mas, sem dúvidas, fazia toda diferença.

Tentou se lembrar da última vez em que havia corrido e uma memória de anos saltou na mente. Sabia quando havia começado seus hábitos ruins, tudo tinha começado em uma crise, mas já havia passado tempo suficiente para se dar conta de que não precisava mais deles.

Voltar a correr era como convidar o corpo e a mente para uma meditação em movimento, lembrava um pouco da sensação prazerosa que sentia no yoga. Agora, se sentia um pouco mais seguro para continuar construindo hábitos saudáveis: era a soma de pequenas ações que fazia toda diferença.

Conseguiria manter o hábito de correr ou desistiria? Não tinha respostas. Mas a mera ideia de tentativa já o deixava animado, como um recurso a mais na sua caixa de ferramentas e coisas terapêuticas que ajudavam com sua saúde mental. Sabia que os benefícios eram também para o corpo, mas estava mais interessado em como sua mente ia reagir diante daquilo.

Dizem que a jornada começa com passos e estava feliz de se reconectar com sua versão que era mais saudável. Já havia caminhado durante anos o suficiente para saber que estava preparado para correr. Contava com a memória celular e com a ideia de que só saberia se conseguiria manter o hábito ao tentar.

Um passo a mais na direção da própria saúde. Um passo a mais distante do velho hábito que estava tentando eliminar. Um passo a mais na direção do que realmente importava. Ia assim, seguindo, passo após passo, recuperando sua versão mais saudável e acolhendo o seu novo eu, consciente da importância dos pequenos hábitos para as grandes mudanças. Era ao se permitir que a magia do recomeço acontecia. De repente, correr era tudo o que mais precisava no momento.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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