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Destaques

Um ano sem fumar cigarro

Em um ano muita coisa pode acontecer. Depois de tanta espera, finalmente completei um ano sem fumar cigarro. Confesso que no início não tinha certeza se iria conseguir, assim como muitas pessoas. A sensação de que parece impossível toma conta, mas a de que é possível também vem à tona. Um ano sem fumar cigarro. Poderia fazer a conta de quanto havia economizado, mas estava mais interessado no quanto havia ganhado de saúde. O que antes parecia uma estratégia para lidar com a ansiedade, descobriu tarde demais que também causava ansiedade. Estaria mentindo se dissesse que estava completamente livre do risco de recaída, ninguém estava, mas estava feliz pelo dia finalmente ter chegado. Então, respirava com mais tranquilidade e mesmo nos dias de ansiedade, aprendera que o cigarro não era a resposta. Pelo contrário, que criava mais problemas. Um ano acreditando em si mesmo e confiando no processo. Um ano sem fumar cigarro. Um ano.  *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do...

Pequenas mudanças

Era incrível o quanto as coisas mudavam em poucos dias, mas precisava ter coragem para continuar seguindo em frente em sua jornada. Estaria mentindo se dissesse que estava completamente livre de vontade de fumar cigarro, mas também estaria mentindo se não dissesse que a vontade havia passado bastante, como jamais imaginara.

As pedaladas e caminhadas pela manhã foram substituídas por caminhadas e corrida. Era quase como uma segunda dose de café, algo que precisava fazer para compensar a falta que a nicotina fazia. A verdade era que estava um pouco mais desatento e também um pouco mais cansado, mas também percebera que a ansiedade havia diminuído gradualmente – algo que não esperava, já que se acreditava que fumar ajudava na ansiedade.

Os dias estavam passando mais rápidos do que imaginava. Daqui uns dias, completaria duas semanas sem cigarro. Não gostava da noção de ter que ficar contando constantemente, mas sabia que fazia parte do processo, pelo menos até quando chegar a uma quantidade suficiente que o fizesse não olhar mais para trás.

Deixara de lado o arrependimento de não ter mudado o hábito mais cedo e começara a agradecer pelas pequenas mudanças. Sua respiração havia melhorado consideravelmente em tão pouco tempo e sentia o gosto dos alimentos e dos remédios, tentando se reajustar à realidade.

Poder correr sob a luz do sol proporcionara um prazer tão viciante quanto o de fumar. Era verdade que uma parte dele provavelmente nunca esqueceria completamente o cigarro, mas quanto mais dia ficava longe da substância, mais o seu corpo se recuperava em direção à saúde que costumava ter.

Se pudesse, correria o dia inteiro, até expulsar completamente a vontade de fumar, mas não era algo realista nem saudável. Ia, então, se reajustando de hora em hora, minuto a minuto, tentando lidar com o desconforto, o tédio e as emoções, tentando lidar com tudo aquilo que o cigarro parecia anestesiar. Só, então, para descobrir que era melhor sentir do que não sentir nada.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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