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Destaques

Página rasgada

Rasguei a página que marcava o dia em que nos encontramos. É que a memória disso já não importava mais. Depois do silêncio, tudo o que restava era seguir em frente.  E de tento tentar esconder as emoções, eu sempre ia deixando cada vez mais óbvio. No entanto, já não havia um eu e você, tudo o que restava era uma mensagem visualizada não respondida. A verdade é que o outro nunca saberia o quanto havia sentido por ele e estava tudo bem. Aceitara que ninguém controlava a permanência de ninguém e, às vezes, tudo o que precisava fazer era deixar ir. Enquanto sou queimado pelo sol, sinto algo mais queimar dentro de mim. A cicatriz de uma queimadura, como se tivesse chegado perto de mais do sol. Ia escrevendo novas histórias, até que as outras o deixassem em paz. Escrevia para lembrar. Escrevia para esquecer. Escrevia para registrar os dias bons. Escrevia para lembrar que os dias ruins passavam. Escrevia só para no final rasgar a página. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . A...

Deixe as pessoas estarem erradas sobre você

Deixe as pessoas estarem erradas sobre você. Às veze é tudo o que você precisa fazer. Não há sentido em tentar mostrar que as pessoas mudam e em determinados momentos da vida, todos estamos fadados a ter uma visão errada sobre o outro.

Aceitar que você é incapaz de fazer o outro te enxergar de forma diferente tira um peso das costas e alivia o peito. Todos nós seremos mal interpretados por alguém e julgados por nossos erros do passado, porém o que as pessoas não veem são o conjunto de pequenas mudanças realizadas dia após dia.

O simples fato de ser você mesmo deveria bastar. É inútil tentar convencer o outro que você mudou. Mais inútil ainda é carregar essa responsabilidade, tornando a vida ainda mais pesada. Então, terão momentos, sim, em que tudo o que você vai fazer é sorrir e aceitar que você não precisa convencer ninguém de nada e simplesmente aproveitar o momento presente.

Se sempre vamos estar errados na história de alguém, o contrário também é possível de acontecer. Ninguém quer ser o vilão da história do outro, mas isso às vezes acontece inevitavelmente. A gratidão misturada à nostalgia tornava uma péssima combinação que, de alguma forma, colocava o outro em um pedestal que ele mesmo havia criado e só caberia a si mesmo a tarefa de romper as fantasias, as ilusões e as expectativas sobre outro.

Tentava se afastar cada vez mais da doce melodia que tocava em sua mente. Enxergando o outro como era, com suas imperfeições, limitações e limites, consciente de que não importava o que fizesse continuaria ocupando um lugar de não-lugar: já não havia mais espaço para ele na vida do outro e qualquer tentativa de provar o contrário era inútil. Tentava, então, se agarrar à aceitação radical, consciente de que só lhe restava uma coisa: aceitar as coisas como elas eram, independente de nossos desejos, fantasias e idealizações.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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