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Destaques

Página rasgada

Rasguei a página que marcava o dia em que nos encontramos. É que a memória disso já não importava mais. Depois do silêncio, tudo o que restava era seguir em frente.  E de tento tentar esconder as emoções, eu sempre ia deixando cada vez mais óbvio. No entanto, já não havia um eu e você, tudo o que restava era uma mensagem visualizada não respondida. A verdade é que o outro nunca saberia o quanto havia sentido por ele e estava tudo bem. Aceitara que ninguém controlava a permanência de ninguém e, às vezes, tudo o que precisava fazer era deixar ir. Enquanto sou queimado pelo sol, sinto algo mais queimar dentro de mim. A cicatriz de uma queimadura, como se tivesse chegado perto de mais do sol. Ia escrevendo novas histórias, até que as outras o deixassem em paz. Escrevia para lembrar. Escrevia para esquecer. Escrevia para registrar os dias bons. Escrevia para lembrar que os dias ruins passavam. Escrevia só para no final rasgar a página. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . A...

Uma dose de paz

Uma dose de paz era tudo o que buscava, em meio à sua luta contra parar de fumar cigarro, após a terapia. Era quando admitia suas fraquezas e enxergava suas forças, tateando um caminho, encarando o próprio reflexo e encontrando um guia.

Era ao admitir em voz alta, seus erros e acertos, que possibilitava a mudança. Era ao aceitar que algumas coisas não poderiam ser mudadas. Era ao ser sincero consigo mesmo, que poderia abrir espaço para o diferente.

Escrevia para acalmar a saudade que sentia. Escrevia para aceitar que estava tudo bem não se encontrarem mais. Escrevia para alimentar a fantasia de algo que jamais iria acontecer, mas suas emoções não se importavam com a razão. Escrevia.

Até quando iria escrever? Até quando iria sentir falta? Até quando? Não tinha respostas prontas, mas sabia que precisava escrever e colocar para fora tudo o que estava sentindo, antes que fosse consumido pelas emoções.

Escrevia para dizer alô. Escrevia para dizer adeus. Escrevia por escrever. Escrevia. Ia usando palavras para se esvaziar, palavras que antes usara para construir, agora eram usadas para apagar. Ia deixando o passado no passado e toda e qualquer fantasia de presente voavam pelo ar, como balões, deixando ao futuro, as expectativas de tudo o que nunca foram, tudo o que nunca serão, mas quão belo seriam. Ainda escrevia, sabendo que era só questão de tempo até deixar a fantasia para trás.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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