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Destaques

Sai o sol

Sai o sol e com ele a expectativa de melhorar o humor, afetado pelos dias cinzentos. Sai o sol e, de repente, tudo parece que vai melhorar. Sai o sol. Não sabia se estava botando muita expectativa no sol ou simplesmente lembrando da importância na neurociência, mas a verdade era que depois de dias e dias de chuva, qualquer luz solar fazia diferença. Não importava se tinha relação com depressão sazonal ou se era simplesmente como o cérebro reagia diante da falta de sol, o que importava é que finalmente poderia respirar novamente. É quando sai o sol que vem à tona boas memórias e que lentamente, a vida volta a ganhar o colorido. Se um dia tinha sido a pessoa que amava frio e chuva, estava cada vez mais próxima daquela que amava a estabilidade do sol. Se despedia da chuva, sabendo que ela iria voltar, mas consciente de que a cada dia de sol poderia fortalecer a própria mente. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escrita Maldita , p ublicado na Am...

Pequenas mudanças

Era incrível o quanto as coisas mudavam em poucos dias, mas precisava ter coragem para continuar seguindo em frente em sua jornada. Estaria mentindo se dissesse que estava completamente livre de vontade de fumar cigarro, mas também estaria mentindo se não dissesse que a vontade havia passado bastante, como jamais imaginara.

As pedaladas e caminhadas pela manhã foram substituídas por caminhadas e corrida. Era quase como uma segunda dose de café, algo que precisava fazer para compensar a falta que a nicotina fazia. A verdade era que estava um pouco mais desatento e também um pouco mais cansado, mas também percebera que a ansiedade havia diminuído gradualmente – algo que não esperava, já que se acreditava que fumar ajudava na ansiedade.

Os dias estavam passando mais rápidos do que imaginava. Daqui uns dias, completaria duas semanas sem cigarro. Não gostava da noção de ter que ficar contando constantemente, mas sabia que fazia parte do processo, pelo menos até quando chegar a uma quantidade suficiente que o fizesse não olhar mais para trás.

Deixara de lado o arrependimento de não ter mudado o hábito mais cedo e começara a agradecer pelas pequenas mudanças. Sua respiração havia melhorado consideravelmente em tão pouco tempo e sentia o gosto dos alimentos e dos remédios, tentando se reajustar à realidade.

Poder correr sob a luz do sol proporcionara um prazer tão viciante quanto o de fumar. Era verdade que uma parte dele provavelmente nunca esqueceria completamente o cigarro, mas quanto mais dia ficava longe da substância, mais o seu corpo se recuperava em direção à saúde que costumava ter.

Se pudesse, correria o dia inteiro, até expulsar completamente a vontade de fumar, mas não era algo realista nem saudável. Ia, então, se reajustando de hora em hora, minuto a minuto, tentando lidar com o desconforto, o tédio e as emoções, tentando lidar com tudo aquilo que o cigarro parecia anestesiar. Só, então, para descobrir que era melhor sentir do que não sentir nada.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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