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Destaques

Dias de Chuva

Os dias de chuva chegaram sem previsão de quando vão embora. Aquela dose diária de sol que faz tanta falta para ajudar a despertar o cérebro já não está disponível. Estaria mentindo se dissesse que não gostava de chuva, mas a verdade era que tanta escuridão já estava afetando o humor. Ia passando dia após dia, sem saber quando a chuva ia finalmente chegar ao fim. A verdade era que quando se tratava da saúde mental, dias assim poderiam prejudicar mais do que ajudar. Escrevia enquanto a chuva caia. Escrevia fugindo do molhado. Escrevia pensando que às vezes, a vida era feita de dias de chuva e estava sem guarda-chuva. Escrevia para deixar a chuva levar tudo o que não queria lembrar. Escrevia para que chegasse o último dia de chuva. Escrevia.  *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escrita Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano:  O Círculo (Vol.1)  e  O Livro (Vol. 2) , dispo...

Uma dose de paz

Uma dose de paz era tudo o que buscava, em meio à sua luta contra parar de fumar cigarro, após a terapia. Era quando admitia suas fraquezas e enxergava suas forças, tateando um caminho, encarando o próprio reflexo e encontrando um guia.

Era ao admitir em voz alta, seus erros e acertos, que possibilitava a mudança. Era ao aceitar que algumas coisas não poderiam ser mudadas. Era ao ser sincero consigo mesmo, que poderia abrir espaço para o diferente.

Escrevia para acalmar a saudade que sentia. Escrevia para aceitar que estava tudo bem não se encontrarem mais. Escrevia para alimentar a fantasia de algo que jamais iria acontecer, mas suas emoções não se importavam com a razão. Escrevia.

Até quando iria escrever? Até quando iria sentir falta? Até quando? Não tinha respostas prontas, mas sabia que precisava escrever e colocar para fora tudo o que estava sentindo, antes que fosse consumido pelas emoções.

Escrevia para dizer alô. Escrevia para dizer adeus. Escrevia por escrever. Escrevia. Ia usando palavras para se esvaziar, palavras que antes usara para construir, agora eram usadas para apagar. Ia deixando o passado no passado e toda e qualquer fantasia de presente voavam pelo ar, como balões, deixando ao futuro, as expectativas de tudo o que nunca foram, tudo o que nunca serão, mas quão belo seriam. Ainda escrevia, sabendo que era só questão de tempo até deixar a fantasia para trás.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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