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10 Meses Sem Fumar Cigarro

10 Meses Sem Fumar Cigarro e tudo o que eu conseguia pensar em como ainda havia uma tentação que eu ignorava, um desejo aleatório de fumar cigarro, mas que logo passava. Ilusão seria acreditar que o desejo de fumar sumiria completamente, mas era verdade que a cada mês ficava um pouco mais fácil. Seja em momentos de ansiedade ou estresse, era difícil não lembrar daquele que estava presente sempre. Mas não se arrependia de ter parado de fumar cigarro. Foi uma das melhores decisões que havia tomado em sua vida. Tudo havia começado quando estava em crise emocional e assim foi se tornando algo automático. Algo que eu poderia jurar que pararia quando quisesse, havia se tornado algo permanente. As primeiras horas podem ser incômodas. Os primeiros dias parecem que nunca vão passar. E assim vêm as primeiras semanas e os meses. Dez meses... Faltavam dois meses para completar um ano sem fumar cigarro. No início achou que não iria contar os dias, ia só deixar pra lá, mas a verdade era que cada dia...

Pequenas mudanças

Era incrível o quanto as coisas mudavam em poucos dias, mas precisava ter coragem para continuar seguindo em frente em sua jornada. Estaria mentindo se dissesse que estava completamente livre de vontade de fumar cigarro, mas também estaria mentindo se não dissesse que a vontade havia passado bastante, como jamais imaginara.

As pedaladas e caminhadas pela manhã foram substituídas por caminhadas e corrida. Era quase como uma segunda dose de café, algo que precisava fazer para compensar a falta que a nicotina fazia. A verdade era que estava um pouco mais desatento e também um pouco mais cansado, mas também percebera que a ansiedade havia diminuído gradualmente – algo que não esperava, já que se acreditava que fumar ajudava na ansiedade.

Os dias estavam passando mais rápidos do que imaginava. Daqui uns dias, completaria duas semanas sem cigarro. Não gostava da noção de ter que ficar contando constantemente, mas sabia que fazia parte do processo, pelo menos até quando chegar a uma quantidade suficiente que o fizesse não olhar mais para trás.

Deixara de lado o arrependimento de não ter mudado o hábito mais cedo e começara a agradecer pelas pequenas mudanças. Sua respiração havia melhorado consideravelmente em tão pouco tempo e sentia o gosto dos alimentos e dos remédios, tentando se reajustar à realidade.

Poder correr sob a luz do sol proporcionara um prazer tão viciante quanto o de fumar. Era verdade que uma parte dele provavelmente nunca esqueceria completamente o cigarro, mas quanto mais dia ficava longe da substância, mais o seu corpo se recuperava em direção à saúde que costumava ter.

Se pudesse, correria o dia inteiro, até expulsar completamente a vontade de fumar, mas não era algo realista nem saudável. Ia, então, se reajustando de hora em hora, minuto a minuto, tentando lidar com o desconforto, o tédio e as emoções, tentando lidar com tudo aquilo que o cigarro parecia anestesiar. Só, então, para descobrir que era melhor sentir do que não sentir nada.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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