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Destaques

Página rasgada

Rasguei a página que marcava o dia em que nos encontramos. É que a memória disso já não importava mais. Depois do silêncio, tudo o que restava era seguir em frente.  E de tento tentar esconder as emoções, eu sempre ia deixando cada vez mais óbvio. No entanto, já não havia um eu e você, tudo o que restava era uma mensagem visualizada não respondida. A verdade é que o outro nunca saberia o quanto havia sentido por ele e estava tudo bem. Aceitara que ninguém controlava a permanência de ninguém e, às vezes, tudo o que precisava fazer era deixar ir. Enquanto sou queimado pelo sol, sinto algo mais queimar dentro de mim. A cicatriz de uma queimadura, como se tivesse chegado perto de mais do sol. Ia escrevendo novas histórias, até que as outras o deixassem em paz. Escrevia para lembrar. Escrevia para esquecer. Escrevia para registrar os dias bons. Escrevia para lembrar que os dias ruins passavam. Escrevia só para no final rasgar a página. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . A...

Tentativas

As horas passavam como se fossem dias. Cada minuto parecia uma tortura. Precisava se distrair, ocupar a mente com outras coisas e tentar, de uma vez por todas, ficar longe do cigarro. Mas não se dera conta de quão forte era a abstinência, que o fazia sentir vontade de dizer sim quando já tinha decidido que não.

Não sabia quantas horas ia aguentar desta vez. Não sabia se daria conta de conseguir parar de fumar sozinho, sem os adesivos de nicotina, goma ou medicação. Tudo o que sabia era que estava tentando.

Se conseguisse passar das 24 horas sem fumar, conseguiria ficar quantos dias? Conseguiria resistir à fissura e à abstinência? Desistiria de tudo ou resistiria e iria até o final? Eram muitas perguntas e poucas respostas. Tudo o que ele sabia era que a tentativa era melhor do que desistir antes mesmo de tentar.

Ia, então, pensando em como agiria se fosse um amigo passando pela mesma situação. Tentando encontrar conforto no desconforto. Tentando aceitar o quão difícil era mudar qualquer hábito e quando se tratava de uma dependência de substância, então, poderia ser algo muito mais complexo. Tentando se libertar aos poucos daquele que lhe dava prazer, mas ao mesmo tempo, sempre queria mais e mais, como se fosse um escravo do cigarro.

Voltando a encarar a vida banal, a lidar com o tédio, a aceitar que estava tudo bem se falhasse... ia percebendo por qual motivo algumas pessoas sempre diziam que se soubessem o quão difícil era parar de fumar, jamais teriam começado. E talvez, neste processo, tentar entender que estava tudo bem não ter respostas para tudo. Às vezes, tudo o que precisava fazer, era confiar e viver no aqui e agora.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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