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Destaques

Meses sem fumar cigarro

Seis meses. Metade de um ano. O que antes parecia só algo impossível de acontecer, havia se tornado realidade: conseguira passar 6 meses sem fumar cigarro.  Estaria mentindo se tinha dias em que não se imaginava fumando ainda, mas estava feliz por conseguir resistir à tentação, sabendo que uma vez que tinha decidido não ia dar um passo para trás. Há seis meses, talvez estaria fumando enquanto escrevia o texto ou quem sabe ouvindo música e usando o Instagram, mas as coisas tinham mudado e ainda bem. Por mais difícil que seja no início. Passei por várias tentativas e falhas e não sinto vergonha, precisava criar resiliência antes de conseguir parar o cigarro de vez.  Difícil, sim. Impossível, não. Seria mentira dizer que é fácil, embora algumas pessoas tivessem mais facilidade do que outras para parar de fumar cigarro. Porém, nem todo mundo era igual e para algumas pessoas, a fissura continuaria aparecendo de tempos em tempos. Porém, a informação importante é que a fissura por ci...

O diagnóstico oculto

Nas quatro paredes do consultório, muitas vezes, era quando poderia ser ele mesmo. Em mundo do diagnósticos e comorbidades, levantara uma possibilidade, a qual a psicóloga havia validado. Era mais uma coisa para ter que prestar atenção, mas de certa forma estava aliviado de encarar a verdade.

Muitas coisas sobre seus comportamentos poderiam ser explicados pelo diagnóstico novo. Isso ajudaria a mudar os comportamentos, a ter mais consciência e encontrar melhores maneiras de regular as emoções. Enfim, ajudaria com a empatia de uma forma geral.

É verdade que em pleno 2025, alguns diagnósticos ainda são vistos como tabus – como se houvesse um acordo de não falarem a respeito, ainda que isso possa fazer toda diferença na vida do paciente. Com mais informações e profissionais mais experientes, de um lado, vem uma onda de pessoas que acreditam que os diagnósticos estão crescendo por esses motivos, do outro, há quem não acredite nesses diagnósticos e acreditam que estão exagerando.

Não importa se você acredita nos diagnósticos ou não, isso não os tornam menos reais. É um pouco ofensivo quando você tem um diagnóstico e precisa se justificar: quando vem acompanhado de uma série de comorbidades, então, se torna ainda mais desafiador.

Então, em vez de sentir o medo que ainda vinha acompanhado do tabu, medo que ele mesmo tivera – não queria mentir para si mesmo –, tentava se focar nos pontos positivos e na compreensão de que alguns comportamentos não eram tão aleatórios quando pareciam e era possível dar sentido às coisas. 

Ia deixando as palavras penetrarem a mente. Lentamente repetindo para si mesmo seu novo diagnóstico. Até perceber o quanto precisava mudar, mas também sem deixar se definir completamente por um diagnóstico. Lembrando que, acima de todo diagnóstico, no final, ainda era humano, inteiramente humano.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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