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Destaques

Nostalgia da nostalgia

Dias de nostalgia da nostalgia, em que parecia sentir falta de algo ou alguém. Dias em que sabia que era delicioso se perder na sensação de que o passado proporcionava, mas que sabia a importância de voltar a atenção para o presente. Então, os dias continuavam seguindo, mesmo quando uma parte nossa insistia na nostalgia. Nostalgia boa era coisa temporária, mais do que isso poderia se tornar tóxica. A verdade era que escrevia para dar sentido às coisas. A verdade era que tinha uma relação dupla com a nostalgia; em alguns instantes, adorava, em outros, achava que era o pior que poderia acontecer. Escrevia, então, na esperança de continuar mantendo a nostalgia sob controle, aceitando que o passado não voltaria e estava tudo bem ressignificar as coisas. Ao dar um novo sentido, a nostalgia também se transformava. E, então, quem sabe poderia se manter em um nível mais saudável e menos tóxico. Se apegar à nostalgia, mas sentir os pés firmes no presente.  *Ben Oliveira é escritor, formado ...

Dias que ficaram para trás

Existiam os dias difíceis em que o pensamento sobre o vício em cigarro parecia tomar conta e dias em que respirar se tornava mais fácil e o vício parecia ter sido deixado para trás. 


Vícios eram algo que havia muito julgamento em cima, mas eu diria que a pessoa precisa passar pelo processo de abandonar um vício para entender o grau de dificuldade. 

Existem coisas que quem não passou jamais vai entender. Do mesmo modo, deixar pessoas para trás nem sempre é fácil, mesmo quando os relacionamentos estão tóxicos. 

Existe uma ideia tentadora de que poderia ter feito algo diferente. Uma noção de que se tivesse aguentado mais um pouco. Mas os padrões se repetiam e não havia muito o que fazer. Assim como algumas pessoas só conseguem abrir mão do vício quando cortam completamente, do mesmo modo acontece com relacionamentos que nos fazem mais mal do que bem.

E quando uma dinâmica está disfuncional, pouco importa o orgulho de quem colocou primeiro o outro para trás ou não, o importante é que já não estavam mais fazendo bem um ao outro. 

Assim, como em alguns dias o corpo e a mente eram tomados por uma vontade descontrolada de fumar cigarro, muitas vezes, também poderia acontecer com relacionamentos. Do mesmo modo que sabemos todos riscos do cigarro à saúde, ignoramos as red flags do outro: mas ignorar temporariamente não faz elas desaparecerem. Pelo contrário, na tentativa de ser compreensivo e entender o contexto do outro, muitas vezes você não só se desrespeita, como dá ao outro a oportunidade de te desrespeitar.

Então, do mesmo modo que uma pessoa que não quer mais fumar precisa aprender a dizer não ao comportamento, uma pessoa que se afastou de alguém segue firme, independente se o outro vai entender ou não, consciente, sim, de que as pessoas podem mudar, mas para isso precisam querer.

Lentamente, a vontade de fumar desaparece. O pensamento sobre o outro se distancia. Quantas vezes teria que repetir os mesmos padrões de comportamentos? Nenhuma. Às vezes, a resposta era dolorosa, mas também era a necessária. E estava completamente consciente de que o mesmo poderia se aplicar sobre ele mesmo em relação aos outros, que havia limites que havia desrespeitado e que na narrativa de alguém também era o vilão da história. Mas a vida era mais complexa do que isso, muito mais do que sobre ser herói ou vilão e, muitas vezes, trocávamos os papéis. A vida era sobre saber deixar ir, ainda que uma parte tivesse a falsa esperança de que o outro iria mudar. 

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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