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Destaques

A era da nostalgia

Estamos vivendo a era da nostalgia. Diferente da ideia de se envergonhar por algo consumido no passado, com tantos projetos sendo revividos, o que tem prevalecido é um sentimento de pertencimento. Não podemos ser completamente ingênuos a ponto de achar que esses projetos não são voltados pensando no retorno financeiro, mas no final das contas quem sai ganhando mais são os fãs. Impossível não pensar em como Buffy quase retornou para os fãs. Com expectativas altas, tudo o que parecia certo, no final, foi cancelado. Mas esse é só um de tantos exemplos que poderia dar. Músicas do passado regravadas para uma versão atual, por exemplo, como Taylor Swift fez tão bem, Hilary Duff e Miley Cyrus. 20 anos após sua estreia, as The Pussycat Dolls estão de volta, com metade da formação, mas melhor do que nada. E já lançaram música nova e anúncio de turnê. Quem poderia imaginar que elas voltaram logo agora? Há quem força para um retorno da Britney Spears, mas por enquanto tudo não se passam de rumore...

Dias que ficaram para trás

Existiam os dias difíceis em que o pensamento sobre o vício em cigarro parecia tomar conta e dias em que respirar se tornava mais fácil e o vício parecia ter sido deixado para trás. 


Vícios eram algo que havia muito julgamento em cima, mas eu diria que a pessoa precisa passar pelo processo de abandonar um vício para entender o grau de dificuldade. 

Existem coisas que quem não passou jamais vai entender. Do mesmo modo, deixar pessoas para trás nem sempre é fácil, mesmo quando os relacionamentos estão tóxicos. 

Existe uma ideia tentadora de que poderia ter feito algo diferente. Uma noção de que se tivesse aguentado mais um pouco. Mas os padrões se repetiam e não havia muito o que fazer. Assim como algumas pessoas só conseguem abrir mão do vício quando cortam completamente, do mesmo modo acontece com relacionamentos que nos fazem mais mal do que bem.

E quando uma dinâmica está disfuncional, pouco importa o orgulho de quem colocou primeiro o outro para trás ou não, o importante é que já não estavam mais fazendo bem um ao outro. 

Assim, como em alguns dias o corpo e a mente eram tomados por uma vontade descontrolada de fumar cigarro, muitas vezes, também poderia acontecer com relacionamentos. Do mesmo modo que sabemos todos riscos do cigarro à saúde, ignoramos as red flags do outro: mas ignorar temporariamente não faz elas desaparecerem. Pelo contrário, na tentativa de ser compreensivo e entender o contexto do outro, muitas vezes você não só se desrespeita, como dá ao outro a oportunidade de te desrespeitar.

Então, do mesmo modo que uma pessoa que não quer mais fumar precisa aprender a dizer não ao comportamento, uma pessoa que se afastou de alguém segue firme, independente se o outro vai entender ou não, consciente, sim, de que as pessoas podem mudar, mas para isso precisam querer.

Lentamente, a vontade de fumar desaparece. O pensamento sobre o outro se distancia. Quantas vezes teria que repetir os mesmos padrões de comportamentos? Nenhuma. Às vezes, a resposta era dolorosa, mas também era a necessária. E estava completamente consciente de que o mesmo poderia se aplicar sobre ele mesmo em relação aos outros, que havia limites que havia desrespeitado e que na narrativa de alguém também era o vilão da história. Mas a vida era mais complexa do que isso, muito mais do que sobre ser herói ou vilão e, muitas vezes, trocávamos os papéis. A vida era sobre saber deixar ir, ainda que uma parte tivesse a falsa esperança de que o outro iria mudar. 

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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