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10 Meses Sem Fumar Cigarro

10 Meses Sem Fumar Cigarro e tudo o que eu conseguia pensar em como ainda havia uma tentação que eu ignorava, um desejo aleatório de fumar cigarro, mas que logo passava. Ilusão seria acreditar que o desejo de fumar sumiria completamente, mas era verdade que a cada mês ficava um pouco mais fácil. Seja em momentos de ansiedade ou estresse, era difícil não lembrar daquele que estava presente sempre. Mas não se arrependia de ter parado de fumar cigarro. Foi uma das melhores decisões que havia tomado em sua vida. Tudo havia começado quando estava em crise emocional e assim foi se tornando algo automático. Algo que eu poderia jurar que pararia quando quisesse, havia se tornado algo permanente. As primeiras horas podem ser incômodas. Os primeiros dias parecem que nunca vão passar. E assim vêm as primeiras semanas e os meses. Dez meses... Faltavam dois meses para completar um ano sem fumar cigarro. No início achou que não iria contar os dias, ia só deixar pra lá, mas a verdade era que cada dia...

Deixe as pessoas estarem erradas sobre você

Deixe as pessoas estarem erradas sobre você. Às veze é tudo o que você precisa fazer. Não há sentido em tentar mostrar que as pessoas mudam e em determinados momentos da vida, todos estamos fadados a ter uma visão errada sobre o outro.

Aceitar que você é incapaz de fazer o outro te enxergar de forma diferente tira um peso das costas e alivia o peito. Todos nós seremos mal interpretados por alguém e julgados por nossos erros do passado, porém o que as pessoas não veem são o conjunto de pequenas mudanças realizadas dia após dia.

O simples fato de ser você mesmo deveria bastar. É inútil tentar convencer o outro que você mudou. Mais inútil ainda é carregar essa responsabilidade, tornando a vida ainda mais pesada. Então, terão momentos, sim, em que tudo o que você vai fazer é sorrir e aceitar que você não precisa convencer ninguém de nada e simplesmente aproveitar o momento presente.

Se sempre vamos estar errados na história de alguém, o contrário também é possível de acontecer. Ninguém quer ser o vilão da história do outro, mas isso às vezes acontece inevitavelmente. A gratidão misturada à nostalgia tornava uma péssima combinação que, de alguma forma, colocava o outro em um pedestal que ele mesmo havia criado e só caberia a si mesmo a tarefa de romper as fantasias, as ilusões e as expectativas sobre outro.

Tentava se afastar cada vez mais da doce melodia que tocava em sua mente. Enxergando o outro como era, com suas imperfeições, limitações e limites, consciente de que não importava o que fizesse continuaria ocupando um lugar de não-lugar: já não havia mais espaço para ele na vida do outro e qualquer tentativa de provar o contrário era inútil. Tentava, então, se agarrar à aceitação radical, consciente de que só lhe restava uma coisa: aceitar as coisas como elas eram, independente de nossos desejos, fantasias e idealizações.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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