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Destaques

Escrevendo um novo caminho

Escrevia um novo capítulo sem ter a mínima ideia de qual direção seguir. Ia se permitindo viver o momento presente e também as surpresas que vinham pelo caminho. Cansado de repetir velhos padrões, desta vez estava apostando as fichas no novo, ainda que não fosse levar para lugar algum. Ia firme no propósito, sabendo que sem arriscar, havia muitas coisas que deixava pra trás. Então, se perguntava se já não havia chegado a hora. A hora de quê exatamente? Não fazia ideia.  Sabia que algo precisava mudar. Sabia que algumas mudanças vinham de dentro para fora, mas também que exigiam energia para mudar.  Ia se permitindo o leve desprendimento, deixando de lado tudo o que um dia fizera sentido e agora não fazia mais. Ia se libertando, para então criar novos caminhos e chegar a lugares diferentes. Se daria certo ou não, não fazia ideia, mas estava pelo menos tentando. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escrita Maldita , p ublicado na Amazo...

O diagnóstico oculto

Nas quatro paredes do consultório, muitas vezes, era quando poderia ser ele mesmo. Em mundo do diagnósticos e comorbidades, levantara uma possibilidade, a qual a psicóloga havia validado. Era mais uma coisa para ter que prestar atenção, mas de certa forma estava aliviado de encarar a verdade.

Muitas coisas sobre seus comportamentos poderiam ser explicados pelo diagnóstico novo. Isso ajudaria a mudar os comportamentos, a ter mais consciência e encontrar melhores maneiras de regular as emoções. Enfim, ajudaria com a empatia de uma forma geral.

É verdade que em pleno 2025, alguns diagnósticos ainda são vistos como tabus – como se houvesse um acordo de não falarem a respeito, ainda que isso possa fazer toda diferença na vida do paciente. Com mais informações e profissionais mais experientes, de um lado, vem uma onda de pessoas que acreditam que os diagnósticos estão crescendo por esses motivos, do outro, há quem não acredite nesses diagnósticos e acreditam que estão exagerando.

Não importa se você acredita nos diagnósticos ou não, isso não os tornam menos reais. É um pouco ofensivo quando você tem um diagnóstico e precisa se justificar: quando vem acompanhado de uma série de comorbidades, então, se torna ainda mais desafiador.

Então, em vez de sentir o medo que ainda vinha acompanhado do tabu, medo que ele mesmo tivera – não queria mentir para si mesmo –, tentava se focar nos pontos positivos e na compreensão de que alguns comportamentos não eram tão aleatórios quando pareciam e era possível dar sentido às coisas. 

Ia deixando as palavras penetrarem a mente. Lentamente repetindo para si mesmo seu novo diagnóstico. Até perceber o quanto precisava mudar, mas também sem deixar se definir completamente por um diagnóstico. Lembrando que, acima de todo diagnóstico, no final, ainda era humano, inteiramente humano.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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