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10 Meses Sem Fumar Cigarro

10 Meses Sem Fumar Cigarro e tudo o que eu conseguia pensar em como ainda havia uma tentação que eu ignorava, um desejo aleatório de fumar cigarro, mas que logo passava. Ilusão seria acreditar que o desejo de fumar sumiria completamente, mas era verdade que a cada mês ficava um pouco mais fácil. Seja em momentos de ansiedade ou estresse, era difícil não lembrar daquele que estava presente sempre. Mas não se arrependia de ter parado de fumar cigarro. Foi uma das melhores decisões que havia tomado em sua vida. Tudo havia começado quando estava em crise emocional e assim foi se tornando algo automático. Algo que eu poderia jurar que pararia quando quisesse, havia se tornado algo permanente. As primeiras horas podem ser incômodas. Os primeiros dias parecem que nunca vão passar. E assim vêm as primeiras semanas e os meses. Dez meses... Faltavam dois meses para completar um ano sem fumar cigarro. No início achou que não iria contar os dias, ia só deixar pra lá, mas a verdade era que cada dia...

Uma dose de paz

Uma dose de paz era tudo o que buscava, em meio à sua luta contra parar de fumar cigarro, após a terapia. Era quando admitia suas fraquezas e enxergava suas forças, tateando um caminho, encarando o próprio reflexo e encontrando um guia.

Era ao admitir em voz alta, seus erros e acertos, que possibilitava a mudança. Era ao aceitar que algumas coisas não poderiam ser mudadas. Era ao ser sincero consigo mesmo, que poderia abrir espaço para o diferente.

Escrevia para acalmar a saudade que sentia. Escrevia para aceitar que estava tudo bem não se encontrarem mais. Escrevia para alimentar a fantasia de algo que jamais iria acontecer, mas suas emoções não se importavam com a razão. Escrevia.

Até quando iria escrever? Até quando iria sentir falta? Até quando? Não tinha respostas prontas, mas sabia que precisava escrever e colocar para fora tudo o que estava sentindo, antes que fosse consumido pelas emoções.

Escrevia para dizer alô. Escrevia para dizer adeus. Escrevia por escrever. Escrevia. Ia usando palavras para se esvaziar, palavras que antes usara para construir, agora eram usadas para apagar. Ia deixando o passado no passado e toda e qualquer fantasia de presente voavam pelo ar, como balões, deixando ao futuro, as expectativas de tudo o que nunca foram, tudo o que nunca serão, mas quão belo seriam. Ainda escrevia, sabendo que era só questão de tempo até deixar a fantasia para trás.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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