Pular para o conteúdo principal

Destaques

Lugar Seguro

Um lugar seguro, às vezes, era tudo o que precisava para se proteger do excesso de ansiedade. Aprendera que a imaginação poderia ser poderosa e ajudar a criar uma distância segura e temporária. Já imaginava que sentiria ansiedade, mas não fazia ideia da intensidade. Nesses momentos era fácil lembrar quando o cigarro servia como uma válvula de escape, mas desta vez precisava aprender a lidar com isso livre de nicotina. Caminhar, ouvir música relaxante, música e ler livros eram coisas que também ajudavam, bem como assistir séries ou filmes para se distrair. Existia um limite de quanto era possível diminuir a ansiedade, mas cada pequena coisa fazia toda diferença. Ansiedade era algo que não desejava para ninguém.  Então, temporariamente se imaginar em um lugar seguro poderia fazer toda diferença. Era algo que muita gente já fazia de forma intuitiva, mas que ao reaprender ganha um novo significado. Após dias sem escrever, estava sentindo falta de brincar com as palavras. A verdade é qu...

O diagnóstico oculto

Nas quatro paredes do consultório, muitas vezes, era quando poderia ser ele mesmo. Em mundo do diagnósticos e comorbidades, levantara uma possibilidade, a qual a psicóloga havia validado. Era mais uma coisa para ter que prestar atenção, mas de certa forma estava aliviado de encarar a verdade.

Muitas coisas sobre seus comportamentos poderiam ser explicados pelo diagnóstico novo. Isso ajudaria a mudar os comportamentos, a ter mais consciência e encontrar melhores maneiras de regular as emoções. Enfim, ajudaria com a empatia de uma forma geral.

É verdade que em pleno 2025, alguns diagnósticos ainda são vistos como tabus – como se houvesse um acordo de não falarem a respeito, ainda que isso possa fazer toda diferença na vida do paciente. Com mais informações e profissionais mais experientes, de um lado, vem uma onda de pessoas que acreditam que os diagnósticos estão crescendo por esses motivos, do outro, há quem não acredite nesses diagnósticos e acreditam que estão exagerando.

Não importa se você acredita nos diagnósticos ou não, isso não os tornam menos reais. É um pouco ofensivo quando você tem um diagnóstico e precisa se justificar: quando vem acompanhado de uma série de comorbidades, então, se torna ainda mais desafiador.

Então, em vez de sentir o medo que ainda vinha acompanhado do tabu, medo que ele mesmo tivera – não queria mentir para si mesmo –, tentava se focar nos pontos positivos e na compreensão de que alguns comportamentos não eram tão aleatórios quando pareciam e era possível dar sentido às coisas. 

Ia deixando as palavras penetrarem a mente. Lentamente repetindo para si mesmo seu novo diagnóstico. Até perceber o quanto precisava mudar, mas também sem deixar se definir completamente por um diagnóstico. Lembrando que, acima de todo diagnóstico, no final, ainda era humano, inteiramente humano.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

Mais lidas da semana